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Diferente dos dias atuais, terrenos vazios e grandes áreas abertas se multiplicavam pelas cidades nas primeiras décadas do século XX.

Com tanto espaço disponível, o futebol era a principal diversão para os meninos dos anos trinta e quarenta. Bastava ter uma bola ou ainda uma meia com enchimentos para ter diversão garantida.

Foi nesse cenário que Larry Pinto de Faria desenvolveu uma habilidade única, que o transformou em um dos melhores atacantes do futebol gaúcho em todos os tempos.

Nascido na cidade de Nova Friburgo (RJ), em 3 de novembro de 1932, Larry iniciou sua jornada nas divisões de base do Friburgo Futebol Clube passando por várias categorias até chegar ao quadro juvenil em 1949.

Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Em 1950 o Fluminense realizou um amistoso contra o selecionado da cidade. Larry foi escalado e jogou muito bem, o suficiente para receber um convite para treinar nas Laranjeiras.

Com pouco tempo de clube, Larry se firmou como centroavante no juvenil do Fluminense e conquistou muitos títulos. Convocado para o selecionado carioca da categoria disputou o campeonato de seleções estaduais.

Com boas atuações, seu nome foi lembrado pelo técnico Newton Cardoso, que preparava o time olímpico para os jogos de Helsinque em 1952.

Ao lado de Vavá, Humberto Tozzi e Jansen, Larry foi mantido na linha ofensiva do time que embarcou para os gramados da capital da Finlândia para tentar trazer o “ouro” pela primeira vez.

O trio ofensivo do selecionado amador de 1952 era formado por verdadeiros "cobras": Humberto, Larry e Vavá. Crédito: revista Colorada – Abril de 1958.

O trio ofensivo do selecionado amador de 1952 era formado por verdadeiros “cobras”: Humberto, Larry e Vavá. Crédito: revista Colorada – Abril de 1958.

Ataque da Seleção Brasileira nas olimpíadas de 1952: Em pé: Humberto Tozzi, Larry e Vavá. Agachados: Paulinho e Jansen. Crédito: albumdosesportes.blogspot.com.br.

Ataque da Seleção Brasileira nas olimpíadas de 1952: Em pé: Humberto Tozzi, Larry e Vavá. Agachados: Paulinho e Jansen. Crédito: albumdosesportes.blogspot.com.br.

No primeiro compromisso vencemos a Holanda por 5×1. No confronto seguinte, nova vitória diante do selecionado de Luxemburgo pela contagem de 2×1.

Na terceira partida, os alemães venceram na prorrogação por 2×0, depois de um empate por 2×2 no tempo normal.

No Fluminense, Larry chegou ao quadro de Aspirantes que na época era comandado por Francisco de Souza Ferreira, o popular Gradim. Em 1954 foi aproveitado no time principal pelo técnico Zezé Moreira.

Mas Larry não se deu muito bem. No esquema “4-3-3” de Zezé Moreira o centroavante precisava se expor e demarcar seu espaço na grande área, o que não era exatamente o estilo praticado por Larry.

O desgosto de 1952 foi transformado em muita confiança para o Pan-Americano de 1956. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

O desgosto de 1952 foi transformado em muita confiança para o Pan-Americano de 1956. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Seleção que participou dos jogos olímpicos de 1952. Em pé: Mauro, Carlos Alberto, Valdir, Zózimo, Adezio e Edson. Agachados: Milton, Humberto, Larry, Vavá e Jansen. Crédito: selecao.cbf.com.br.

Seleção que participou dos jogos olímpicos de 1952. Em pé: Mauro, Carlos Alberto, Valdir, Zózimo, Adezio e Edson. Agachados: Milton, Humberto, Larry, Vavá e Jansen. Crédito: selecao.cbf.com.br.

Então, Zezé Moreira chamou Larry para conversar:

– Vou emprestar você para Internacional de Porto Alegre. Lá, o futebol é mais competitivo e tenho certeza que você vai voltar melhor”. 

Larry chegou ao Sport Club Internacional no mês de maio. Pouco tempo depois foi comunicado que o Fluminense o vendeu de forma definitiva e não por empréstimo como Larry acreditava.

Realizou sua primeira partida contra o Esporte Clube Floriano no dia 11 de julho de 1954. Nesse dia, Larry marcou três gols na goleada por 7×0.

Em 18 de julho participou de seu primeiro “Grenal”. O confronto terminou com o placar de 3×1 para o Inter e Larry marcou um dos gols do “Colorado”.

Larry e Florindo cercados por seus familiares na chegada do México. Crédito: revista Colorada – Abril de 1958.

Larry e Florindo cercados por seus familiares na chegada do México. Crédito: revista Colorada – Abril de 1958.

O Brasil representado pelos gaúchos no Pan-Americano de 1956. Em: Valdir, Oreco, Florindo, Odorico, Ênio Rodrigues e Duarte. Agachados: Luizinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

O Brasil representado pelos gaúchos no Pan-Americano de 1956. Em: Valdir, Oreco, Florindo, Odorico, Ênio Rodrigues e Duarte. Agachados: Luizinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Ao lado de Nílton Coelho da Costa, o Bodinho, Larry formou uma dupla de muito sucesso que ficou conhecida como “Tabelinha”, no melhor estilo “Pelé e Coutinho”.

Seu primeiro grande momento no “Colorado” aconteceu em 26 de setembro de 1954, na inauguração do Estádio Olímpico. Larry marcou quatro gols na vitória sobre o Grêmio por 6×2.

Campeão estadual de 1955, o elegante Larry era chamado pelos torcedores como “cerebral”. Diferente da grande maioria dos centroavantes da época, Larry nunca foi um “trombador”.

Sua técnica refinada era admirada pela facilidade de encontrar espaços partindo de trás, evitando assim choques desnecessários.

Em 1956 integrou o selecionado gaúcho que representou o Brasil no Campeonato Pan-Americano disputado na Cidade do México. Os “canarinhos” ficaram com o título depois do empate em 2×2 contra a Argentina.

Crédito: revista Colorada – Abril de 1958.

Crédito: revista Colorada – Abril de 1958.

Ainda em 1956, Larry foi convocado para a Seleção Brasileira principal pelo técnico Flávio Costa para uma série de compromissos pelos gramados da Europa.

Larry foi novamente campeão gaúcho na temporada de 1961, quando também decidiu pendurar suas chuteiras. Ao todo, foram 177 gols marcados em 256 partidas disputadas.

Em 1965 Larry colaborou com os diretores e foi treinador do Internacional durante três meses sem receber nenhum tostão por isso.

Comentarista esportivo, Larry trabalhou também na Caixa Econômica Estadual. Formado em Economia no ano de 1963, militou na política como vereador, secretário municipal e suplente de deputado estadual.

Larry Pinto de Faria faleceu no dia 6 de maio de 2016 vitimado por uma pneumonia.

Oreco e Larry. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Oreco e Larry. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Orietti e Celso Kinjô), revista Manchete Esportiva, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Esporte Ilustrado, revista Colorada, internacional.com.br (por Cesar Caramês), memoriadointer.blogspot.com.br, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, selecao.cbf.com.br, site do Milton Neves (por Marcos Júnior), albumdosesportes.blogspot.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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