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Por volta de 1930, o time do Fluminense Atlético Clube de Niterói jogava próximo da praia de Icaraí.

Em cada jogo, diante das constantes críticas e reclamações dos companheiros, o zagueiro Kafunga ameaçava levar a bola embora e acabar com o divertimento da moçada.

Kafunga era um zagueiro temerário e furava mais do que faca de ponta. Tentou depois jogar pela meia cancha e também não deu certo.

No ataque, andou de uma ponta a outra e definitivamente quase ficou de fora do time. Após tantas tentativas frustradas, Kafunga resolveu tentar uma última cartada e foi parar debaixo das traves.

Pouco tempo depois, Kafunga já era um goleiro respeitado no disputado campeonato de Niterói, o que representou sua inclusão no quadro carioca que disputou o campeonato brasileiro de seleções de 1934.

Crédito: revista Placar – 28 de agosto de 1970.

Crédito: revista Placar – 28 de agosto de 1970.

Olavo Leite Bastos nasceu em Niterói (RJ), no dia 7 de agosto de 1914, quando o mundo ainda não tinha o perfeito entendimento de que o conflito na Europa seria transformado na Primeira Guerra Mundial.

Olavo era um menino levado, que vivia ofegante de tanto correr pelo quintal. Dono de uma narina respeitável, Olavo ganhou do avô o apelido de “Kafunga”.

Com a projeção alcançada nas participações pelo selecionado carioca, o Clube Atlético Mineiro resolveu investir 80 contos de Réis para contar com o jovem e promissor goleiro de Niterói.

Kafunga chegou ao Atlético Mineiro no mês de janeiro de 1935, quando o Villa Nova Atlético Clube mandava no cenário estadual após conquistar o título em 1933, 1934 e inclusive em 1935.

Com uma estatura considerada mediana para os padrões dos goleiros da época, o elástico e corajoso Kafunga ganhou credibilidade rapidamente.

Crédito: revista Placar – 28 de agosto de 1970.

Crédito: revista Placar – 20 de agosto de 1971.

Em suas primeiras temporadas no “Galo”, Kafunga foi considerado um “guarda metas” técnico e bastante arrojado, apesar de alguns jornais da época apontarem o fator “sorte” como uma de suas marcas registradas.

Durante seu período no Atlético Mineiro, Kafunga disputou aproximadamente 335 partidas e foi um grande colecionador de títulos:

– Campeão mineiro nas edições de 1936, 1938, 1939, 1941, 1942, 1946, 1947, 1949, 1950, 1952, 1953 e 1954, Campeão dos Campeões do Brasil em 1936, além do título simbólico de “Campeão do Gelo” em 1950.

O épico goleiro também participou das festividades de inauguração do Estádio Municipal do Pacaembu, com cerimônia oficial realizada em 27 de abril de 1940.

Crédito: ludopedio.com.br.

Kafunga não consegue evitar o chute fatal de Servílio na derrota do Atlético diante do Corinthians por 4×2, segunda partida das festividades de inauguração do estádio do Pacaembu. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva.

A primeira partida no Pacaembu foi disputada um dia depois da inauguração, em 28 de abril de 1940, entre o Palestra Itália (atual Palmeiras) e o Coritiba, com vitória da equipe paulistana por 6×2.

Como o dia foi marcado por uma rodada dupla, logo em seguida o Corinthians venceu o Atlético Mineiro de Kafunga e seus companheiros por 4×2.

Kafunga também marcou presença em inúmeras oportunidades defendendo o selecionado mineiro. No entanto, muitos fatores extra-campo sempre o prejudicaram quando o assunto era servir ao escrete nacional.

Para o atacante Carlyle, Kafunga era o grande responsável por representar uma garantia certa no recebimento do “bicho”, um valor pago em dinheiro aos jogadores como premiação por vitórias ou empates considerados satisfatórios.

Crédito: revista O Cruzeiro – Encarte ídolos do futebol brasileiro.

O Atlético Mineiro em 1946. Em pé: O técnico do Atlético, Afonso, Lauro, Mário de Souza, Lero e Nívio. Agachados: Murilo, Mexicano, Zé do Monte, Kafunga, Ceci e Rezende. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Adotando o nome de “Olavo Leite Kafunga Bastos”, o goleiro atleticano foi eleito pelo Partido Social Democrático ao cargo de vereador no pleito de 1947.

*Entre os anos de 1977 e 1982, Kafunga ainda voltou aos afazeres da vida pública.

No findar do mês de outubro de 1954, próximo de completar os quarenta anos de idade e com dezenove anos de bons serviços ao Atlético, Kafunga resolveu deixar definitivamente os gramados.

Continuou no clube até o ano de 1962, onde exerceu os cargos de Auxiliar Técnico, Treinador (temporadas de 1961 e 1962), Gerente de Futebol e Assessor da Diretoria.

Depois de se arriscar como cantor, Kafunga iniciou sua jornada como comentarista de rádio e televisão, com linguagens próprias e uma maneira diferenciada de comentar o futebol.

Crédito: revista Placar – 23 de outubro de 1981.

Crédito: revista Placar – 17 de setembro de 1982.

Foi o criador de várias frases marcantes que entraram para a literatura esportiva e para o folclore do futebol: “despingolar” (correr desenfreadamente), “gol barra limpa”, “cabeça de bagre”, “não tem coré-coré” e “vapt-vupt”.

Em 1978, na vitória do Atlético por 6×0 contra o América (RN), pelo campeonato brasileiro, José Reinaldo de Lima marcou um dos gols mais bonitos da história do Mineirão.

Maravilhado, o comentarista Kafunga ofereceu ao jogador uma placa de metal que foi fixada no Hall de entrada do estádio do Mineirão.

O lendário Kafunga também tem seu nome lembrado no “Melhor Atlético Mineiro de todos os tempos”, em eleições promovidas pela revista Placar nos anos de 1982 e 1994.

Olavo Leite Bastos faleceu em Belo Horizonte, no dia 17 de novembro de 1991.

Crédito: revista Placar – 3 de fevereiro de 1978.

Crédito: revista Placar – Abril de 2010.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Dagomir Marquezi, Arthur Ferreira e Ramón Garcia), revista O Cruzeiro, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal Mundo Esportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, ludopedio.com.br, campeoesdofutebol.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, cacellain.com.br, mg.superesportes.com.br, galodigital.com.br, site do Milton Neves, Livro: Coleção Ídolos Imortais – Os dez mais do Atlético Mineiro – Eduardo Murta – Editora Maquinária.

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