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Famoso pelo hábito de oferecer rapadura aos jogadores durante os treinos, o técnico Barbatana ganhou reconhecimento após o bom trabalho realizado no Nacional de Manaus e no Goiás.

Sem o histórico de títulos importantes, Barbatana não poderia mesmo exigir um salário muito alto.

Era de um homem assim que o Atlético Mineiro precisava em 1976, já que os cofres do clube não poderiam pagar acima de 20.000 cruzeiros mensais. 

O presidente Valmir Pereira da Silva chegou ao nome de Barbatana forçado pelas circunstâncias financeiras, mas não por acaso.

Crédito: revista Placar – 3 de dezembro de 1976.

Afinal, não se poderia esquecer do trabalho de Barbatana nas categorias de base do próprio Atlético Mineiro, quando se notabilizou como um grande descobridor e lapidador de talentos.

De seu olhar clínico surgiram grandes nomes como Paulo Isidoro, Ângelo, Danival, Marcelo, Toninho Cerezo, Vantuir, Márcio, Campos, João Leite e principalmente, do centroavante Reinaldo.

Reinaldo foi descoberto no feriado de 7 de setembro de 1971, quando o juvenil do Atlético Mineiro foi até a cidade de Ponte Nova (MG) para realizar uma partida amistosa.

Durante o jogo, nas conversas com dirigentes do Pontenovense Futebol Clube, Barbatana soube da existência de um garoto muito talentoso: Você precisa ver o “Kaburé” jogando… O Tostão não chega nem aos pés dele!

Crédito: revista Placar – 3 de dezembro de 1976.

Sentindo algo de especial no ar, Barbatana teve um estalo! Imediatamente tomou o caminho da casa da família de “Kaburé”, o apelido de Reinaldo na época.

Ao chegar ficou sabendo que o garoto estava assistindo ao desfile da independência. Mesmo assim, aproveitou para conversar com os pais de Reinaldo.

Depois de algum tempo, lá estava o menino José Reinaldo de Lima espremido no fusquinha de Barbatana rumo ao sucesso em Belo Horizonte.

João Lacerda Filho, mais conhecido como Barbatana, nasceu em Ponte Nova (MG) no dia 11 de fevereiro de 1929.

Crédito: lavras24horas.com.br.

Jogando como volante, Barbatana surgiu no Esporte Clube Ana Florense de Ponte Nova (MG) em 1947. Depois, jogou pelo Metalusina Esporte Clube antes de chegar ao Clube Atlético Mineiro.

Em 1950 Barbatana integrou o grupo que foi convidado para representar o futebol brasileiro nos gramados da Europa em 1950.

Entre 1 de novembro e 7 de dezembro de 1950, o Atlético disputou 10 compromissos em 5 países (Alemanha, Áustria, Bélgica, França e Luxemburgo). Foram 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.

Os resultados do alvinegro mineiro foram surpreendentes, principalmente em função das adversidades climáticas. A excursão foi amplamente reconhecida pela imprensa e valeu o título simbólico de “Campeão do Gelo”.

Crédito: atletico.com.br.

Barbatana também jogou pelo Bangu Atlético Clube (RJ) no período compreendido entre 1951 e 1953. Foram 28 partidas com 12 vitórias, 6 empates e 10 derrotas.

Em 1953 Barbatana assinou com o Villa Nova Atlético Clube, participando da equipe que brilhantemente chegou ao vice-campeonato estadual de 1953.

Após a passagem pelo Villa Nova, Barbatana também defendeu o América Futebol Clube (MG) antes de retornar ao Atlético Mineiro e conquistar o título estadual de 1958.

Encerrou sua carreira como jogador no final da temporada de 1959, trabalhando depois como treinador nas equipes de base do próprio Atlético.

E Barbatana continuou trabalhando com a garotada do Atlético até 1973, quando os dirigentes do Nacional Futebol Clube de Manaus chegaram em Belo Horizonte buscando reforços para disputar o campeonato brasileiro.

Figurinha de Barbatana no Villa Nova. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

O Villa Nova em 1953. Partindo da esquerda: Dick, Barbatana, Anísio, Cinquenta, Símen, Vaduca, Escurinho, Roberto, Foguete, Osório e Fradeco.Crédito: ftt-futeboldetodosostempos.blogspot.com.br.

Naquela oportunidade o Atlético cedeu vários jogadores por empréstimo ao Nacional, entre eles Ângelo, Sérginho, Flávio e Toninho Cerezo, todos “criados” por Barbatana. Assim, o próprio Barbatana também acertou com o Nacional.

Conforme reportagem publicada pela revista Placar em 9 de novembro de 1973, Barbatana revelou que era o técnico mais mal pago do campeonato brasileiro recebendo apenas 6.000 cruzeiros mensais.

Barbatana armou o time do Nacional basicamente com meninos que tinham acabado de sair do juvenil – média de 20 anos de idade.

“Foi algo desafiador. A Zona Franca de Manaus provoca os instintos libertinos de qualquer rapaz”, afirmou o técnico Barbatana nas páginas da revista Placar de 3 de dezembro de 1976.

Em seguida, Barbatana comandou o Goiás Esporte Clube, onde também realizou boa campanha no campeonato brasileiro.

O quadro do Nacional comandado por Barbatana no campeonato brasileiro de 1973. Toninho Cerezo aparece em destaque.

Barbatana quando comandou o Nacional de Manaus no campeonato brasileiro. Crédito: revista Placar – 9 de novembro de 1973.

Em março de 1976 Barbatana retornou ao Atlético Mineiro para substituir Mussula depois do malogro no campeonato mineiro de 1975.

Político, caladão e inimigo de entrevistas, Barbatana conquistou brilhantemente o campeonato mineiro de 1976. No mesmo ano, o “Galo” foi muito bem no campeonato brasileiro parando apenas na semifinal diante do Internacional por 2×1 no Beira Rio.

Com a base no elenco mantida, os rapazes de Barbatana fizeram grande sucesso no campeonato brasileiro de 1977 com uma campanha notável.

Antes do jogo decisivo foram 17 vitórias e 3 empates com 10 pontos de vantagem sobre a segunda melhor campanha, o São Paulo de Rubens Minelli.

No encontro derradeiro contra o São Paulo no estádio do Mineirão, o Atlético foi derrotado na disputa de pênaltis para o São Paulo e ficou com o segundo lugar.

Crédito: revista Placar – 2 de abril de 1976.

Crédito: revista Placar – 1 de julho de 1977.

Sem desmerecer o triunfo tricolor, a derrota do Atlético Mineiro no campeonato brasileiro de 1977 foi um absurdo causado por um regulamento mal feito, responsável direto por uma das maiores injustiças da história do campeonato brasileiro.

Barbatana, que também dirigiu o Atlético nos anos de 1982 e 1991 é o terceiro treinador que mais vezes comandou o clube. Ao todo, foram 227 partidas com 143 vitórias, 56 empates e 28 derrotas.

Além do Atlético, Nacional e Goiás, Barbatana também comandou o Náutico Capibaribe, Cruzeiro, Al-Helal da Arábia Saudita e a seleção da Indonésia.

Barbatana faleceu por complicações do Mal de Alzheimer no dia 29 de junho de 2011, em Belo Horizonte.

Crédito: revista Placar – 1 de julho de 1977.

Barbatana e Nelinho na Toca da Raposa. Crédito: revista Placar – 20 de abril de 1979.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Lenivaldo Aragão, Aníbal C. Penna e Sérgio A. Carvalho), campeoesdofutebol.com.br, mg.superesportes.com.br, lavras24horas.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, bangu.net, atletico.com.br, ftt-futeboldetodosostempos.blogspot.com.br, site do Milton Neves.

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