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Em 1982 na cidade de Fernandópolis (SP), Bezerra continuava correndo atrás da bola. Longe da fama conquistada nos tempos de São Paulo e Guarani, a alegria de voltar era muito superior aos riscos envolvidos.

Em 1979 o jogador foi diagnosticado com neurocisticercose, depois de ser examinado por uma junta médica composta dos melhores neurocirurgiões paulistas da época; Marcel Lefréve, Lamartine de Assis, Luís Alberto Bacheschi e Luís Alcides Manreza.

Juvenal de Souza, o Bezerra, nasceu em Altair, no interior paulista, no dia 5 de setembro de 1949. Criado no ambiente rural, seu sonho era ser um próspero comerciante de gado, o que justifica seu apelido de Bezerra.

A doença, mantida em sigilo, só foi tornada pública quando Bezerra finalmente se convenceu do perigo de vida que corria e aceitou deixar os gramados.

Sua despedida do Tricolor do Morumbi aconteceu em um amistoso contra o Flamengo, disputado no estádio do Morumbi.

Bezerra na segunda divisão do futebol paulista defendendo o Fernandópolis. Crédito: revista Placar – 10 de setembro de 1982.

Bezerra atuou apenas nos primeiros 45 minutos, ainda amparado pelo documento preparado pelo departamento jurídico, que isentava o São Paulo de qualquer decorrência da moléstia.

A situação causava um verdadeiro pânico no médico do clube, o doutor José Carlos Ricci, que sabia que dificilmente a opinião pública aceitaria o acontecimento de uma desgraça, mesmo diante de um documento assinado pelo próprio jogador.

Abaixo, os dados da última participação de Bezerra com a camisa do São Paulo:

26 de janeiro de 1980 – Amistoso – São Paulo 0x0 Flamengo – Estádio do Morumbi – Árbitro: Roberto Nunes Morgado – Público: 46.956 – Renda: Cr$ 3.700.900,00.

São Paulo: Waldir Peres; Antenor, Nei, Bezerra (Jaime) e Aírton; Teodoro, Assis (Vilson Tadei) e Aílton Lira; Paulo César, Serginho Chulapa e Zé Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Silva. Flamengo: Raul; Carlos Alberto, Rondinelli (Manguito), Marinho e Junior; Carpegiani, Adílio (Andrade) e Zico; Tita, Cláudio Adão e Carlos Henrique. Técnico: Cláudio Coutinho. 

Partindo da esquerda, Dito Brás (massagista), Gilberto (zagueiro); Afrânio (ponta-direita) e João Marcos (goleiro). Sentados, fora do banco: Volnei (centroavante) e Bezerra (lateral-esquerdo). Crédito: correio.rac.com.br.

Formação do Guarani em 1973. Em pé: Wilson, Tobias, Alberto, Amaral, Flamarion e Bezerra. Agachados: Jader, Washington, Clayton, Alfredo e Mingo. Crédito: revista Placar.

Na juventude, Bezerra gostava da vidinha no pasto, colheitas e plantações, mas nada era mais gratificante do que o futebol aos domingos, nos campos das fazendas da região.

O passatempo da bola ficou mais sério na Associação Atlética Altair, de onde saiu para defender o Guaraçaí e posteriormente o Barretos. No findar de 1970 foi contratado pelo Guarani Futebol Clube de Campinas.

Atuando sempre pelo lado esquerdo do gramado, Bezerra foi efetivado no Brinco de Ouro como lateral esquerdo, o que não impedia seu aproveitamento em algumas partidas como zagueiro.

Jogando pelo “Bugre”, Bezerra participou de grandes formações ao lado de Tobias, Flamarion, Amaral, Washington, Mingo e outros bons valores daquele período.

Em 1976 seu passe foi negociado com o São Paulo Futebol Clube. Na temporada seguinte, Bezerra foi um dos nomes determinantes no esquema adotado pelo técnico Rubens Minelli, na campanha do título nacional de 1977.

Matéria especial sobre os universitários do Guarani. Partindo da esquerda, em pé: Alfredo, Flamarion, Bezerra e Estevão. Sentados: Gilberto, Nélson e Ziza. Crédito: revista Placar – 24 de janeiro de 1975.

Formando zaga ao lado de Tecão, Bezerra foi campeão brasileiro de 1977 e depois vice-campeão paulista de 1978.

Abaixo, os dados da partida final do campeonato brasileiro de 1977, quando Bezerra marcou o gol que decidiu o título depois que o atleticano Márcio jogou a bola por cima da meta de Waldir Peres:

5 de março de 1978 – Final do campeonato brasileiro – Atlético Mineiro 0(2) x 0(3) São Paulo – Estádio Governador Magalhães Pinto – Árbitro: Arnaldo Cezar Coelho – Renda: CR$ 6.857.080,00 – Público: 102.974 pagantes. *Tempo normal: 0x0; Prorrogação: 0x0; Pênaltis: 3×2 para o São Paulo.

São Paulo: Waldir Peres; Getúlio, Tecão, Bezerra e Antenor; Chicão, Teodoro (Peres) e Darío Pereyra; Viana (Neca), Mirandinha e Zé Sergio. Técnico: Rubens Minelli. Atlético Mineiro: João Leite, Alves, Márcio, Vantuir e Valdemir, Toninho Cerezo, Ângelo e Marcelo (Paulo Isidoro), Serginho, Caio (Joãozinho Paulista) e Ziza. Técnico: Barbatana.

Bezerra em partida contra o América no Maracanã – Crédito: revista Placar – 23 de dezembro de 1977.

Na final do campeonato brasileiro de 1977, vamos o goleiro Waldir Peres, Bezerra e o árbitro Arnaldo Cezar Coelho. Crédito: gazetaesportiva.com.

Jogando pelo São Paulo, entre os anos de 1976 e 1980, Bezerra viveu seus melhores momentos no futebol.

Ao todo, foram 201 compromissos disputados e 11 gols marcados. Os dados foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, de autoria de Alexandre da Costa.

Depois da inesperada notícia que deixar os gramados não era apenas uma questão de opção, Bezerra acatou o conselho médico durante dois anos.

Em 1982 Bezerra aceitou um convite para retornar ao futebol defendendo o Fernandópolis Futebol Clube.

Ainda conforme o artigo da revista Placar, publicado em 10 de setembro de 1982, Bezerra assinou com o clube do interior paulista por 120 mil cruzeiros mensais.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Inter e São Paulo no Beira Rio. Partindo da esquerda vemos Escurinho, Bezerra, o goleiro Toinho e Antenor. Série Ping Pong Futebol Cards. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

A reportagem registra ainda que o Fernandópolis não exigiu nenhum laudo médico antes de firmar compromisso como o jogador, o que deixava o doutor Luís Alcides Manreza bastante preocupado: 

– Na medicina não existe o que podemos chamar de meio termo. Ou pode ou não pode. E no caso de Bezerra, ele não pode!

Seu outro irmão, o quarto zagueiro Joãozinho, que na época jogava pelo Santos, foi simples em seu comentário:

– Já cansei de pedir para ele parar mas não tem jeito. O futebol está no sangue! 

Conforme publicado no site do Milton Neves, Bezerra ainda jogou pelo Olímpia (SP), Uberaba (MG) e Barretos (SP), onde definitivamente parou em 1985. Atualmente, Bezerra vive na cidade de Goiânia (GO) desenvolvendo atividades como comerciante.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar – 28 de abril de 1978.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Emanuel Mattos e Carlos Maranhão), revista Manchete Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, correio.rac.com.br, gazetaesportiva.com, bjd.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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