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Na segunda metade dos anos sessenta e início dos anos setenta, o Corinthians adorava contratar ponteiros, quase sempre nomes consagrados pela imprensa esportiva da época.

Pelo lado esquerdo contratou Gilson Porto em 1965, Eduardo Neves do América do Rio e Aladim do Bangu.

Pelo lado direito, o alvinegro contou com Marcos Pereira Martins até repatriar Roberto Ludovico Bataglia do futebol italiano. Depois trouxe Garrincha em 1966, Paulo Borges, Buião, Natal e o atleticano Vaguinho.

No início de 1970, os cartolas apostaram em uma jovem promessa, pouco aproveitado nas fileiras do Bugre campineiro. Ponteiro direito dons bons, Lindóia chegou timidamente ao Parque São Jorge para brigar pela camisa 7.

Equipe juvenil do Guarani que participou do campeonato da categoria pela Liga Campineira de Futebol. Em pé: Carlos, Roberto, Guassi, Ademir, Flamarion e Greco. Agachados: Lindóia, Bertinho, Edson Souza, Silvio e Artur. Crédito: ligacampineira.com.br.

Lindóia viveu um período difícil no Corinthians. Além da grande concorrência pela camisa 7, o atacante trabalhou com quatro treinadores em dois anos de clube, sendo que Francisco Sarno teve duas passagens entre os anos de 1971 e 1972.

Paulo Roberto Cardoso da Silva, o Lindóia, nasceu em Águas de Lindóia (SP), em 12 de fevereiro de 1952.

A carreira foi iniciada nas categorias amadoras do Guarani Futebol Clube de Campinas (SP). Suas primeiras apresentações no quadro principal aconteceram durante o campeonato paulista de 1968.

Lindóia esteve em campo na famosa partida da “Marmelada” entre Guarani e Palmeiras, confronto que terminou empatado em 1×1 no estádio Brinco de Ouro.

Buião, Paulo Borges e depois Natal. Lindóia nunca teve vida fácil no Parque.

Inflação de pontas no Corinthians. Paulo Borges, Buião e Lindóia em foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 14 de agosto de 1970.

No tão falado confronto de 29 de junho de 1968, o Bugre entrou em campo para enfrentar o Palmeiras com Dimas, Wilson, Cidinho, Tarcísio e Diogo; Dante depois Flamarion e Nilton; Lindóia, Ladeira, Cardoso e Zezinho.

Nesse dia, o Guarani utilizou jogadores que não estavam devidamente inscritos na Federação, o que fez o Palmeiras ganhar os pontos do jogo nos tribunais e assim evitar o rebaixamento.

Dono de um futebol agressivo e veloz, Lindóia amargou o banco de reservas por um bom tempo, já que o titular no Guarani era o experiente e dedicado Carlos Capelozza, que também jogava pela meia cancha.

Contratado pelo Corinthians em fevereiro de 1970, Lindóia era apenas um menino esforçado do quadro de Aspirantes, que treinava duro enquanto tentava mostrar seu valor ao técnico Dino Sani.

Crédito: revista Placar – 6 de novembro de 1970.

Na reabertura do estádio do Pacaembu, o Corinthians do ponta direita Lindóia saiu vaiado de campo, após empate sem gols no amistoso contra o Nacional do Uruguai. Crédito: revista Placar – 6 de novembro de 1970.

Na reabertura do estádio do Pacaembu, o Corinthians do ponta direita Lindóia saiu vaiado de campo, após empate sem gols no amistoso contra o Nacional do Uruguai. Crédito: revista Placar – 6 de novembro de 1970.

Com o título paulista de 1970 perdido, o Diretor de Futebol Elmo Francchini contratou o Doutor Bardella, um psicólogo que tentaria trazer o equilíbrio emocional tão necessário ao ambiente pesado de cobranças.

Buião acabou emprestado para a Ferroviária de Araraquara e com a contratação de Aymoré Moreira, Paulo Borges se tornou o dono absoluto da posição.

Mesmo assim, Lindóia foi utilizado em quatro compromissos na campanha do título do Torneio do Povo em 1971, sua única conquista no Parque São Jorge.

Mas, Aymoré Moreira também foi embora e Yustrich e Saldanha eram os nomes preferidos. Na impossibilidade de trazer um dos dois, o nome de Francisco Sarno ganhou força.

Crédito: revista Placar – 20 de novembro de 1970.

Em 29 de novembro de 1970, o Bahia derrotou o Corinthians por 3×2 em partida válida pelo Torneio Robertão. Partindo da esquerda vemos Roberto Rebouças, Paulo Borges e Lindóia. Crédito: revista Placar – 4 de dezembro de 1970.

A saída de Buião não representou muita coisa para Lindóia. Pouco depois, o badalado ponta do Cruzeiro Natal de Carvalho Baroni foi apresentado em grande estilo. E Lindóia novamente precisou esperar para entrar no time de Sarno.

Escalado para enfrentar o Palmeiras no famoso “Derby” do campeonato paulista de 1971, Lindóia cedeu o lugar para Natal no transcorrer da histórica partida:

25 de abril de 1971 – Campeonato paulista – Corinthians 4×3 Palmeiras – Estádio do Morumbi – Árbitro: Armando Marques – Gols: César aos vinte e sete segundos e novamente César aos 8’ do primeiro tempo; Mirandinha aos 4’, Adãozinho aos 24’, Leivinha aos 25’, Tião aos 26’ e Mirandinha aos 42’ do segundo tempo.

Corinthians: Ado; Zé Maria, Sadi, Luis Carlos e Pedrinho; Tião e Rivellino; Lindóia (Natal), Samarone (Adãozinho), Mirandinha e Peri. Técnico: Francisco Sarno. Palmeiras: Leão; Eurico, Baldochi, Luis Pereira e Dé; Dudu e Ademir da Guia; Fedato, Héctor Silva (Leivinha), César e Pio. Técnico: Rubens Minelli. 

Lindóia é colocado na maca amparado pelo árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia. Ao fundo vemos o centroavante Mirandinha. Crédito: gazetaesportiva.net.

Crédito: revista Placar – 18 de dezembro de 1970.

No final das contas, Natal jogou apenas 10 partidas pelo alvinegro antes de passar rapidamente pelo Bahia e depois retornar ao mesmo Cruzeiro. 

Com o interesse do Corinthians no zagueiro Baldochi, Paulo Borges foi emprestado ao Palmeiras por seis meses, em uma negociação que também envolveu o zagueiro Polaco.

E Sarno foi outro que não resistiu por muito tempo. Então, o “Cabecinha de Ouro” Baltazar assumiu por um curto período até o retorno de Sarno e o posterior acerto com Duque, que não aproveitou Lindóia em seus planos.

Pelo Corinthians Lindóia esteve em campo em 33 compromissos, com 14 vitórias, 12 empates, 7 derrotas e 3 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Um especialista em carrões. Crédito: revista Placar –  22 de janeiro de 1971.

Com o crescimento do futebol de Vaguinho, que se recuperou bem depois de uma fratura em um clássico contra o São Paulo, Lindóia acabou emprestado ao Clube Atlético Juventus em 1972.

Lindóia passou também pelo Coritiba Foot Ball Club e pelo Clube do Remo, onde foi campeão paraense invicto de 1973 ao lado do também ex-corintiano Caíto.

Jogou ainda pelo Botafogo de Ribeirão Preto (SP), Caxias (RS), Atlético (GO) e pela Ferroviária de Araraquara (SP), onde encerrou sua carreira como profissional no final da década de setenta.

Conforme publicado no site do Milton Neves, depois da vida nos gramados Lindóia trabalhou como empresário de jogadores.

O zagueiro Oscar e Lindóia, que foi emprestado ao Juventus pelo Corinthians. Crédito: site do Milton Neves.

Lindóia e Caíto jogaram juntos no Corinthians e no Clube do Remo, onde foram campeões paraenses invictos de 1973. Crédito: revista Placar – 12 de outubro de 1973.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Narciso James, Paulo Thadeu e Pio Pinheiro), revista Grandes Clubes Brasileiros, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, esportes.estadao.com.br, ligacampineira.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti e Eliana Santos), scratchcorinthiano.blogspot.com.br, cacellain.com.br, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte.

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