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O sol batia forte nas ruas da capital federal nos primeiros dias do mês de janeiro de 1948.

Entre tantos afazeres, o jovem Carlos Alberto também foi tomado pela onda de curiosidade que, como rastilho de pólvora, se espalhou nos corredores sempre comportados do Colégio Militar.

O assunto do momento girava em torno do prefeito Mendes de Moraes, que continuava sua empreitada particular para transformar o Derby Club em um vultoso estádio para o mundial de 1950.

Goleiro reconhecido no Colégio Militar, Carlos Alberto chegou aos quadros amadores do Vasco da Gama em 1948, exatamente quando o Maracanã deixava o embrião das folhas de projeto para se tornar o “Maior do Mundo”.

Selecionado carioca que faturou o Torneio Paulo Goulart de Oliveira em 1949. Em pé: Lafaiete, Carlos Alberto, Pinheiro, Osvaldo, Valdir e Luciano. Agachados: Haroldo, Robson, Jerônimo, João Carlos e Tite. Crédito: cacellain.com.br.

Selecionado carioca que faturou o Torneio Paulo Goulart de Oliveira em 1949. Em pé: Lafaiete, Carlos Alberto, Pinheiro, Osvaldo, Valdir e Luciano. Agachados: Haroldo, Robson, Jerônimo, João Carlos e Tite. Crédito: cacellain.com.br.

Carlos Alberto Martins Cavalheiro nasceu no bairro de Santa Tereza no dia 21 de janeiro de 1932, no Rio de Janeiro. Família de origem portuguesa, conheceu o basquete e o futebol na Associação Cristã de Moços no bairro da Lapa.

Aluno do Colégio Militar desde os onze anos de idade, Carlos Alberto foi aos poucos adaptando sua rotina de obrigações militares com os compromissos no Vasco.

No gramado de São Januário, o homem forte não usava insígnias ou divisas. Sempre com um pesado roupão de algodão, o gordinho Otto Glória ditava o regulamento e exigia dedicação.

Dedicação compensada em janeiro de 1949, quando Carlos Alberto foi o titular do selecionado carioca que conquistou o Torneio Paulo Goulart de Oliveira.

Em 1952, na seleção olímpica, vemos Jansen, o jornalista Augusto Rodrigues e o goleiro Carlos Alberto. Crédito: acerj.com.br.

Em 1952, na seleção olímpica, vemos Jansen, o jornalista Augusto Rodrigues e o goleiro Carlos Alberto. Crédito: acerj.com.br.

Seleção que participou dos jogos olímpicos de 1952. Em pé: Mauro, Carlos Alberto, Valdir, Zózimo, Adezio e Edson. Agachados: Milton, Humberto, Larry, Vavá e Jansen. Crédito: selecao.cbf.com.br.

Seleção que participou dos jogos olímpicos de 1952. Em pé: Mauro, Carlos Alberto, Valdir, Zózimo, Adezio e Edson. Agachados: Milton, Humberto, Larry, Vavá e Jansen. Crédito: selecao.cbf.com.br.

Ainda em 1949, Carlos Alberto foi o suplente do goleiro Cabeção na conquista do Sul-Americano de juniores, realizado no Chile.

Com tantas credenciais positivas, seu nome foi lembrado pelo técnico Newton Cardoso, que comandou o time olímpico nos jogos de Helsinque em 1952.

Se o quinto lugar não foi o que Carlos Alberto esperava de sua participação na olimpíada, o título carioca do Vasco em 1952 lhe varreu os prantos e o aproximou ainda mais de seus companheiros.

Com idade estourada para o juvenil e impossibilitado de assinar um contrato profissional em razão de suas atividades militares, Carlos Alberto foi aproveitado no time de Aspirantes entre os anos de 1952 e 1955.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 968 – 25 de outubro de 1956.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 968 – 25 de outubro de 1956.

Nesse período, foi utilizado em alguns compromissos no time principal, integrando inclusive o elenco que conquistou o Torneio Internacional Octogonal Rivadávia Corrêa Meyer em 1953.

Efetivado pelo técnico Martim Francisco, Carlos Alberto participou da excursão aos gramados da Europa e da boa campanha realizada na Pequena Copa do Mundo da Venezuela.

O título carioca de 1956 foi o primeiro triunfo significativo como titular, evitando assim o tetracampeonato do Flamengo.

Depois da conquista da primeira edição do Torneio de Paris e do Torneio Teresa Herrera em 1957, Carlos Alberto fazia planos para os compromissos da temporada de 1958.

Mas, uma transferência militar inesperada para a cidade de São Paulo o impossibilitou de permanecer no Vasco da Gama.

Paulinho, Carlos Alberto e Bellini.

Paulinho, Carlos Alberto e Bellini.

Carlos Alberto carrega o troféu Teresa Herrera em 1957. Crédito: netvasco.com.br.

Carlos Alberto carrega o troféu Teresa Herrera em 1957. Crédito: netvasco.com.br.

Com o acerto firmado entre Vasco e Portuguesa de Desportos, Carlos Alberto desembarcou em São Paulo sem a devida noção do quanto precisaria viajar para disputar o campeonato paulista… Bauru, Campinas, Jaú, Piracicaba, Santos, Taubaté…

Abaixo, a primeira participação de Carlos Alberto na Portuguesa de Desportos:

1 de março de 1958 – Torneio Rio São Paulo – America 2×1 Portuguesa de Desportos – Estádio do Maracanã – Árbitro: Eduardo Saradi – Gols: João Carlos aos 41’, Alarcon aos 83’ e Servilio aos 86’.

América: Ari, Jorge, Ivan I e Ivan II; Amaro e Romeiro; Canário, Alarcon, Hilton (Leônidas), João Carlos e Calazans. Técnico: Gyula Mándi. Portuguesa: Carlos Alberto, Mário Ferreira, Djalma Santos e Odorico; Bauer e Juths; Amaral, Ipojucan, Alfeu (Orlando), Ocimar (Servilio) e Zé Carlos. Técnico: Flávio Costa.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 110 - Abril de 1958.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 110 – Abril de 1958.

Titular da meta da Lusa nas temporadas de 1958 e 1959, Carlos Alberto continuou prestando serviços ao selecionado amador.

A impossibilidade de firmar um contrato profissional foi determinante para que a Confederação Brasileira de Desportos pudesse contar com sua experiência nas competições de 1959 e 1960.

Medalha de prata no Pan-Americano em Chicago em 1959, Carlos Alberto também disputou os jogos olímpicos da cidade de Roma em 1960.

Vice campeão paulista de 1960, Carlos Alberto deixou o futebol profissional na temporada de 1961, mantendo ainda sua condição de atleta amador.

Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte.

Em clássico entre Portuguesa e Corinthians no Pacaembu, Carlos Alberto rebate e o ponteiro Tite do Corinthians aproveita para marcar. Crédito: revista do Corinthians número 109 – Novembro de 1958.

Em clássico entre Portuguesa e Corinthians no Pacaembu, Carlos Alberto rebate e o ponteiro Tite do Corinthians aproveita para marcar. Crédito: revista do Corinthians número 109 – Novembro de 1958.

Como dirigente, Carlos Alberto exerceu a Vice-Presidência de futebol do Vasco nos anos setenta, com destaque para sua participação em 1974, ano da conquista do primeiro título brasileiro.

Foi presidente do Conselho de Beneméritos do clube por vários mandatos, sendo membro desse colegiado desde 1976.

Trabalhou também como supervisor da Seleção Brasileira nas copas do Mundo de 1974 e 1978.

Conforme publicado pelo site vasco.com.br, Carlos Alberto faleceu aos 80 anos de idade, no dia 29 de junho de 2012.

Crédito: revista do Esporte número 65 – 4 de junho de 1960.

Crédito: revista do Esporte número 65 – 4 de junho de 1960.

Carlos Alberto em suas duas atividades como goleiro e como militar. Crédito: revista do Esporte número 65 – 4 de junho de 1960. 

Carlos Alberto em suas duas atividades como goleiro e como militar. Crédito: revista do Esporte número 65 – 4 de junho de 1960.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Luiz Mendes), revista Manchete Esportiva, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Corinthians, selecao.cbf.com.br, cacellain.com.br, vasco.com.br, netvasco.com.br, campeoesdofutebol.com.br, acerj.com.br (por José Rezende), site do Milton Neves (por Túlio Nassif), Livro: Memória Social dos Esportes – Francisco Carlos T. da Silva e Ricardo Pinto dos Santos – Editora Mauad.

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