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Quando todos esperavam muito mais da Ponte Preta em 1978, o Guarani surpreendeu o Brasil. Muito longe das confetes que envolviam os nomes de Oscar e Polozzi, Gomes e Édson trabalharam quietinhos e voaram muito mais alto.

Companheiros de zaga na grande façanha bugrina de 1978, Gomes e Édson não tiveram vida fácil em seus primeiros tempos no Brinco de Ouro.

Édson Alves de Oliveira chegou primeiro, em 1975, contratado junto ao São Bento de Sorocaba. Gomes só apareceu no Guarani em 1977, depois de passar pelo Saad.

Édson Gomes Bonifácio, o Gomes, também conhecido pelo apelido de “Nega”, nasceu em Vitória (ES) em 9 de setembro de 1956.

Gomes iniciou sua carreira em 1975 no Saad Esporte Clube de São Caetano do Sul, até ser contratado pelo Guarani em 1977.

Gomes e Édson. Crédito: revista Placar – 24 de novembro de 1978.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Naqueles tempos, o Guarani contava com Amaral, Nélson, Joãozinho e Estevão Soares, que no findar de 1976 entrou em um desses joguinhos festivos de final de ano e fraturou a perna.

E o destino desenhou outros caminhos: Amaral foi para o Corinthians, Nélson para o Flamengo, Joãozinho para o Santos e Estevão para o XV de Jaú.

Quando o recém empossado presidente Ricardo Chuffii assumiu o clube em 1978, os cofres não permitiam grandes aventuras.

O escolhido para comandar o time foi Carlos Alberto Silva, que ganhou destaque no trabalho desenvolvido na Caldense (MG). Também chegaram o veterano meio campista Zé Carlos e o zagueiro Silveira.

A dupla Gomes e Édson (ao fundo) em partida contra o Palmeiras. Crédito: revista Manchete Esportiva número 79.

Em pé: Neneca, Édson, Mauro, Gomes, Miranda e Zé Carlos. Agachados: Capitão, Renato, Careca, Manguinha e Bozó.

Nos primeiros amistosos de preparação para a temporada, Gomes e Édson até que foram bem, principalmente na vitória de 3×2 contra o Santos e no empate em 2×2 contra a Portuguesa de Desportos.

Até que chegou o dia 26 de março, o primeiro compromisso do Guarani no campeonato brasileiro diante do Vasco no estádio Brinco de Ouro.

Naquela tarde de Páscoa, Roberto Dinamite jogou como quis e entregou três ovos de chocolate amargo nas malhas do goleiro Neneca. O Vasco liquidou o jogo no primeiro tempo e venceu por 3×1.

No dia seguinte, os jornais castigaram o fraco desempenho do sistema defensivo do time de Carlos Alberto Silva. Bem diferente dos rivais campineiros, que bem servidos contavam com Oscar e Polozzi.

Depois, o Guarani venceu o Bahia por 2×1, também em casa. Foi o início da sensacional arrancada que valeu o título inédito de campeão brasileiro de 1978.

Crédito: revista Placar – 24 de novembro de 1978.

O Guarani passou fácil pelo Alianza do Peru por 3×0 em partida da Libertadores disputada em Lima. Crédito: revista Placar – 9 de março de 1979.

A conquista do Bugre foi incontestável e consagrou uma campanha quase impecável: 32 jogos, 20 vitórias, 8 empates e 4 derrotas. Abaixo, os dados da “volta por cima” do Guarani sobre o Vasco da Gama pelo campeonato brasileiro de 1978:

6 de agosto de 1978 – Campeonato Brasileiro – Semifinal – Vasco da Gama 1×2 Guarani – Estádio do Maracanã – Árbitro: Maurílio José Santiago (MG) – Renda: Cr$ 4.176.615,00 – Público: 101.541 – Gols: Zenon aos 7’ do primeiro tempo, Zenon aos 22’ e Dirceu aos 36’ do segundo tempo.

Vasco da Gama: Mazzaropi; Orlando, Geraldo, Gaúcho e Marco Antônio; Helinho, Paulinho (Ramón) e Zanata (Wilsinho); Guina, Roberto Dinamite e Dirceu. Técnico: Orlando Fantoni. Guarani: Neneca; Alexandre, Gomes, Mauro e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Careca (Adriano) e Bozó (Macedo). Técnico: Carlos Alberto Silva.

Gomes em mais um “Derby” campineiro. Crédito: revista Placar – 24 de agosto de 1979.

Gomes, Wladimir e Paulinho. Crédito: revista Placar –  5 de março de 1982.

Gomes disputou ainda a Libertadores da América pelo Guarani antes de ser transferido para o Sport Club Corinthians Paulista em 1980.

Nesse mesmo período esteve emprestado ao Criciúma (SC). Retornou em seguida ao Corinthians participando do elenco campeão paulista de 1982.

Conforme registros publicados pelo Almanaque do Corinthians, de Celso Dario Unzelte, Gomes disputou 71 partidas obtendo 36 vitórias, 24 empates, 11 derrotas e 1 gol marcado.

Em 1983 reencontrou o técnico Carlos Alberto Silva no Santa Cruz (PE) e juntos conquistaram o título estadual. No ano seguinte acertou com o Coritiba Foot Ball Club para disputar o campeonato paranaense.

Gomes, Paulinho e Wladimir. Crédito: revista Placar 24 de setembro de 1982.

Partindo da esquerda; Paulinho, Zenon, Ataliba e Gomes. Crédito: revista Placar – 19 de novembro de 1982.

Em má fase foi emprestado ao Sport Club do Recife e só retornou ao “Coxa” em 1985 para cumprir o contrato. Mas Gomes cresceu de produção e conquistou um lugar no time que faturou o título brasileiro de 1985.

Homem de confiança do técnico Ênio Andrade, Gomes foi o autor do gol do título na cobrança de penalidades diante do Bangu no Maracanã.

Gomes também jogou pelo Santos, Goiás, Bragantino e Uberlândia. Algumas fontes mencionam também uma rápida passagem pelo XV de Piracicaba.

Conforme publicado no site do Milton Neves, Gomes trabalhou como auxiliar técnico do Guarani até 2006. Atualmente, Gomes mora em Campinas e trabalha como representante comercial.

Partindo da esquerda; Almir, Lela, Gomes e Rafael. Crédito: revista Placar – 13 de setembro de 1985.

O Coritiba campeão brasileiro de 1985. Em pé: Gomes, Heraldo, Almir, Rafael, André e Dida. Agachados: Lela, Marildo, Índio, Toby e Édson. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Maurício Cardoso, João Areosa, Lemyr Martins, Sérgio Martins e Jorge Kajuru), revista Manchete Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), guaranifc.com.br, jogosdoguarani.com, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, Livro: Guarani Breve História – Moisés Cunha, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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