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No início dos anos setenta o América Futebol Clube de Natal foi fazer um amistoso na cidade de Macaíba (RN). Naquele dia, um jovem chamado Djalma entrou na segunda etapa e encheu os olhos dos dirigentes do time potiguar.

Depois do jogo, Djalma foi convidado para treinar em Natal e por lá ficou. Passou pelas categorias amadoras e pouco depois encontrou seu lugar no time principal.

Começava assim a carreira de sucesso e muitos títulos do jovem zagueiro de 1;72 de altura: Campeão potiguar de 1974, tricampeão da Taça Cidade de Natal em 1972, 1973 e 1974 e campeão da Taça Almir, uma competição promovida pela revista Placar.

Djalma Linhares de Araújo, que ganhou destaque com as camisas do Sport Recife e do Corinthians, nasceu na cidade de Macaíba (RN), em 21 de junho de 1954.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Formação do América de Natal nos anos setenta. Em pé: Otávio, Ivan, Mario Braga, Edinho, Djalma e Cosme. Agachados: Macarrão, Jangada, Santa Cruz, Elcio, Garcia e Gilson Porto. Crédito: página pessoal de Djalma no Facebook.

Depois da boa temporada no América, Djalma foi surpreendido com a notícia de sua transferência para o Sport Club do Recife.

Djalma, que por uma indicação de Sebastião Leônidas já tinha sido sondado pelo Botafogo de Futebol e Regatas, não imaginava que sua vida mudaria tão radicalmente.

Quarto-zagueiro de origem, Djalma apresentava bons recursos na distribuição de bola, no senso de cobertura e na antecipação das jogadas.

Por 300.000 cruzeiros, Djalma deixou Natal e embarcou para os encantos da “Veneza Brasileira”. Com menos de três anos como profissional, o jovem zagueiro ainda não tinha direito aos 15% na transação.

Djalma no Sport. Crédito: revista Placar – 30 de abril de 1976.

O Sport Recife em 1977. Em pé: Gilberto, Djalma, Nelsinho, Cacau, Cardoso e Assis. Agachados: Hamilton Rocha, Assis Paraíba, Totonho, Pitta e Darci. Crédito: anotandofutbol.blogspot.com.br.

Mesmo sem direito aos 15% de praxe, o contrato com o Sport Recife foi considerado muito bom: 40.000 cruzeiros de luvas e 5.000 cruzeiros mensais.

De início, Djalma andou revezando com Alberto, um paulista que acabou sendo negociado com o mesmo América de Natal juntamente com Garcia e Jangada, que não tiveram sorte no futebol pernambucano e voltaram para Natal.

Com a chegada da dupla de área do Fluminense, Silveira e Assis, a permanência de Djalma na equipe titular do Sport parecia ameaçada. Mas Silveira chegou ao Sport machucado e logo depois Assis também se machucou.

Djalma continuou no time e depois de algumas partidas o técnico Mário Travaglini o colocou na posição de volante, lugar onde Djalma se saiu muito bem. No “Leão da Ilha”, Djalma conquistou os títulos estaduais de 1975 e 1977.

Crédito: revista Placar – 30 de abril de 1976.

Em 1978 seu passe foi negociado com o Sport Club Corinthians Paulista por 1, 7 milhão de cruzeiros. Um bom jogador por um bom preço!

O zagueiro chegou ao alvinegro conhecedor de sua condição no banco de reservas. Em seus primeiros meses na cidade de São Paulo, Djalma dividiu um apartamento com o meio campista Biro Biro.

Importante no esquema e nas necessidades do técnico José Teixeira, Djalma também foi aproveitado como médio volante no lugar do uruguaio Martín Taborda.

Campeão paulista de 1979, Djalma permaneceu no Parque São Jorge até 1981. Com uma espécie de “disputa pernambucana” pelo passe de Djalma, o presidente Vicente Matheus logo tratou de tirar proveito do negócio.

Crédito: revista Placar – 16 de fevereiro de 1979.

Crédito: revista Placar – 16 de fevereiro de 1979.

Apesar do interesse do Sport Recife, que na oportunidade ofereceu 3 milhões de cruzeiros para contar com Djalma novamente, Vicente Matheus achou pouco e não chegou ao acordo financeiro com o Rubro Negro do Recife.

Em matéria da revista Placar, publicada em 3 de abril de 1981, o presidente do alvinegro calculou em 200% os índices de inflação para corrigir o valor do passe de Djalma:

– Paguei quase 2 milhões pelo passe desse jogador. Não posso vender por 3 milhões dois anos depois… Sabe como é… O dinheiro é dos associados do clube!

E Djalma prontamente questionou os cálculos feitos por Vicente Matheus:

– Essa maquininha de calcular do seu Matheus só anda para frente nessas horas. Falei com o presidente tempos atrás para renovar o contrato e ele me disse que a tal da inflação não passou dos 80%.   

Crédito: revista Placar – 27 de abril de 1979.

No feriado de 7 de setembro de 1980, o Corinthians bateu o Palmeiras por 2×1 no Morumbi. Os 2 gols do alvinegro foram marcados por Sócrates e Freitas marcou para o Palmeiras. Em pé: Zé Maria, Mauro, Solitinho, Djalma, Caçapava e Wladimir. Agachados: Vaguinho, Sócrates, Geraldão, Vágner Basílio e Wilsinho.

Depois de 91 participações com a camisa do Corinthians, Djalma acabou negociado com o Santa Cruz Futebol Clube, onde foi campeão pernambucano de 1983.

Transferido depois para o Ceará Sporting Club , Djalma conquistou mais dois títulos estaduais, nas edições de 1984 e 1986.

Em seguida, continuou sua coleção particular de “faixas de campeão” faturando o caneco de 1988 pelo Ferroviário Atlético Clube, o seu último clube.

Como treinador, Djalma trabalhou no próprio Ferroviário e depois passou por várias agremiações do futebol nordestino.

Conforme publicado pelo site do Milton Neves, atualmente Djalma reside na cidade de Recife e sempre que pode visita sua terra natal.

Partindo da esquerda; Píter (camisa 15), o técnico Jorge Vieira, o goleiro Solito e Djalma. Crédito: revista Placar – 15 de fevereiro de 1980.

Djalma perdeu o cabelo dos tempos de Corinthians, mas levou sua importante experiência ao Ceará. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Sérgio Martins, Rosaldo Aguiar e Lenivaldo Aragão), revista Manchete Esportiva, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), página pessoal de Djalma no Facebook, scratchcorinthiano.blogspot.com.br, anotandofutbol.blogspot.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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