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Goleiro de muito sucesso no futebol pernambucano dos anos 70, Gilberto Geraldo de Moraes nasceu no município de Getulina (SP), em 14 de janeiro de 1943.

Aluno do Colégio Liceu Coração de Jesus, o pequeno Gilberto tinha o futebol como diversão e nem imaginava chegar ao cenário profissional.

Depois, o menino continuou os estudos no Colégio São Luís, na cidade de Taubaté (SP). Mais tarde, a família Moraes mudou para o bairro do Jabaquara, na capital paulista, onde Gilberto foi diplomado no Ensino Fundamental.

E foi no bairro do Jabaquara que o jovem goleiro Gilberto apareceu com destaque no futebol amador da região.

Encaminhado ao São Paulo Futebol Clube, Gilberto defendeu o time do Morumbi em duas passagens, entre os anos de 1959 e 1968.

Crédito: revista do Esporte número 226 – 6 de julho de 1963.

Gilberto e Suly foram companheiros no São Paulo. Crédito: revista do Esporte número 267.

Gilberto, que também defendeu o selecionado paulista de Novos, atuou em algumas partidas como titular do São Paulo, participando inclusive do elenco que foi aos gramados da Europa na excursão invicta de 1964.

Mas Gilberto não se firmou definitivamente na meta do tricolor, encontrando a forte concorrência de Suly Cabral Machado e de Glauco José do Livramento (ex-Prudentina).

Ao todo, o goleiro realizou 25 partidas pelo São Paulo com 17 vitórias, 3 empates e 5 derrotas. Os dados foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

No findar de 1969 seus direitos federativos foram negociados com o Santa Cruz Futebol Clube (PE). O goleiro foi apresentado aos torcedores no Arruda nos primeiros meses de 1970.

E Gilberto se deu bem no futebol pernambucano. Pelo Santa Cruz, faturou os títulos estaduais de 1970, 1971, 1972, 1973 e 1976, quase sempre como titular da posição.

Por 4×1, o Corinthians de Roberto Rivellino (esquerda) não teve dificuldades para bater o Santa Cruz do goleiro Gilberto (centro). Crédito: revista Placar – 13 de agosto de 1971.

O goleiro Gilberto recebe instruções do técnico Duque. Crédito: revista Placar – 1 de outubro de 1971.

Um de seus grandes momentos aconteceu na campanha do campeonato brasileiro de 1975, quando pela primeira vez um clube do nordeste chegou os compromissos semifinais do brasileirão.

Na grande campanha de 1975, o Santa Cruz parou no Cruzeiro e acabou eliminado por 3×2 em Recife. Com tanto tempo de clube, Gilberto foi sentindo o desgaste natural, que culminou em sua saída no mês de fevereiro de 1977.

Abaixo, os registros da última conquista de Gilberto no Santa Cruz:

1 de agosto de 1976 – Campeonato pernambucano – Santa Cruz 2×0 Náutico – Estádio do Arruda – Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschilia – Gols: Nunes aos 28’ e Jadir aos 40’ do segundo tempo.

Santa Cruz: Gilberto, Carlos Alberto Barbosa, Alfredo Santos, Levir, Pedrinho, Givanildo (Ricardo, depois Lula), Jadir, Betinho, Nunes, Edson e Pio. Náutico: Tonho, Miguel, Gerailton, Sidclei, França, Ednaldo, Toninho Vanusa, Dedeu, Mário (Liminha), Fedato e Marquinhos (Didi Duarte).

Gilberto, Jair e Picasso. Foto de Clodomir Bezerra. Crédito: revista Placar – 23 de julho de 1976.

Gilberto evitou o pior na derrota do Santa Cruz por 2×0 diante da Ponte Preta em Campinas. Crédito: revista Placar – 19 de novembro de 1976.

No Santa Cruz desde 1970, Gilberto queria fazer um bom contrato. Sabia que os cartolas estavam atrás de Pascoalim e seus dias estavam contados no Arruda.

Com os documentos do “passe” em mãos, Gilberto desejava vendê-lo por 200 mil cruzeiros ao próprio Santa Cruz, que ainda precisaria pagar mais 20 mil cruzeiros mensais para manter o goleiro no elenco.

Por outro lado, os dirigentes do Santa Cruz já estavam em entendimentos com outros goleiros. Dessa forma, não foi possível Gilberto permanecer no Arruda.

Mas os mandatários do Santa Cruz não esperavam que Gilberto fosse justamente para o Sport Club do Recife, que na época procurava por outro goleiro depois da saída de Toinho para o São Paulo Futebol Clube.

Só que para Gilberto, o negócio foi melhor do que o esperado. O Sport pagou 250 mil cruzeiros pelo passe e topou bancar os mesmos 20 mil mensais que recebia no Santa Cruz.

Crédito: revista Placar – 26 de novembro de 1976.

Crédito: revista Placar – 26 de novembro de 1976.

Com o negócio fechado, Gilberto desabafou para o repórter Lenivaldo Aragão na edição da revista Placar publicada em 18 de fevereiro de 1977:

– Acho que nunca contei com o cartaz necessário no Santa Cruz. Nunca fui um goleiro de grife… Enquanto estive no Santa, trouxeram o Raul Marcel do Palmeiras, o Jair que jogou pelo Grêmio e o experiente Picasso. No entanto, eu sempre sobrevivi… 

Gilberto sempre foi um sujeito leal com seus companheiros.

Em uma partida contra o Náutico, Gilberto pediu substituição e quando o goleiro Jair estava pronto para entrar em campo, Gilberto ficou em campo para sofrer um gol em uma cobrança de penalidade. Só depois Jair entrou no gramado.

– Não era justo com o Jair. Entrar em campo para correr o risco de sofrer um gol logo de cara não é legal… 

Foto de Arlindo Marinho. Crédito: revista Placar – 18 de fevereiro de 1977.

Além do São Paulo, Santa Cruz e Sport Recife, onde foi campeão pernambucano de 1977, Gilberto também jogou pelo América Futebol Clube (MG) e pelo Ferroviário Atlético Clube (CE).

Aposentado dos gramados, Gilberto voltou ao cenário paulista quando trabalhou como Preparador de goleiros nas categorias amadoras do São Paulo Futebol Clube.

Gilberto inclusive, foi o responsável por dar o primeiro aval positivo para o início da carreira do goleiro Rogério Ceni em 1990.

Algum tempo depois, Rogério Ceni sentia saudades da família e Valdir Joaquim de Moraes precisou entrar em ação. Valdir chamou Rogério em sua sala e o convenceu para seguir em frente.

Conforme publicado pelo site do Milton Neves, Gilberto mora atualmente na capital paulista e trabalha como Administrador do CCT do São Paulo, no bairro da Barra Funda, Zona Oeste.

Foto de Arlindo Marinho. Crédito: revista Placar – 8 de abril de 1977.

Foto de Sílvio Ferreira. Crédito: revista Placar – 2 de fevereiro de 1979.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arlindo Marinho, Clodomir Bezerra, Lenivaldo Aragão, Paulo Moraes e Sílvio Ferreira), revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, almanaquedoferrao.files.wordpress.com, arquivocoral.com.br, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, saopaulofc.net, site do Milton Neves,  Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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