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A revista Esporte Ilustrado número 168, em sua edição de 26 de junho de 1941, apresentou ao leitor os detalhes do prélio que inaugurou uma nova praça de esportes para o cenário carioca.

O estádio Aniceto Moscoso, que também ficou conhecido como Conselheiro Galvão, ainda cheirava tinta na tarde em que recebeu mais de 10.000 pagantes para assistir o confronto contra o Fluminense.

Naquele dia festivo, o Madureira saiu perdendo e acabou superado na primeira etapa com um gol do atacante Rongo.

No segundo período, porém, o time de camisa branca com detalhes em grená, azul e amarelo aplicou uma virada sensacional vencendo por 4×2.

Lelé, Isaias e Jair Rosa Pinto, em destaque, na boa formação do Madureira em 1941. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 168 – 26 de junho de 1941.

Os temidos “Três Patetas” do Madureira – Lelé, Isaias e Jair Rosa Pinto. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 233 – 24 de setembro de 1942 – Publicado em kikedabola.blogspot.com.br.

O técnico do Fluminense, Ondino Viera, campeão carioca de 1940, não foi poupado de severas críticas por não conseguir manter uma regularidade na escalação.

Abaixo, os dados do jogo que marcou a inauguração do Estádio Aniceto Moscoso, conhecido popularmente como Conselheiro Galvão:

15 de junho de 1941 – Campeonato carioca primeiro turno – Madureira 4×2 Fluminense – Estádio Conselheiro Galvão – Árbitro: José Ferreira Lemos – Gols: Isaías (2), Oséas e Jorginho para o Madureira e Rongo para o Fluminense (2).

Madureira: Alfredo, Benedito e Ápio; Otacílio, Jair II e Alcides; Jorginho, Lelé, Isaías, Jair Rosa Pinto e Oséas. Fluminense: Maia, Moisés e Machado; Bioró, Spinelli e Afonsinho; Pedro Amorim, Pedro Nunes, Rongo, Tim e Hércules.

Lelé, Isaias e Jair Rosa Pinto. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Em pé: Berascochea, Oncinha, Dino, Sampaio, Rafagnelli e Argemiro. Agachados: Djalma, Lelé, Isaias, Ademir e Chico. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

O resultado reforçou a grande fase vivida pelos rapazes que ficaram conhecidos como “Os Três Patetas”; Lelé, Isaias e Jair Rosa Pinto.

E naquela formação ofensiva do Madureira, Isaias fez fama graças ao refinado futebol de Jair e de Lelé, um jogador que além de marcar muitos gols era capaz de atuar tanto pela direita como pela esquerda da meia cancha.

Dono de um forte chute de perna direita, Manuel Pessanha, o Lelé, nasceu em Campos dos Goytacazes (RJ), em 23 de fevereiro de 1918. *Algumas fontes registram seu nascimento no mês de março.

Mas esse espetacular triunfo do Madureira sobre o Fluminense não foi o único na trajetória dos “Três Patetas” enquanto jogaram pelo Madureira.

Crédito: revista Placar – 22 de junho de 1987.

Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

No certame de 1942, o tricolor suburbano apresentou outra exibição de gala ao golear o Vasco da Gama com relativa facilidade:

12 de abril de 1942 – Campeonato carioca primeiro turno – Madureira 5×1 Vasco da Gama – Estádio Campos Sales – Árbitro: Mário Vianna – Gols: Isaías (4) e Waldemar para o Madureira; Rui marcou para o Vasco.

Madureira: Alfredo, Jaú e Rubens; Otacílio, Odilon e Esteves; Jorge, Waldemar, Isaías, Jair e Murilinho. Vasco da Gama: Valter, Florindo e Oswaldo; Figliola, Noronha e Argemiro; Alfredo, Ademir Menezes, Villadoniga, Rui e Noronha. 

Foi o suficiente para que o técnico uruguaio Ondino Viera, que iniciava um penoso processo de reformulação desde que assumiu o Vasco em 1942, indicasse a contratação dos “Três Patetas” em um único pacote em 1943.

Lelé com a camisa do selecionado carioca de futebol, que na época usava as letras FMF – Federação Metropolitana de Futebol. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 299 – 30 de dezembro de 1943.

Seleção Carioca de 1944. Em pé: Biguá, Domingos da Guia, Batatais, Norival, Rui, Flávio Costa e Afonsinho. Agachados: Pedro Amorim, Lelé, João Pinto, Tim e Vevé. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Em um período dominado pelo tricampeonato do Flamengo, o Vasco amargava um incômodo jejum de títulos.

Mas, Ondino Viera acreditou e colheu os frutos por ter apostado no futebol dos “Três Patetas”. Naqueles primórdios da formação do “Expresso da Vitória”, o time da “Colina” faturou o título de forma invicta em 1945.

Além do tão esperado caneco, o Vasco também contou com os gols decisivos de Lelé, artilheiro da competição com 15 gols marcados.

Apelidado de “Canhão da Colina”, Lelé foi lembrado no carnaval de 1946, quando seu nome se fez presente na letra da marchinha “No Boteco do José”, de Wilson Batista e Augusto Garcez, na voz de Linda Batista.

Ainda pelo Vasco, Lelé foi ainda campeão carioca de 1947 e campeão Sul-Americano de clubes campeões em 1948, ambos de forma invicta.

Os inseparáveis Isaias e Lelé. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 321 – 1 de junho de 1944.

Lelé e Isaias. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 330 – 3 de agosto de 1944.

Oitavo maior artilheiro da história do Vasco com 147 gols, Lelé deixou São Januário em 1948 ao ser transferido para o São Paulo Futebol Clube. No tricolor, Lelé participou do elenco que conquistou o bicampeonato em 1949.

Em 1950 acertou com os dirigentes da Associação Atlética Ponte Preta, permanecendo no quadro campineiro até o final da temporada de 1952, inclusive colaborando como treinador por alguns meses.

Além de várias convocações no selecionado carioca, Lelé esteve em campo em três compromissos pela Seleção Brasileira. Foram dois confrontos contra o Uruguai em 1944, com vitórias por 6×1 e 4×0; e uma derrota por 4×3 para os argentinos em 1945.

Algumas fontes registram também uma breve passagem pelo Flamengo. Manuel Pessanha, o Lelé, faleceu em 16 de agosto de 2003, na cidade de Campinas (SP).

Lelé e Ademir. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 429 – 27 de junho de 1946.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Mílton Costa Carvalho, Alfredo Ogawa e Teixeira Heizer), revista Esporte Ilustrado (por Véritas Junior), revista Grandes Clubes Brasileiros, campeoesdofutebol.com.br, kikedabola.blogspot.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, netvasco.com.br, madureiraec.com.br.

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