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Os aplausos e suspiros de admiração eram percebidos em qualquer lugar do estádio. Nas arquibancadas e numeradas pairava um consenso: Pires, o franzino de pele luzidia lutaria até o apito final.

Com fôlego de sobra, o guerreiro de silhueta olímpica era a própria imagem de Olegário Tolói de Oliveira, o lendário Dudu.

José Sebastião Pires Neto, o volante Pires, nasceu na cidade de Sorocaba (SP) em 23 de fevereiro de 1956.

Com 1;68 de altura e 62 quilos, Pires venceu com facilidade os limites impostos pelas peladas de rua e pelo futebol de várzea até alcançar os quadros amadores do Esporte Clube São Bento.

Crédito: revista Placar - 18 de novembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 18 de novembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 18 de novembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 18 de novembro de 1977.

Iniciou como “ponta de lança” apresentando um futebol de muita agilidade e aplicação tática. Tais qualidades despertaram o sentimento de admiração do conterrâneo Luís Pereira – “Vou te levar para o Palmeiras guri”.

A promessa foi cumprida em 1973, quando Pires pisou pela primeira vez no Palestra Itália. Arrumou suas coisas e permaneceu morando na “república” do Palmeiras, no bairro de Pinheiros.

Alguns anos depois, Dudu chamou Pires em sua casa e ao receber o jogador notou que suas mãos estavam frias e trêmulas:

– Calma menino, ninguém vai te mandar embora do clube. Pelo contrário, vou te colocar domingo para jogar. Você não vai tremer?

Crédito: revista Placar – 2 de setembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 2 de setembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 18 de novembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 18 de novembro de 1977.

Na manhã do domingo de 9 de maio de 1976, o técnico Dudu escalou Pires para o compromisso contra o Guarani de Campinas e não se arrependeu.

Jogo complicado diante do ótimo quadro bugrino, Pires jogou uma grande partida e marcou o gol de empate na segunda etapa:

9 de maio de 1976 – Campeonato paulista – Primeiro turno – Palmeiras 2×2 Guarani – Estádio do Parque Antártica – Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschilia – Renda: Cr$ 289 690,00 – Público: 12.320 – Gols: Edu aos 25’, Mauro aos 28’ e Brecha aos 44’ do 1.° tempo e Pires aos 12’ do 2.° tempo – Cartão amarelo: Jair Gonçalves, Arouca e Flecha.

Palmeiras: Leão; Rosemiro, Arouca, Jair Gonçalves e Ricardo; Pires (Didi e Vasconcelos; Edu, Jorge Mendonça, Toninho (Itamar) e Nei. Técnico: Dudu. Guarani: Neneca; Mauro, Amaral, Nelson e Caíca; Flamarion e Brecha; Flecha, Zenon, Andre (Renato) e Ziza. Técnico: Diede Lameiro.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Pedro Rocha e Pires em “Choque Rei” disputado no Pacaembu. Crédito: revista Placar - 18 de novembro de 1977.

Pedro Rocha e Pires em “Choque Rei” disputado no Pacaembu. Crédito: revista Placar – 18 de novembro de 1977.

Passado o nervosismo da primeira partida, Pires só voltou a sentir calafrios quando a diretoria investiu 2 milhões de cruzeiros para trazer Ivo Wortmann junto ao América (RJ).

Apesar do apoio declarado de Dudu, Pires sabia que o clube não pagaria tão caro para deixar Ivo na reserva. Abatido, seu futebol caiu visivelmente de produção.

Mas, Dudu manteve sua palavra. Ivo Wortmann  ficou no banco de reservas enquanto melhorava sua condição física.

Com a chegada do técnico Telê Santana em 1979, Zé Mário retornou do empréstimo ao Santos e ao lado de Pires formou um consistente meio campo.

Campeão paulista de 1976 e vice campeão brasileiro de 1978, Pires permaneceu no Palmeiras até 1981, quando assinou com o América (RJ).

Crédito: revista Placar – 6 de outubro de 1978.

Crédito: revista Placar – 6 de outubro de 1978.

Zé Eduardo e Pires em mais um “Derby” disputado no Morumbi. Crédito: revista Placar – 1 de fevereiro de 1980.

Zé Eduardo e Pires em mais um “Derby” disputado no Morumbi. Crédito: revista Placar – 1 de fevereiro de 1980.

Ao todo, Pires realizou 295 partidas pelo Palmeiras. Foram 140 vitórias, 96 empates, 59 derrotas e 8 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

O volante jogou pelo América do técnico Edu Coimbra até o final da temporada de 1983, quando acertou suas bases financeiras com o Club de Regatas Vasco da Gama.

Pelo Vasco, Pires teve seu nome lembrado na Seleção Brasileira e viveu uma grande fase. Foram apenas duas participações pelo escrete em 1984 com um empate e uma derrota.

Os números foram publicados pelo livro “Seleção Brasileira 90 anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Ganhador da “Bola de Prata” da revista Placar em 1984, Pires fraturou a tíbia e o perônio ao disputar uma bola com o paraguaio Romerito. O clássico contra o Fluminense, disputado em 3 de setembro de 1984, terminou empatado em 0x0.

Mococa e Pires. Crédito: revista Placar – 11 de novembro de 1983.

Mococa e Pires. Crédito: revista Placar – 11 de novembro de 1983.

Mococa pelo Bangu e Pires pelo América. Crédito: revista Placar - 11 de novembro de 1983.

Mococa pelo Bangu e Pires pelo América. Crédito: revista Placar – 11 de novembro de 1983.

O sofrimento da recuperação durou exatamente um ano e seis dias. Pires só voltou aos gramados em 9 de setembro de 1985, na vitória do Vasco por 2×1 sobre o exótico selecionado de Omã no estádio de São Januário.

Vice campeão brasileiro de 1984, Pires deixou o Vasco no findar de 1985. Uma passagem marcada por esperanças e frustrações!

Depois, jogou pelo Bahia, Farense, Portimonense e Gil Vicente de Portugal, São José (SP), Nacional (SP) e Anapolina (GO). Algumas fontes mencionam ainda uma passagem pelo Ulsan Hyundai da Coréia do Sul.

Conforme publicado pelo site do Milton Neves, Pires voltou a viver ao lado da família em Sorocaba trabalhando na revelação de novos jogadores para o futebol brasileiro.

Crédito: revista Placar: 20 de janeiro de 1984.

Crédito: revista Placar: 20 de janeiro de 1984.

Crédito: revista Placar: 20 de janeiro de 1984.

Crédito: revista Placar: 20 de janeiro de 1984.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Sérgio Martins, Maurício Cardoso, Hideki Takisawa, Maria Helena Araujo, João Areosa e Tim Lopes), revista Manchete Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), albumefigurinhas.no.comunidades.net, jogadoresdopalmeiras.blogspot.com.br, netvasco.com.br, Almanaque do Palmeiras – Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Livro: Seleção Brasileira 90 anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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