Tags

, , , ,

Famoso pelo hábito de oferecer rapadura aos jogadores durante os treinos, o técnico Barbatana ganhou reconhecimento após o bom trabalho realizado no Nacional de Manaus e no Goiás.

Sem o histórico de conquista de títulos importantes, Barbatana não poderia mesmo exigir um salário muito alto.

Era de um homem assim que o Atlético Mineiro precisava em 1976, já que os cofres do clube não poderiam pagar acima de 20.000 cruzeiros mensais. 

O presidente Valmir Pereira da Silva chegou ao nome de Barbatana forçado pelas circunstâncias financeiras, mas não por acaso.

Afinal, não se poderia esquecer do trabalho de Barbatana nas categorias de base do próprio Atlético Mineiro, quando o treinador ganhou reconhecimento como um grande descobridor e lapidador de talentos.

Barbatana quando jogou pelo Metalusina Sport Club. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 51 – 1955.

Crédito: atletico.com.br.

João Lacerda Filho, mais conhecido como Barbatana, nasceu na cidade de Ponte Nova (MG), em 11 de fevereiro de 1929.

Jogando como médio-volante, Barbatana apareceu em 1947, no Esporte Clube Ana Florense de Ponte Nova (MG). Depois jogou pelo Metalusina Sport Club de Barão de Cocais (MG), até ser encaminhado ao Clube Atlético Mineiro em 1950.

O apelido “Barbatana” ganhou força na época das peladas em Ponte Nova. Alto, magro e um tanto desajeitado, os companheiros diziam que suas pernas longas pareciam com varetas e barbatanas de um guarda-chuva.

Em 1950 fez parte do grupo atleticano convidado para representar o futebol brasileiro nos gramados da Europa em 1950.

Entre 1 de novembro e 7 de dezembro de 1950, o Atlético disputou 10 compromissos em 5 países (Alemanha, Áustria, Bélgica, França e Luxemburgo). Foram 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.

Crédito: lavras24horas.com.br.

Os resultados do alvinegro mineiro na Europa foram surpreendentes, principalmente em função das adversidades climáticas. A excursão foi amplamente reconhecida pela imprensa e valeu o título simbólico de “Campeão do Gelo”.

Barbatana também jogou pelo Bangu Atlético Clube (RJ) no período compreendido entre 1951 e 1953. Ao todo foram 28 partidas com 12 vitórias, 6 empates e 10 derrotas.

Em 1953 assinou compromisso com o Villa Nova Atlético Clube, participando da equipe que realizou boa campanha no campeonato mineiro de 1953.

Após passar pelo Villa Nova, Barbatana também defendeu o América Futebol Clube (MG), antes de retornar ao Atlético e conquistar o título mineiro de 1958.

Encerrou a carreira como jogador no findar da temporada de 1959, trabalhando depois como treinador nas categorias amadoras do próprio Atlético Mineiro.

Figurinha de Barbatana no Villa Nova. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

O Villa Nova em 1953. Partindo da esquerda; Dick, Barbatana, Anísio, Cinquenta, Símen, Vaduca, Escurinho, Roberto, Foguete, Osório e Fradeco. Crédito: ftt-futeboldetodosostempos.blogspot.com.br.

De seu olhar clínico surgiram grandes nomes como Ângelo, Campos, Danival, João Leite, Marcelo, Márcio, Paulo Isidoro, Toninho Cerezo, Vantuir e principalmente o centroavante Reinaldo.

Reinaldo foi descoberto no feriado de 7 de setembro de 1971, quando o juvenil do Atlético Mineiro foi até Ponte Nova (MG) para fazer um amistoso.

Durante o jogo, nas conversas com dirigentes do Pontenovense Futebol Clube, Barbatana soube da existência de um garoto muito talentoso: “Você precisa ver o garoto jogando, o Tostão não chega aos pés dele”.

Sentindo algo de especial no ar, Barbatana teve um estalo. Imediatamente tomou o caminho da casa da família de “Kaburé”, o apelido de Reinaldo na época.

Ao chegar ficou sabendo que o garoto estava assistindo o desfile da independência. Mesmo assim, aproveitou para conversar com os pais de Reinaldo. Depois de algum tempo lá estava Reinaldo, espremido no fusquinha de Barbatana rumo ao sucesso em Belo Horizonte.

Barbatana quando comandou o Nacional de Manaus no campeonato brasileiro. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 9 de novembro de 1973.

O quadro do Nacional comandado por Barbatana no campeonato brasileiro de 1973. Toninho Cerezo aparece em destaque. Crédito: revista Placar.

E Barbatana trabalhou com a garotada do Atlético até 1973, quando os dirigentes do Nacional Futebol Clube de Manaus chegaram em Belo Horizonte buscando reforços para disputar o campeonato brasileiro.

Naquela oportunidade o Atlético cedeu vários jogadores por empréstimo ao Nacional, entre eles Ângelo, Sérginho, Flávio e Toninho Cerezo, todos “criados” por Barbatana. Assim, o próprio Barbatana também acertou com o Nacional.

Conforme reportagem publicada pela revista Placar em 9 de novembro de 1973, Barbatana revelou que era o técnico mais mal pago do campeonato brasileiro recebendo apenas 6.000 cruzeiros mensais.

Barbatana armou o time do Nacional basicamente com meninos que tinham acabado de sair do juvenil com uma média de 20 anos de idade.

“Foi algo desafiador. A Zona Franca de Manaus provoca os instintos libertinos de qualquer rapaz”, afirmou o técnico Barbatana nas páginas da revista Placar de 3 de dezembro de 1976.

Crédito: revista Placar.

Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 2 de abril de 1976.

Em seguida, Barbatana comandou o Goiás Esporte Clube, onde também realizou boa campanha no campeonato brasileiro.

Em março de 1976 Barbatana retornou ao Atlético Mineiro para substituir Mussula após o malogro do time no campeonato mineiro de 1975.

Político, caladão e inimigo de entrevistas, Barbatana conquistou brilhantemente o campeonato mineiro de 1976. No mesmo ano, o “Galo” foi muito bem no campeonato brasileiro, parando apenas na semifinal diante do Internacional por 2×1 no Beira Rio.

Com boa parte do elenco mantida, os rapazes de Barbatana fizeram grande sucesso no campeonato brasileiro de 1977, realmente uma campanha notável.

Antes do jogo decisivo foram 17 vitórias e 3 empates com 10 pontos de vantagem sobre a segunda melhor campanha, o São Paulo de Rubens Minelli.

Crédito: revista Placar – 3 de dezembro de 1976.

Foto de Luís Paulo Machado. Crédito: revista Placar – 3 de dezembro de 1976.

No confronto derradeiro contra o São Paulo no Mineirão, o Atlético foi derrotado na disputa de penalidades para o São Paulo e ficou com o segundo lugar.

Sem desmerecer o triunfo tricolor, a derrota do Atlético em 1977 foi um absurdo causado por um regulamento mal feito, o responsável direto por uma das maiores injustiças da história do futebol brasileiro.

Barbatana, que também orientou o Atlético em 1982 e 1991 é o terceiro treinador que mais vezes comandou o “Galo”. Ao todo, foram 227 partidas com 143 vitórias, 56 empates e 28 derrotas.

Além do Atlético Mineiro, Nacional (AM) e Goiás (GO), Barbatana também comandou o Náutico Capibaribe (PE), Cruzeiro (MG), Al-Helal da Arábia Saudita e o selecionado da Indonésia.

João Lacerda Filho faleceu por complicações do Mal de Alzheimer no dia 29 de junho de 2011, em Belo Horizonte.

Crédito: revista Placar – 1 de julho de 1977.

Barbatana e Nelinho na Toca da Raposa. Foto de Auremar de Castro. Crédito: revista Placar – 20 de abril de 1979.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Aníbal C. Penna, Auremar de Castro, Carlos Maranhão, Célio Apolinário, Lenivaldo Aragão, Luís Paulo Machado, Manoel Motta e Sérgio A. Carvalho), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Francisco Antunes e Rodolfo Rocha), atletico.com.br, bangu.net, campeoesdofutebol.com.br, ftt-futeboldetodosostempos.blogspot.com.br, lavras24horas.com.br, mg.superesportes.com.br, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Anúncios