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Bons tempos aqueles em que Walter Corbo jogava basquete em um time amador na cidade de Montevidéu. Não ganhava nada e também não tinha maiores responsabilidades, mas se divertia muito.

Além do basquete, o grupo de amigos que cresceu junto no bairro de La Teja praticava também o voleibol e o Remo.

Futebol? Muito pouco! Quando criança jogou como beque em um time chamado José Artigas. Rebatia todas e até era considerado um bom defensor.

Walter Luiz Corbo Burmia, o goleiro Corbo que fez sucesso pelo Grêmio, nasceu em Montevidéu no dia 2 de maio de 1949.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar - 26 de fevereiro de 1971.

Crédito: revista Placar – 26 de fevereiro de 1971.

Aos dezoito anos de idade trabalhava nos escritórios da Will Smith, uma empresa americana importadora de peças para automóveis. Um bom emprego que não se poderia jogar fora.

Naquele tempo, seu irmão Romeo Corbo já ganhava seus trocados como ponteiro esquerdo do juvenil do Racing Club.

Imaginando ganhar um dinheiro extra para completar o orçamento, Walter Corbo conversou com o irmão Romeo para ser apresentado como goleiro ao treinador do Racing.

Afinal, para quem tinha uma estatura razoável e usava as mãos para praticar o basquete e o voleibol, ficar debaixo das traves não seria uma tarefa tão difícil.

Crédito: revista Placar – 8 de abril de 1977.

Crédito: revista Placar – 8 de abril de 1977.

Crédito: revista Placar – 8 de abril de 1977.

Crédito: revista Placar – 8 de abril de 1977.

Romeo exitou um pouco mas acabou concordando. Todavia, colocou uma única condição: “Você não deve revelar que é meu irmão”. 

Um mês depois, Walter Corbo entrou decidido no departamento pessoal da Will Smith e comunicou oficialmente o seu pedido de demissão.

Corria o ano de 1968. O técnico do Racing, Raul Viera, entregou uma ficha de inscrição ao jovem Walter Corbo e o inscreveu no quadro juvenil. Sucesso rápido, seu nome foi relacionado para servir ao selecionado juvenil do Uruguai.

Quando voltou do selecionado juvenil, Corbo foi surpreendido com uma proposta de contrato. O técnico dos profissionais, Juan Faccio, esperava contar rapidamente com seus serviços na temporada de 1969.

Crédito: revista Placar – 8 de abril de 1977.

Crédito: revista Placar – 8 de abril de 1977.

Na temporada de 1969 Corbo realizou partidas impecáveis. Quando o mês de dezembro terminou, representantes do Club Atlético Peñarol adquiriram os direitos federativos do jovem goleiro do Racing.

Chegando ao Peñarol foi apresentado ao reconhecido técnico brasileiro Oswaldo Brandão, que rapidamente apresentou seus planos:

– Fui eu que mandei contratar você. Como ainda é muito jovem, o titular continua sendo o Ladíslao Mazurkiewicz. Tenha calma que sua oportunidade vai chegar! 

E assim Corbo continuou como suplente de Ladíslao Mazurkiewicz, inclusive durante o mundial de 1970, no México.

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Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Em dezembro de 1971, quando Mazurkiewicz foi contratado pelo Clube Atlético Mineiro, um caminhão de esperanças foi depositado em Corbo, que ainda não ostentava seu tradicional bigodinho.

Afinal, do outro lado, o rival Nacional contava com a segurança oferecida pelo brasileiro Manga. E Corbo correspondeu muito bem.

Em pouco tempo já era o capitão da renovada equipe do Peñarol. Ganhou confiança e era respeitado pelos dirigentes e pelos torcedores.

Tricampeão nacional em 1973, 1974 e 1975, além da conquista da Taça Teresa Herrera em 1974, Corbo não foi convocado para disputar o mundial de 1974, na Alemanha.

Santos e Grêmio ficaram no 0x0 pelo campeonato brasileiro de 1978 no Morumbi. Crédito: revista Placar – 23 de junho de 1978.

Santos e Grêmio ficaram no 0x0 pelo campeonato brasileiro de 1978 no Morumbi. Crédito: revista Placar – 23 de junho de 1978.

Corbo só voltou para a “Celeste Olímpica” em 1975.

Em 1976 disputou a Taça do Atlântico, participando inclusive da famosa partida em que Ramirez correu atrás de Roberto Rivellino no estádio do Maracanã:

28 de abril de 1976 – Taça do Atlântico – Brasil 2×1 Uruguai – Estádio do Maracanã – Árbitro: Romualdo Arppi Filho – Gols: Daniel Torres aos 15’ do primeiro tempo, Rivellino, aos 10’ e Zico (pênalti), aos 27 do segundo tempo.

Brasil: Jairo; Toninho (Orlando Lelé), Miguel, Amaral e Marco Antônio; Chicão, Zico e Roberto Rivellino; Gil, Enéas (Roberto Dinamite) e Lula. Técnico Brandão. Uruguai: Walter Corbo; Washington González, Alfredo de Los Santos, Roque Chagas e Ramírez; Acosta, Darío Pereyra e Julio César Jiménez; Rodolfo Rodríguez (Revetría), Fernando Morena e Daniel Torres (Manuel Keosseian). Técnico: José María Rodríguez.

Falhar em "Grenal" não se pode perdoar. Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1979.

Falhar em “Grenal” não se pode perdoar. Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1979.

No início de 1977 recebeu uma proposta do Barcelona Sporting Club de Guayaquil. No entanto, acabou fechando negócio com o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Campeão gaúcho de 1977, quebrando uma série de oito títulos consecutivos do Internacional, Corbo deixou rapidamente de ser herói e viveu seu inferno astral em 17 de dezembro de 1978.

Acusado de falhar no gol de Valdomiro, o segundo na derrota para o Internacional por 2×1, os torcedores gremistas, revoltados, logo trataram de decretar o seu veredito final:

– Ele não deveria ter saído do gol naquela bola. Se ficasse debaixo das traves teria feito a defesa facilmente.

Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1979.

Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1979.

Corbo deixou o estádio “Olímpico” em 1979, pouco depois da contratação do experiente goleiro Manga.

Em seguida, defendeu o San Lorenzo da Argentina até o ano de 1980. Passou rapidamente pelo Argentino Juniors retornando logo depois ao mesmo San Lorenzo.

Em 1982 voltou ao futebol uruguaio quando acertou com o Club Atlético River Plate do Uruguai, onde também encerrou sua carreira profissional.

Conforme publicado pelo site do Milton Neves, atualmente Corbo reside em Montevidéu e trabalha como treinador de goleiros da ONFI (Organización Nacional De Fútbol Infantil), entidade que se dedica na formação de atletas.

Com Manga no Grêmio, Corbo teve o caminho livre para sair. Crédito: revista Placar.

Com Manga no Grêmio, Corbo teve o caminho livre para sair. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca e Roberto Appel), revista Manchete Esportiva, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves (por Sérgio Quintella), albumefigurinhas.no.comunidades.net, Livro: Seleção Brasileira 90 Anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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