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Estirado na mesa de massagens, Renê grita de dor quando o médico aperta seu joelho esquerdo. A contusão aconteceu no dia 4 de novembro de 1973, quando o Vasco venceu o Atlético Mineiro por 2×0 no estádio do Maracanã.

Foi na famosa dividida com o atacante Campos, que no lance perdeu 3 dentes e teve outros afetados, deixando o gramado em observação.

O lance foi o estopim do caso mais famoso de doping dos anos setenta. Ainda em recuperação, Campos precisou ser medicado com analgésicos para participar da partida contra o mesmo Vasco no Mineirão, em 18 de novembro.

O laudo do exame antidoping realizado em Campos depois do jogo no Mineirão, apontou o medicamento efedrina em sua urina. Foi o primeiro caso de acusação de doping comprovado do futebol brasileiro.

Crédito: revista Placar – 7 de dezembro de 1973.

Crédito: revista Placar – 7 de dezembro de 1973.

Renê Carlos da Silva nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 16 de outubro de 1949. *Algumas fontes publicam 1947 como seu ano de nascimento.

Começou sua carreira como atacante nos quadros amadores do Bonsucesso Futebol Clube. Depois, foi aproveitado como lateral e no miolo de zaga, período em que chegou ao elenco principal.

Na escola militar em Deodoro, onde era Pára-quedista, Renê aprimorou sua resistência física ao ponto de ser considerado um verdadeiro maratonista.

Contratado pelo Vasco da Gama em 1969, conquistou a preferência do técnico Tim e garantiu seu lugar no time que faturou o título carioca de 1970.

Figurinha de Renê no Vasco da Gama. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Figurinha de Renê no Vasco da Gama. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Os campeões do estadual de 1970. Em pé: Andrada, Alcir, Renê, Moacir, Eberval, Fidélis e o técnico Tim. Agachados: Santana (massagista), Luís Carlos, Ferreira, Buglê, Silva, Valfrido e Gilson Nunes. Crédito: revista Placar.

Os campeões do estadual de 1970. Em pé: Andrada, Alcir, Renê, Moacir, Eberval, Fidélis e o técnico Tim. Agachados: Santana (massagista), Luís Carlos, Ferreira, Buglê, Silva, Valfrido e Gilson Nunes. Crédito: revista Placar.

Mas logo a boa fase logo terminou. Depois de marcar uma série quase interminável de “gols contra”, Renê ficou marcado.

Quando precisava recuar a bola para o goleiro Andrada, os torcedores logo gritavam das arquibancadas: “Pro outro lado Renê, pro outro lado”.

Em entrevista publicada na revista Placar, edição de 16 de novembro de 1973, Renê desabafou:

– Os gols contra me marcaram muito, Foram sete no total. Mas o único em que acho que realmente tive culpa aconteceu contra o América em 1970, quando encobri o Andrada lá do meio da rua. 

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De artilheiro negativo Renê passou a ser considerado um “come-dorme”. Chegava por último aos treinos e era o primeiro que ia embora.

A maré de azar estava tão grande que um dia, quando estava a caminho de São Januário para treinar, um carro bateu na traseira de seu Opala que desgovernado atropelou um guarda de trânsito.

Em casa, no bairro de Guadalupe, na zona norte, era um verdadeiro inferno. Renê não conseguia dormir com o barulho dos atabaques provocados por um centro na rua onde morava.

Isso explica o atraso nos treinos e os momentos de irritabilidade com os companheiros de clube.

Crédito: revista Placar – 16 de novembro de 1973.

Crédito: revista Placar – 16 de novembro de 1973.

Crédito: revista Placar – 16 de novembro de 1973.

Crédito: revista Placar – 16 de novembro de 1973.

Revigorado pelo técnico Mário Travaglini, pelos conselhos do volante Alcir Portela e pela trégua nos barulhos que não o deixavam dormir, Renê foi aos poucos reencontrando o seu caminho.

O bom futebol voltou e seu nome fez parte das listas de convocação da Seleção Brasileira. Mas um acontecimento no jogo entre Vasco e Olaria pelo campeonato carioca de 1973, mudou o seu destino.

Ao reclamar de um impedimento, Renê acertou o árbitro Carlos Costa com uma cabeçada e foi suspenso por um ano, ficando de fora inclusive da campanha do título de campeão brasileiro de 1974.

Quando finalmente voltou ao time, Renê sofreu uma fratura no pé em um lance acidental com o atacante Nilson Dias do Botafogo.

Crédito: revista Placar – 16 de novembro de 1973.

Crédito: revista Placar – 16 de novembro de 1973.

Crédito: revista Placar – 24 de outubro de 1975.

Crédito: revista Placar – 24 de outubro de 1975.

Recuperado, Renê jogou até o final da temporada de 1976 no Vasco da Gama. Em seguida, passou pelo Botafogo de Futebol e Regatas, uma passagem marcada por acusações, nunca comprovadas, de facilitar jogos para alteração de resultados.

A reportagem foi publicada pela revista Placar, nas edições de 30 de outubro e 6 de novembro de 1981, assinada pelo repórter Marcelo Rezende.

O artista Carlos Imperial, diretor de futebol do Botafogo em 1979, recebeu orientação de Charles Borer para afastar Renê do elenco. Sem comprovações suficientes, Borer caiu em descrédito.

O caso foi parar na 21ª vara criminal, onde Borer precisava provar o envolvimento de Renê e do árbitro Valquir Pimentel. Sem ter como comprovar, o cartola alvinegro corria o risco de ser intimado por injúria, calúnia e difamação.

No choque entre o Botafogo paulista e o Botafogo carioca, Alexandre Bueno e Renê disputam pelo alto. Crédito: revista Placar - 9 de dezembro de 1977.

No choque entre o Botafogo paulista e o Botafogo carioca, Alexandre Bueno e Renê disputam pelo alto. Crédito: revista Placar – 9 de dezembro de 1977.

Renê, que continuou jogando pelo Botafogo, revelou sua revolta e indignação nas páginas da mesma revista Placar:

– Pensei em abrir uma lanchonete e largar essa nojeira de bola. Mas vou tentar jogar mais uns dois anos, ganhar um dinheiro e depois me formar em Educação Física.

Renê jogou ainda pelo Bangu Atlético Clube até encerrar sua carreira no Clube Atlético Paranaense em 1984.

Até hoje Renê é procurado pelos jornalistas para falar sobre o lance que resultou no milésimo gol de Pelé em 1969, ocasionado na verdade pelo zagueiro Fernando.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar -  6 de novembro de1981.

Crédito: revista Placar –  6 de novembro de1981.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por José Trajano, Milton Costa Carvalho e Marcelo Rezende), revista Manchete Esportiva, revista Grandes Clubes Brasileiros, bangu.net, campeoesdofutebol.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, netvasco.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg).

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