Tags

, , , ,

Final de tarde em dezembro de 1976. O Diretor de Futebol Paulo Koff falava com Iura sobre os detalhes de sua transferência para a Portuguesa de Desportos.

Foi quando Nélson Olmedo e Telê Santana entraram na sala para continuar o planejamento da próxima temporada. Nélson Olmedo seria o próximo Diretor de Futebol enquanto que Telê iniciava sua importante caminhada no Olímpico.

Papo vai e papo vem, Olmedo e Telê tomaram conhecimento que Iura poderia deixar o Grêmio nas próximas horas:

– Epa… Eu e o Telê estávamos falando justamente sobre o Iura. O jogador faz parte dos planos para o ano que vem. Ligue para São Paulo e peça desculpas aos diretores da Portuguesa, pois o Iura não vai sair daqui.

Crédito: revista Placar – 7 de novembro de 1975.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Julio Titow nasceu na cidade de Porto Alegre (RS) em 4 de novembro de 1952. Filho de imigrantes russos, o guri era chamado no ambiente doméstico como Iura.

Conhecido pelos amiguinhos como “Caroço” em razão do frágil porte físico, Iura foi criado no bairro do Jardim Floresta, na Zona Norte de Porto Alegre.

Na juventude, Iura era torcedor do Grêmio e dividia seu tempo entre o trabalho com próteses dentárias e o prazer de jogar pelo Esportivo Itapeva, onde também recebia um pequeno ordenado.

Descoberto por Abílio Reis, que não se deixou levar pela aparência franzina de seus 57 quilos, Iura foi encaminhado ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense com a promessa de receber um trabalho específico em sua musculatura.

Crédito: revista Placar – 29 de julho de 1977.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Iura permaneceu nas categorias amadoras do Grêmio por alguns meses. Quando ultrapassou o limite de idade permitido no quadro juvenil foi emprestado ao CEUB de Brasília.

Mas o meio campista de bigodinho e cabelos escorridos voltou ao Grêmio bem recomendado. Foi integrado no elenco de profissionais, mas poucas oportunidades recebia.

Os anos passaram, os treinadores também. Entre tantos comandantes, Daltro Menezes, Sérgio Moacir, Ênio Andrade e Paulo Lumumba… E Iura continuava sua luta para se firmar no time.

Jogador de muita intensidade, Iura não se importava em errar mais do que acertar, o que não era muito bem aceito pelos sofridos torcedores do Grêmio naquele período dominado pelo Internacional. Uma coisa era certa; Iura não desistia nunca!

Crédito: revista Placar – 29 de julho de 1977.

Crédito: revista Placar – 29 de julho de 1977.

E era nos duelos contra o Inter que Iura aumentava seu cartaz com a galera. Não importava se o enfrentamento era contra o forte Caçapava ou contra o futebol elegante de Falcão. Iura sempre saia ileso e de cabeça erguida!

Ao mesmo tempo, os boatos corriam sobre noitadas e o envolvimento de Iura em brigas no bar do Minuano. Mas Iura seguia em frente e sempre provou o contrário dos exageros desmedidos e difundidos pela imprensa.

Quando Telê Santana chegou o rumo das coisas mudaram. Telê enxergou no fôlego e determinação de Iura um pouco do próprio passado como jogador do Fluminense.

Sob o comando de Telê, Iura ganhou importância e definitivamente encontrou o seu lugar. Combatente incansável da meia cancha gremista, Iura nunca acreditou em “bola perdida”.

Crédito: revista Placar – 29 de julho de 1977.

E 1977 foi o ano mais produtivo de Iura. Na vitória gremista por 2×1 em 14 de agosto no estádio Olímpico, Iura marcou aos 14 segundos o gol mais rápido da longa história do “Grenal”.

Abaixo, os dados do marcante “Grenal” que colocou Iura nos livros de história do imortal clássico gaúcho:

14 de agosto de 1977 – Campeonato gaúcho segundo turno – Grêmio 2×1 Internacional – Estádio Olímpico – Gols: Iura, aos 14 segundos do primeiro tempo; Tarciso aos 3’ e Hermínio aos 8’ do segundo tempo.

Grêmio: Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho; Vítor Hugo, Tadeu Ricci e Iura (Zequinha); Tarciso, André Catimba e Éder Aleixo. Técnico: Telê Santana. Internacional: Manga; Hermínio, Beliato, Gardel e Vacaria; Caçapava (Escurinho), Batista e Falcão; Valdomiro, Luisinho e Lula (Dario). Técnico: Sérgio Moacir.

Crédito: zh.clicrbs.com.br.

Iura marca o gol mais rápido da história do “Grenal”. Crédito: gremio.net.

No “Grenal” derradeiro de 1977, foi Iura que arrancou para servir André Catimba, que com o “biquinho” do pé direito marcou o gol solitário que decidiu o título em favor do Grêmio.

Genioso e temperamental, por falar demais o meio-campista era conhecido entre os dirigentes do Grêmio como “Bocão”. Já o radialista Milton Jung o apelidou de “Passarinho”.

Integrante do elenco campeão gaúcho de 1979, Iura recebeu uma proposta do Criciúma Esporte Clube no primeiro semestre de 1980.

Em processo de recuperação nos problemas em seu joelho, Iura assinou com o clube catarinense graças ao apoio financeiro dos empresários da cidade.

Crédito: revista Placar – 27 de janeiro de 1978.

Crédito: revista Placar – 1 de dezembro de 1978.

Em 1980 Iura tomou um susto quando o presidente do Criciúma, Antenor Angeloni, o comunicou do sucesso em sua negociação junto ao Sport Club Internacional.

Pressionado pelo presidente do Criciúma, Iura até tentou tocar o processo em frente. Mas desistiu e se afastou rapidamente do Beira Rio, antes mesmo de continuar sua apresentação no novo clube.

Pouco tempo depois, Iura foi vencido por uma lesão no fêmur. Relutou e tentou continuar, mas deixou os gramados precocemente em 1981.

Atualmente, o sempre simpático Iura trabalha no ramo odontológico. Constantemente é lembrado nos meios esportivos, principalmente pelo gol mais rápido da história do “Grenal”.

Iura no Criciúma. Crédito: revista Placar – 11 de julho de 1980.

Iura no Criciúma. Crédito: revista Placar – 11 de julho de 1980.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca e Mário Medaglia), revista Manchete Esportiva, gremio.net, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, zh.clicrbs.com.br, medium.com, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Anúncios