Tags

, , ,

Lembrado no mundo da bola como “Capitão Froner”, Carlos Benevenuto Froner nasceu no município de São Borja (RS), em 9 de novembro de 1919, embora algumas publicações apontem seu nascimento no dia 19 de novembro de 1919.

Sua caminhada esportiva foi iniciada em Santa Maria (RS). Como lateral-direito e meio-campista, Carlos Froner jogou pelo Guarany Atlântico Futebol Clube de Santa Maria e depois pelo Sport Club Guarany de Cruz Alta (RS).

Atuou ainda na posição de centroavante pela equipe do “Oitavo Regimento de Infantaria”, época em que ocupava o cargo de Rádio-Telegrafista, até ser transferido posteriormente para o QG de Porto Alegre.

Em 1947 trabalhou na preparação física do Grêmio Sportivo Leopoldense de São Leopoldo (RS), onde também deu seus primeiros passos no papel de treinador.

Após o curto período no Grêmio Leopoldense, Carlos Froner trabalhou no Aimoré de São Leopoldo, Flamengo de Caxias, Floriano e Esporte Clube Cruzeiro (RS), até passar rapidamente pelo Sport Club Internacional.

Carlos Froner de volta ao comando do Grêmio! Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 21 de setembro de 1973.

Sobre uma possível saída de Doval da Gávea para o Fluminense: “Sou pago apenas para dirigir o elenco. Quem trata de negócios é a diretoria”. Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 30 de janeiro de 1976.

Surpreendido por uma dispensa inesperada no Internacional, Carlos Froner foi dirigir o Clube Esportivo Aimoré de São Leopoldo, quando realizou um grande trabalho durante o certame gaúcho de 1962.

Decepcionado com os dirigentes do Internacional, Carlos Froner foi o algoz do “Colorado” no surpreendente triunfo do Aimoré por 3×1 em jogo disputado nos Eucaliptos, resultado que favoreceu o Grêmio na conquista do título de 1962.

No findar da temporada de 1963, Carlos Froner firmou compromisso no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, clube onde conquistou especial reconhecimento ao longo de sua carreira.

Conhecido pelos jogadores e pela imprensa como “Capitão Froner”, sua conduta disciplinadora foi um dos fatores determinantes na conquista do título gaúcho nas edições de 1964, 1965 e 1967.

Em 1966 passou novamente pelas fileiras do Aimoré. No mesmo ano comandou o combinado gaúcho que representou o Brasil na conquista da Taça Bernardo O’Higgins.

A apresentação de Carlos Froner aos jogadores do Bahia. Foto de Antônio Andrade. Crédito: revista Placar – 14 de janeiro de 1977.

Fidelidade ao compromisso assumido no Bahia. Foto de Antônio Andrade. Crédito: revista Placar – 9 de dezembro de 1977.

Na direção do escrete foram duas partidas diante do Chile, com uma vitória em 17 de abril de 1966 por 1×0 e uma derrota no dia 20 de abril de 1966 por 2×1. Os registros foram publicados no Livro “Seleção Brasileira 90 anos”, dos autores Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Depois, Carlos Froner foi orientar o Clube Atlético Ferroviário (PR). Em seguida comandou novamente o Grêmio no início da década de 1970, até ser contratado pelo Santa Cruz (PE) em 1974.

No “Arruda”, Carlos Froner montou o time que fez muito sucesso no campeonato nacional de 1975, uma campanha espetacular do quadro pernambucano que caminhou firme até a semifinal, quando foram eliminados pelo Cruzeiro.

Mas no decorrer do campeonato nacional, Carlos Froner deixou o Santa Cruz e assumiu o Clube de Regatas do Flamengo (RJ). Então, o destino o fez provar do próprio veneno!

Na última rodada da terceira fase, o Flamengo foi eliminado pelo mesmo Santa Cruz por 3×1 no Maracanã, um resultado que comprometeu bastante a sua continuidade na Gávea.

Técnicos em “duplicata” no Caxias (RS). Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 24 de março de 1978.

A diretoria do Vasco da Gama queria um técnico disciplinador. Resolveu um problema e deixou outro nas mãos de Carlos Froner. Foto de Ignácio Ferreira. Crédito: revista Placar – 30 de março de 1979.

Substituído no Flamengo pelo técnico Cláudio Coutinho, seu próximo destino foi o Esporte Clube Bahia (BA) nas temporadas de 1977 e 1978, um fabuloso trabalho reconhecido com títulos e muito prestígio!

Em seguida voltou ao Sul para dirigir o Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul (RS), momento em que manteve os primeiros contatos com o então zagueiro Luiz Felipe Scolari, que sempre o considerou como seu mestre.

Mais uma vez no cenário carioca em 1979, Carlos Froner enfrentou dissabores com alguns jogadores do Vasco da Gama por sua postura disciplinadora. Nas páginas da revista Placar na edição de 30 de março de 1979, o treinador colocou seu ponto de vista:

– “Me chamam de disciplinador, de autoritário e ditador. Vendem minha imagem como se eu fosse um homem mau… Jogar futebol profissionalmente não é nenhuma brincadeira”. 

– “Os deveres estão lá no contrato de cada um! Sou apenas um instrumento da pontualidade e do empenho pelos resultados. Devo ser exigente em favor de quem me paga”.

Zé Mário logo percebeu que bater de frente com Carlos Froner não era um bom negócio! Foto de Ignácio Ferreira. Crédito: revista Placar – 30 de março de 1979.

Nos tempos do Bahia, Carlos Froner aparece ao lado do filho Carlos Alberto. Foto de Gildo Lima. Crédito: revista Placar – 26 de março de 1982.

No entanto, o rigoroso Carlos Froner nunca se abalou pela fama de “durão”. Adepto do futebol de marcação, o chamado “Futebol Força” praticado na Europa sempre o encantou!

Nos primeiros anos da década seguinte, Carlos Froner trabalhou mais uma vez no futebol da “Boa Terra”. Foi campeão estadual pelo Vitória em 1980 e pelo Bahia em 1982.

Novamente no Grêmio em 1984, o tricolor gaúcho realizou uma boa campanha no campeonato brasileiro e chegou ao vice-campeonato na Taça Libertadores diante do Independiente da Argentina.

O “Capitão Froner” treinou também o Clube do Remo (PA), Pato Branco (PR), Juventude (RS), Chapecoense (SC) e o Joinville (SC).

Longe dos gramados, Carlos Benevenuto Froner desfrutou da tranqüilidade de Tramandaí (RS), cidade onde faleceu no dia 21 de agosto de 2002 com uma parada cardíaca.

“Nunca fui contra a contratação de Mário Sérgio”. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 3 de fevereiro de 1984.

Renato foi direto: “O seu Froner é gente finíssima”. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 3 de fevereiro de 1984.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Antônio Andrade, Carlos Maranhão, Divino Fonseca, Fernando Escariz, Gildo Lima, Ignácio Ferreira, JB Scalco, Lemyr Martins, Mílton C. Carvalho, Ronaldo Buarque, Roque Mendes e Rodolpho Machado), revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, campeoesdofutebol.com.br, clicrbs.com.br, esportes.estadao.com.br, site do Milton Neves, Livro: Seleção Brasileira 90 anos – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.