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Futebol e política jamais deveriam se misturar, principalmente na Bahia, terra de orixás, de influências e de encruzilhadas.

Um exemplo de que futebol e política não se bicam aconteceu pelos motivos que impediram a realização da despedida do zagueiro Roberto Rebouças.

Com o pensamento bem longe de qualquer tipo de festa, os homens que deveriam trabalhar por essa justa homenagem estavam com seus interesses em outros terrenos.

O administrador da Vila Olímpica do estádio Fonte Nova, Galdino Leite, e o presidente da Federação Bahiana, Raimundo Viana, estavam em uma briguinha particular durante a campanha para deputado federal em 1978.

Crédito: revista Placar - 21 de outubro de 1977.

Crédito: revista Placar – 21 de outubro de 1977.

Crédito: revista Placar - 21 de outubro de 1977.

Crédito: revista Placar – 21 de outubro de 1977.

Além disso, o diretor de futebol do Esporte Clube Bahia, Paulo Maracajá, vereador em Salvador, também “engrossou o caldo” para melar a festança.

Todos temiam que essa homenagem fosse se transformar em um grande comício eleitoral do próprio Roberto Rebouças, também vereador eleito pela Arena.

Paulo Roberto Rebouças de Carvalho nasceu na cidade de São Felix (BA) em 10 de abril de 1939.

Começou jogando como ponteiro esquerdo nas equipes amadoras do São Cristóvão Atlético Clube de Salvador, antes de chegar aos Aspirantes do Esporte Clube Vitória em meados de 1956.

O Botafogo de Ribeirão Preto nos anos sessenta. Em pé: Dirceu, Zé Carlos, Carlucci, Vavá, Julio Amaral e Roberto Rebouças. Agachados: Jairzinho, Quarentinha, Antoninho, Mosquito e Márcio. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

O Botafogo de Ribeirão Preto nos anos sessenta. Em pé: Dirceu, Zé Carlos, Carlucci, Vavá, Julio Amaral e Roberto Rebouças. Agachados: Jairzinho, Quarentinha, Antoninho, Mosquito e Márcio. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Promovido ao elenco de profissionais no início dos anos sessenta, Roberto permaneceu no Rubro Negro até o ano de 1963, quando foi transferido ao Bahia em uma troca que envolveu o atacante Didico.

Pouco depois de sua chegada ao novo clube, participou do elenco que disputou o Torneio Internacional de Nova York em 1964.

Bom futebol e personalidade marcante, no início da temporada de 1965 um sério desentendimento entre Roberto Rebouças e o presidente Osório Vilas Boas quase comprometeu a permanência do jogador.

Superado esse mal estar doméstico, Roberto Rebouças estava em franca ascensão quando fraturou a perna. Inativo por algum tempo, permaneceu nas fileiras do Bahia até 1966, quando um fato bastante curioso aconteceu.

Em 29 de novembro de 1970, o Bahia derrotou o Corinthians por 3x2 em partida válida pelo Torneio Robertão. Partindo da esquerda vemos Roberto Rebouças, Paulo Borges e Lindóia. Crédito: revista Placar - 4 de dezembro de 1970.

Em 29 de novembro de 1970, o Bahia derrotou o Corinthians por 3×2 em partida válida pelo Torneio Robertão. Partindo da esquerda vemos Roberto Rebouças, Paulo Borges e Lindóia. Crédito: revista Placar – 4 de dezembro de 1970.

Durante várias semanas Roberto Rebouças esteve na liderança nas apurações da “Bola de Prata” de 1971, mas não levou o prêmio. Crédito: revista Placar - 10 de dezembro de 1971.

Durante várias semanas Roberto Rebouças esteve na liderança nas apurações da “Bola de Prata” de 1971, mas não levou o prêmio. Crédito: revista Placar – 10 de dezembro de 1971.

Roberto bateu seu automóvel e não tinha dinheiro para arrumar. Foi então que o empresário de futebol Emílson Gomes propôs arcar com o concerto do carro, desde que Roberto topasse ser transferido para outras agremiações.

Emílson Gomes, que na época já tinha trabalhado na transferência de outros jogadores para o futebol paulista, cuidou dos detalhes burocráticos para que Roberto fosse para o Palmeiras.

O Bahia recebeu 30 mil cruzeiros pelo passe de Roberto Rebouças, que só permaneceu oito meses no Parque Antártica em razão de atritos pessoais com o treinador Fleitas Solich e com o diretor Ferruccio Sândoli.

Roberto limpou seu armário na Academia e foi para a cidade de Ribeirão Preto defender o Botafogo Futebol Clube, quando finalmente assinou seu primeiro contrato vantajoso.

Crédito: revista Placar. - 12 de novembro de 1971.

Crédito: revista Placar. – 12 de novembro de 1971.

Pouco depois, a situação financeira do clube mudou. Roberto, parado por uma séria contusão, chegou a emprestar dinheiro ao Botafogo, que na época estava construindo seu novo estádio.

O zagueiro pensou em voltar ao futebol baiano, mas decidiu ficar por perto para continuar seus estudos em Economia e ainda receber o restante da quantia devida pelo Botafogo.

Dessa forma, assinou um contrato de pouca duração com os dirigentes da A.A Ponte Preta de Campinas.

Finalmente em 1969, Roberto retornou aos encantos da “Boa Terra”, levando na bagagem os maus exemplos que testemunhou no futebol paulista, como suborno de árbitros, acertos entre clubes e outras coisinhas mais.

Crédito: revista Placar - 21 de outubro de 1977.

Crédito: revista Placar – 21 de outubro de 1977.

Crédito: revista Placar - Junho de 1999.

Crédito: revista Placar – Junho de 1999.

Quarto zagueiro aplicado, Roberto foi campeão estadual pelo Bahia nas edições de 1970, 1971, 1973, 1974, 1975, 1976 e 1977.

Todavia, seu temperamento forte lhe causou muitos dissabores. Em 1972, antes do compromisso final do campeonato estadual contra o Vitória, Roberto brigou com seu antigo desafeto, o técnico Fleitas Solich.

Por conta disso, recebeu uma multa de 60% em seu salário e ainda teve seu contrato suspenso pelo prazo de 30 dias.

O balanço final: O Vitória foi campeão, Fleitas Solich deixou o clube e os torcedores amargaram a perda do título e a ausência de Roberto Rebouças.

Roberto Rebouças, conhecido como a “Muralha Baiana”, deixou definitivamente os gramados em 1978. Seu falecimento aconteceu em 1994, vitimado por uma cirrose hepática.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fernando Escariz e Carlos Libório), revista Grandes Clubes Brasileiros, campeoesdofutebol.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), museudosesportes.blogspot.com.br.

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