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Na noite de quinta feira de 13 de outubro de 1977, pouco mais de 86.000 abnegados foram ao Morumbi para assistir o encontro derradeiro entre Corinthians e Ponte Preta.

Bem diferente do público presente na tarde do domingo de 9 de outubro, quando 146.000 pagantes se espremeram no mesmo Morumbi para assistir ao inesperado triunfo campineiro por 2×1.

Mas os destemidos torcedores daquele dia 13 estavam munidos de algo além da própria esperança.

Eram milhares de apitos, que soavam em uma sinfonia perseverante sempre que os jogadores da Ponte Preta pegavam na bola.

E muitos quase engoliram o próprio apito nos primeiros minutos de jogo, quando o meio campista Luciano, o “Coalhada da Fiel”, arriscou um petardo que acertou a trave esquerda do goleiro Carlos.

Luciano (centro) foi mais um dos guerreiros da “Noite dos Apitos”. Crédito: revista Manchete Esportiva.

A batalha de 13 de outubro de 1977. Partindo da esquerda; Geraldão, Oscar, Luciano e Polozzi. Crédito: revista Manchete Esportiva.

Luciano Jorge Veloso, também conhecido pelos companheiros como Marcha Lenta e Dodô, nasceu em Pesqueira (PE), no dia 13 de setembro de 1948.

Luciano iniciou sua trajetória em times amadores de sua cidade natal. Em 1965 jogava por uma equipe chamada “União-Peixe”, até ser levado pelo irmão Paulo Veloso para o juvenil do CRB – Clube de Regatas Brasil, de Maceió (AL).

Campeão da categoria juvenil, Luciano fez uma grande exibição no amistoso de “entrega das faixas” contra o Santa Cruz.

Apesar da derrota por 3×2, Luciano marcou os dois gols de sua equipe e foi convidado para treinar no Arruda. Em outubro de 1966 foi aproveitado no elenco principal do Santa Cruz e não deixou mais o time.

Figurinha de Luciano no Santa Cruz. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Foto de Clodomir Bezerra. Crédito: revista Placar – 21 de setembro de 1973.

Pentacampeão pernambucano no período compreendido entre 1969 e 1973, o título de 1969 teve um sabor especial, já que o Santa Cruz amargava um longo jejum de 10 anos.

Meio campista de boa qualidade técnica, Luciano ganhou reconhecimento durante o campeonato brasileiro de 1973, quando seu nome figurou muito bem nas votações do prêmio “Bola de Prata” da revista Placar.

Na época, o Palmeiras manifestou interesse por seu futebol. No entanto, a proposta financeira do alviverde não foi suficiente para tirar Luciano do Santa Cruz.

Até hoje Luciano é lembrado como a “Maravilha do Arruda”, o segundo maior artilheiro do Santa Cruz com 174 gols marcados em 409 jogos disputados.

Na véspera do carnaval de 1975, por 600 mil cruzeiros, Luciano deixou o Arruda e acertou com o Sport Club do Recife. A manobra de negociar o jogador em pleno carnaval não impediu o clima de revolta dos torcedores.

Luciano em sua época no Sport Recife. Crédito: revista Placar – 3 de dezembro de 1976.

Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 18 de fevereiro de 1977.

Especialista em quebrar jejuns de títulos, Luciano faturou o estadual de 1975 pelo Sport Recife, antes de ser transferido para o Sport Club Corinthians Paulista, em dezembro de 1976.

Reservado e de poucas palavras, o jogador foi apresentado no Corinthians ao som da tradicional “Sirene de Contratações”, uma tradição que lamentavelmente foi deixada de lado no Parque São Jorge.

Recebido pela Fiel Torcida, o “caladão” Luciano recebeu o apelido de “Coalhada da Fiel” e se apresentou imediatamente ao técnico Duque.

*O apelido “Coalhada” ganhou força pela semelhança com o cabelo do personagem criado e interpretado pelo humorista Chico Anysio.

Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 18 de fevereiro de 1977.

Luciano não foi utilizado pelo técnico Duque na primeira partida do Corinthians no campeonato paulista. Foi no dia 9 de fevereiro de 1977 contra a Portuguesa Santista, com vitória do alvinegro por 2×0 no Pacaembu.

A primeira participação de Luciano aconteceu na rodada seguinte, com coincidências um tanto curiosas: O calendário marcava dia 13 e o adversário era a Ponte Preta:

13 de fevereiro de 1977 – Campeonato paulista primeiro turno – Ponte Preta 4×0 Corinthians – Estádio Moisés Lucarelli – Árbitro: Romualdo Arppi Filho – Gols: Rui Rei aos 20’ e Dicá (pênalti) aos 24’ do primeiro tempo; Jair aos 23’ e Parraga aos 40’ do segundo tempo.

Ponte Preta: Carlos, Jair, Oscar, Polozzi e Odirlei, Vanderlei, Marco Aurélio e Dicá; Lucio (Wilsinho), Rui Rei (Parraga) e Tuta. Técnico Zé Duarte. Corinthians: Tobias, Beline (Góis), Moisés, Ademir (Darcy) e Cláudio Mineiro; Basílio, Luciano e Vaguinho; Ruço, Geraldão e Edu. Técnico Duque.

Tarcísio Meira, Chico Anysio (no personagem “Coalhada”) e Francisco Cuoco. Crédito: veja.abril.com.br.

Uma das formações do Corinthians em 1977. Em pé: Zé Maria, Ruço, Tobias, Moisés, Zé Eduardo e Wladimir. Agachados: Vaguinho, Luciano, Geraldão, Palhinha e Romeu. Crédito: revista Manchete Esportiva.

Duque permaneceu no comando técnico do alvinegro até o domingo de 27 de março de 1977, na derrota matinal por 3×0 diante do Guarani no Morumbi.

Com a chegada do mestre Brandão, Luciano conquistou espaço. Sempre como uma boa opção no banco de reservas, seu futebol foi aproveitado em todos os setores da meia cancha.

Ausente na importante vitória por 2×1 contra o São Paulo em 2 de outubro, Luciano esteve em campo nas três partidas finais contra a Ponte Preta, nos dias 5, 9 e 13 de outubro de 1977.

Conforme publicado pelo Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte, Luciano realizou ao todo 70 partidas com 40 vitórias, 14 empates, 16 derrotas e 9 gols marcados.

Crédito: revista do Corinthians – Edição comemorativa do título de 1977.

Campeão paulista, Luciano permaneceu no Parque São Jorge até o final da temporada de 1978, quando foi transferido para o Clube Atlético Juventus e disputou o campeonato paulista.

Permaneceu no time da Rua Javari até 1980, quando firmou compromisso com a Associação Portuguesa de Desportos.

Em seguida voltou ao futebol pernambucano para defender o Clube Náutico Capibaribe. Encerrou a carreira como jogador no Central Sport Club de Caruaru (PE) em 1982, onde também trabalhou como treinador.

Luciano também comandou o Náutico Capibaribe (PE), categorias de base do Santa Cruz (PE), Paulistano Futebol Clube (PE), Pesqueira Futebol Clube (PE), CSA (AL), Botafogo (PB) e o Paysandu (PA).

Em Pesqueira, Luciano comanda um projeto de futebol com garotos entre 7 e 17 anos.

Foto de Josenildo Tenório. Crédito: revista Placar – 27 de julho de 1987.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Clodomir Bezerra, João Areosa, Josenildo Tenório, Lenivaldo Aragão e Ronaldo Kotscho), revista Manchete Esportiva, revista do Corinthians, Jornal A Gazeta Esportiva, gazetaesportiva.com, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, veja.abril.com.br, scratchcorinthiano.blogspot.com.br, santacruzpe.com.br, onordeste.com (por José Neves), Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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