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O descendente de espanhóis Humberto Torgado de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro em 16 de abril de 1935.

Iniciou sua carreira nas categorias amadoras do Clube de Regatas do Flamengo em 1952. Passou depois pelo Bonsucesso e esteve no futebol paulista por um curto período defendendo o Palmeiras em 1958.

Em sua passagem pelo alviverde, Humberto disputou apenas 3 compromissos, obtendo 2 vitórias, 1 derrota e 5 gols sofridos. Os números fazem parte do Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

De volta ao Rio de Janeiro, jogou pelo Vasco da Gama entre os anos de 1959 e 1965. Posteriormente, também defendeu o Fluminense e o São Cristóvão.

Precavido, Humberto não se limitava ao dinheiro ganho no futebol. Trabalhava também como inspetor de alunos no Colégio Pedro II.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 227.

Com o registro de funcionário público, Humberto era impedido de assinar um contrato profissional nas equipes por onde passou.

Por essa razão foi premiado na categoria “Ouro” do Prêmio Belfort Duarte em outubro de 1966, quando defendia o Fluminense.

Colecionador de flâmulas esportivas e miniaturas, Humberto era descrito por seus companheiros como um sujeito detalhista. Mantinha o hábito de anotar tudo o que vivia e percebia dentro do mundo do futebol.

Tal prática o favoreceu mais tarde, quando trabalhou nos bastidores da bola. Humberto também é lembrado por sua luta pelos direitos da classe.

No mês de fevereiro de 1962, a edição número 152 da revista do Esporte ofereceu aos leitores uma reportagem sobre as importantes contribuições de Humberto junto ao sindicato dos jogadores profissionais.

Crédito: revista do Esporte número 152 – Fevereiro de 1962.

Naquela oportunidade, o goleiro do Vasco não teve medo da reação dos “cartolas” e disparou: “É das piores a organização do futebol brasileiro e principalmente do futebol carioca”.

“SINDICATO DOS JOGADORES SOFRE PRESSÃO EXTERNA”. A denúncia de Humberto Torgado foi divulgada em uma época onde grande parte dos jogadores não se atrevia ao questionamento sobre a conduta de dirigentes, árbitros ou integrantes das federações.

Estudioso dos direitos dos atletas profissionais, Humberto defendia a criação de um Tribunal Especial para os membros da arbitragem. Mas suas preocupações não se limitavam aos times da primeira divisão.

Humberto julgava providencial a instalação de uma “Lei de Acesso”, algo que realmente fosse respeitado pelos clubes e pelas federações em todo o Brasil.

Para Humberto, a “Lei de Acesso” tornaria os campeonatos mais justos e disputados, além de uma melhor qualificação das equipes consideradas pequenas ou intermediárias.

Os goleiros Ita e Humberto em São Januário. Crédito: revista do Esporte número 260 – 1964.

Em pé: Humberto, Paulinho, Brito, Nivaldo, Barbosinha e Dario. Agachados: Sabará, Vevé, Saulzinho, Lorico e Tiriça. Crédito: revista do Esporte número 199.

Além dessas medidas, Humberto também se preocupava com o bem estar de seus companheiros: “Jogador não é máquina”.

Humberto condenava o horário dos jogos no verão e mantinha sua indignação com referência aos métodos adotados no Departamento Médico dos clubes.

Não eram poucos os casos de jogadores que recebiam medicações consideradas arriscadas para uma recuperação mais rápida.

Paralelamente, alguns companheiros relatavam também que eram obrigados a jogar sem reunir o mínimo de condições físicas, o que favorecia o aparecimento de contusões.

Outro ponto observado por Humberto eram os insultos morais proferidos pelos torcedores nos estádios, além das matérias jornalísticas que atentavam diretamente contra a moral dos jogadores de futebol.

Crédito: site do Milton Neves.

Por isso, Humberto trabalhava para o fortalecimento da categoria, o que só poderia acontecer com uma participação mais efetiva dos atletas no sindicato.

Formado em Educação Física com certificação em Nutrição Desportiva, Humberto trabalhou como Supervisor Técnico no Vasco e participou da conquista do título carioca de 1970.

Humberto também se formou em Administração de Empresas. Conforme publicado no site do Milton Neves, Humberto reside atualmente em Vassouras (RJ), onde tem uma imobiliária.

55 anos depois da publicação da reportagem de Humberto na revista do Esporte, o mundo do futebol mudou bastante, mas não o suficiente. Os jogadores ainda são castigados pelos horários e pelo calendário e os árbitros continuam amadores.

Humberto no São Cristóvão. Crédito: revista do Esporte.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Michel Laurence), revista do Esporte, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, kikedabola.blogspot.com.br, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, site do Milton Neves.

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