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Confortavelmente instalado na tribuna de honra do estádio do Morumbi, longe da noite gelada e da curiosidade popular, o técnico da Seleção Brasileira Cláudio Coutinho acompanhou os 120 minutos de futebol entre São Paulo e Botafogo.

Observou Sócrates e Zé Mário sem muito entusiasmo. Elogiou a atual forma do ponteiro Zé Sérgio, mas acabou se empolgando mesmo com o espírito de luta e aplicação tática dos zagueiros do time de Ribeirão Preto.

Aquele barbudo é o símbolo dessa conquista, afirmou Coutinho ao se referir ao camisa 3 Manoel, um verdadeiro gladiador no esquema armado pelo técnico Jorge Vieira.

E após o jogo Manoel, também apelidado de “Manelão”, reconheceu que seu futebol se move mais pela dedicação do que pela inspiração.

Crédito: revista Placar – 27de maio de 1977.

Crédito: revista Placar – 27de maio de 1977.

Crédito: revista Placar 27 de maio de 1977.

Crédito: revista Placar 27 de maio de 1977.

Manoel de Oliveira Costa, ou ainda Manuel de Oliveira Costa conforme algumas publicações, nasceu na cidade de Januária (MG) em 7 de janeiro de 1945. * Algumas fontes publicam o ano de nascimento em 1946.

Ainda criança, sua família fixou moradia na cidade de Osasco (SP), onde em sua juventude Manoel jogou por várias equipes do futebol varzeano da região.

Descoberto por um olheiro, foi encaminhado aos quadros amadores do América Futebol Clube da cidade de São José do Rio Preto.

Depois de passar pelo juvenil chegou ao time de Aspirantes. Em 1966 assinou seu primeiro compromisso profissional. Atuando também como lateral direito, viveu grande fase na temporada de 1967.

Formação do América de São José do Rio Preto em 1969. Em pé: Geraldo, John Paul, Raul Marcel, Manoel, Adelson, Severo e Homero Colombini. Agachados: Tio Nico, J.Alves, Cabinho, Mirandinha, Raul e Marco Aurélio. Crédito: Flash Bola - diariodaregiao.com.br.

Formação do América de São José do Rio Preto em 1969. Em pé: Geraldo, John Paul, Raul Marcel, Manoel, Adelson, Severo e Homero Colombini. Agachados: Tio Nico, J.Alves, Cabinho, Mirandinha, Raul e Marco Aurélio. Crédito: Flash Bola – diariodaregiao.com.br.

O forte quadro Botafogo de Ribeirão Preto em 1977. Em pé: Wilson Campos, Nei, Manoel, Aguilera, Mineiro e Mário. Agachados: Zé Mário, Sócrates, Arlindo, Lorico e João Carlos Motoca. Técnico: Jorge Vieira.

O forte quadro Botafogo de Ribeirão Preto em 1977. Em pé: Wilson Campos, Nei, Manoel, Aguilera, Mineiro e Mário. Agachados: Zé Mário, Sócrates, Arlindo, Lorico e João Carlos Motoca. Técnico: Jorge Vieira.

E foi em 1967 que Manoel sofreu sua primeira cirurgia no tornozelo ficando afastado dos gramados durante três meses.

Em 1970 recebeu os direitos sobre o próprio passe em troca dos salários atrasados que os dirigentes do América não tinham como quitar. Tentou alugar o passe ao próprio América mas acabou desistindo.

Manoel assinou com o Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto em 1971. Criticado em seus primeiros meses, Manoel foi aos poucos conquistando seu espaço.

Caiu nas graças da torcida, que protestou bastante quando o zagueiro entrou na lista de interesses do Operário de Campo Grande para disputar o campeonato brasileiro de 1974.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Acertou tudo com o Operário, mas resolveu ficar em Ribeirão. Emocionado com o apelo dos torcedores, renovou seu contrato e permaneceu no Botafogo por 8 mil cruzeiros por mês.

No mês de maio de 1977, o clima na cidade era de muita festa depois do ótimo resultado contra o Guarani na tarde do dia 14, no estádio do Pacaembu.

O jogo terminou empatado em 0x0 no tempo normal e nos 30 minutos da prorrogação, resultado que credenciou o Tricolor de Ribeirão Preto para enfrentar o São Paulo de Pedro Rocha na final.

Com o mando de jogo da Federação Paulista, o dia 18 de maio na história do clube da “Pantera”.

O empate contra o Guarani levou o Botafogo ao encontro decisivo contra o São Paulo. Crédito: revista Placar - 20 maio 1977.

O empate contra o Guarani levou o Botafogo ao encontro decisivo contra o São Paulo. Crédito: revista Placar – 20 maio 1977.

18 de maio de 1977- Campeonato paulista – Partida final da Taça Cidade de São Paulo - São Paulo 0x0 Botafogo. Manoel (centro), cerca o espaço de Pedro Rocha (direita). Crédito: Ping Pong Futebol Cards – Série Grandes Jogos.

18 de maio de 1977- Campeonato paulista – Partida final da Taça Cidade de São Paulo – São Paulo 0x0 Botafogo. Manoel (centro), cerca o espaço de Pedro Rocha (direita). Crédito: Ping Pong Futebol Cards – Série Grandes Jogos.

Em noite fria no estádio do Morumbi, o Botafogo empatou com o São Paulo em 0x0 e garantiu o título inédito da Taça Cidade de São Paulo, equivalente ao primeiro turno do campeonato paulista.

Durante dias, os festejos na cidade pareciam não ter fim. Abaixo, os dados do épico confronto entre “tricolores” pela Taça Cidade de São Paulo de 1977:

18 de maio de 1977 – Campeonato paulista – Partida final da Taça Cidade de São Paulo – São Paulo 0x0 Botafogo – Estádio do Morumbi – Árbitro: Oscar Scolfaro.

São Paulo: Waldir Perez, Antenor, Jaime, Arlindo e Gilberto; Tecão, Teodoro (Muricy) e Pedro Rocha (Frazão); Terto, Serginho e Zé Sérgio. Técnico: Rubens Minelli. Botafogo: Aguilera (Leonetti), Wilson Campos, Miro, Manoel e Mineiro; Mário e Lorico; Zé Mário, Sócrates, Osmarzinho (João Carlos Traina) e João Carlos Motoca. Técnico: Jorge Vieira.

Crédito: revista Placar – 27de maio de 1977.

Crédito: revista Placar – 27de maio de 1977.

E Manoel virou um verdadeiro símbolo daquela conquista.

Defendeu o time com unhas e dentes mesmo quando a clavícula o incomodava, contusão sofrida desde o confronto contra o Paulista de Jundiaí.

O técnico Jorge Vieira e o presidente do Botafogo, Atílio Benedini Neto, tinham em comum um sentimento de muita admiração pela dedicação de Manoel.

Mesmo em um time que contava com o talento de Sócrates e com o experiente futebol de Lorico, Arlindo Fazolin e dos goleiros Aguilera e Leonetti, Manoel era um dos intocáveis da fanática torcida de Ribeirão.

Festa e muito chopp no tradicional bar do Pinguim em Ribeirão. Crédito: revista Placar.

Festa e muito chopp no tradicional bar do Pinguim em Ribeirão. Crédito: revista Placar.

Formado em Educação Física, Manoel continuou sua rotina de levantar cedo e oferecer aulas de ginástica gratuitamente aos vereadores e médicos da cidade de Ribeirão Preto.

Quanto ao uso da barba, Manoel se limitava em dizer que era uma promessa e nem sua esposa sabia ao certo do que se tratava.

Manoel deixou os gramados jogando pelo mesmo Botafogo no início dos anos oitenta. Até hoje seu nome é lembrado com muito carinho em Ribeirão Preto.

Em março de 2015, Manoel ficou com os olhos marejados por ocasião do lançamento do livro “Botafogo – Uma História de Amor e Glórias”, do jornalista Igor Ramos.

A festa do Botafogo campeão. Crédito: revista Placar 27 de maio de 1977.

A festa do Botafogo campeão. Crédito: revista Placar 27 de maio de 1977.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão), revista Manchete Esportiva, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, Flash Bola – diariodaregiao.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, Ping Pong Futebol Cards – Série Grandes Jogos, site do Milton Neves.

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