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Avesso das formalidades, o técnico do Botafogo Sebastião Leônidas fazia o tipo anti-chefe. Mas todos respeitavam sua liderança pacífica baseada no companheirismo e na amizade.

– O Ademir veio me chamar de seu Leônidas. Estrilei na hora. Tire o “seu” antes do meu nome. Você pode até me chamar de Sebastião Leônidas, nada mais. 

Sebastião Leônidas, que fez grande sucesso no Botafogo como jogador e treinador, nasceu em 6 de abril de 1938 na cidade de Jerônimo Monteiro (ES). *Algumas fontes registram seu nascimento na cidade de Vitória (ES).

Aluno do colégio João Pinheiro, o jovem Leônidas aprendeu seu primeiro ofício e trabalhou como padeiro no próprio estabelecimento de ensino. 

Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1973.

Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1973.

Em 1954 foi encaminhado ao América mineiro para treinar e topou de cara com o grandalhão Dorival Knippel, o Yustrich. Depois do treino, Yustrich olhou Leônidas de cima em baixo e disse aos seus auxiliares: 

– Separa esse becão comprido. Gostei dele! Vai treinar amanhã junto com os “cobras”. 

A decisão de Yustrich mudou a rotina então pacata da vida de Leônidas. Treinou bem e foi contratado. Improvisado com ponta de lança, o ex-padeiro fez parte do elenco campeão mineiro de 1957. 

Em 1960 Leônidas tomou conhecimento que trocou de América e também de cidade.

O futebol é assim mesmo meu caro. Hoje você está em um clube e amanhã pode estar em outro, mesmo que o nome desse clube seja exatamente igual. Disse o representante do clube carioca enquanto tratava dos últimos detalhes da transferência.

Crédito: revista do Esporte número 299 – 28 de novembro de 1964.

Crédito: revista do Esporte número 49 – 13 de Fevereiro de 1960.

Inicialmente considerado um jogador lento pela imprensa esportiva carioca, Leônidas se firmou como um quarto zagueiro de bom posicionamento dentro da grande área.

Integrante do elenco do América campeão carioca de 1960, Leônidas se mostrava humilde em suas pretensões quanto ao escrete. Em entrevista concedida ao repórter Tarlis Batista da revista do Esporte, Leônidas afirmou:

– Não preciso correr como um louco. Preciso apenas me antecipar ao movimento da bola e nada mais… Nem penso em Seleção Brasileira. Sei que ainda não tenho tarimba suficiente para vestir a camisa amarelinha.

Contratado pelo Botafogo de Futebol e Regatas em 1966, Leônidas esteve na Seleção Brasileira que venceu o País de Gales por 1×0 em 18 de maio de 1966, no Estádio do Mineirão.

Altair e Sebastião Leônidas no gramado do Maracanã. Crédito: revista do Esporte número 363.

Sebastião Leônidas ainda defendeu o escrete em mais duas oportunidades: 19 de setembro de 1967; Brasil 1×0 Chile e 7 de agosto de 1968; Brasil 4×1 Argentina.

Os registros foram publicados pelo Livro “Seleção Brasileira 90 Anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

O triunfo sobre os argentinos teve um sabor especial. Naquele dia o manto amarelinho foi defendido praticamente pelo time inteiro do Botafogo, com exceção do goleiro Felix do Fluminense e de Brito e Nado do Vasco da Gama.

O Brasil, ou melhor, o “Selefogo”, goleou pelo placar de 4×1, com gols de Valtencir, Roberto Miranda e Jairzinho (2).

Alfio Basile descontou para os argentinos, que saíram atordoados com o “Show de Bola” que levaram dos comandados de Mário Jorge Lobo Zagallo.

A Seleção Brasileira que venceu o País de Gales por 1×0 no Mineirão. Em pé: Murilo, Fábio, Djalma Dias, Édson Cegonha, Sebastião Leônidas e Dudu. Agachados: Pai Santana (massagista), Jairzinho, Célio, Tostão, Lima e Ivair.

Agosto de 1968 – Brasil 4×1 Argentina. Em pé: Moreira, Felix, Brito, Leônidas, Carlos Roberto e Valtencir. Agachados: Nado, Gerson, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo Cesar. Crédito: movimentocarlitorocha.com.br.

Bicampeão carioca e da Taça Guanabara no biênio 1967 e 1968, Leônidas também foi campeão da Taça Brasil em 1968.

Com o nome cogitado para defender o Brasil no mundial do México, Leônidas sofreu uma séria contusão e disse adeus ao sonho de disputar uma Copa do Mundo.

Leônidas se aposentou dos gramados em 1971. Trabalhou em seguida como funcionário de carteira assinada no mesmo Botafogo.

Depois de desenvolver um bom trabalho nas categorias amadoras do clube, Leônidas assumiu o quadro principal do Botafogo pela primeira vez em 1972, quando chegou ao vice-campeonato na competição.

Mas o resultado que ficou marcado naquela campanha aconteceu no dia 15 de novembro de 1972, dia de feriado nacional e de comemoração do aniversário do time da Gávea.

O Botafogo no Maracanã. Em pé: Moreira, Ubirajara, Zé Carlos, Leônidas, Valtencir e Carlos Roberto. Agachados: Zequinha, Afonsinho, Roberto Miranda, Ferretti e Torino. Crédito: revista do Esporte.

Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 27 de julho de 1973.

Naquele feriado da Proclamação da República, o Botafogo aplicou uma impiedosa e histórica goleada por 6×0 no Flamengo. Depois do jogo, o técnico Leônidas se mostrava bastante surpreso com o elástico resultado:

– Chegamos ao Maracanã para vencer, mas ninguém esperava um resultado desses… Ganhar do Flamengo é como calar uma cidade inteira…

Leônidas deixou o comando do Botafogo depois da eliminação na Libertadores da América e pelos resultados considerados abaixo do esperado no campeonato carioca.

Trabalhou também no Galícia (BA), Ceará (CE), Rio Branco (ES), ABC (RN), América (RN), Friburguense (RJ) e Volta Redonda (RJ).

Novamente pelo Botafogo, Leônidas comandou o time em 1977 (Campeão do Torneio Início do campeonato carioca) e em 1983. Atualmente, Sebastião Leônidas reside no Rio de Janeiro. 

Crédito: revista Placar – 27 de julho de 1973.

Sebastião Leônidas: Como técnico ou como jogador, ganhar do Flamengo é como calar uma cidade. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fausto Neto, Fernando Pimentel, Hideki Takizawa e Raul Quadros), revista do Esporte (por Tarlis Batista), revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal do Brasil, Jornal O Globo, Jornal dos Sports, movimentocarlitorocha.com.br, campeoesdofutebol.com.br, jogosdaselecaobrasileira.wordpress.com, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), Livro: Seleção Brasileira 90 Anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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