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Na preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1966, o técnico Vicente Ítalo Feola realizou experiências com um montante considerável de jogadores.

Foram quase 50 convocados para o período de amistosos e treinamentos do escrete, que tentaria o tão esperado tricampeonato mundial na Inglaterra.

Aquele verdadeiro “batalhão de chuteiras” formou praticamente quatro selecionados, o que representou uma disputa bastante acirrada em cada posição.

Pela ponta direita, Feola testou Garrincha, Jairzinho, Paulo Borges e o pernambucano Nado, jogador de grande destaque no Náutico.

Na época, os órgãos de imprensa classificaram a convocação do baixinho Nado como uma manobra meramente política. Nada mais do que um agrado ao futebol nordestino, principalmente ao presidente da Federação Pernambucana, o senhor Rubem Moreira.

Crédito: revista do Esporte número 264 – 28 de março de 1964.

O Náutico era forte nos anos 60. Em pé: Gena, Joelson, Didica, Gílson, Mauro e Clóvis. Agachados: Nado, Bita, Nino, Ivan e Lalá. Crédito: revista do Esporte número 357.

Essa mesma tese de convocação “política” também foi aplicada em outros jogadores fora do eixo Rio-São Paulo, inclusive aos jovens atacantes do Cruzeiro e do Grêmio; Tostão e Alcindo, que mais tarde acabaram confirmando seus lugares na Copa do Mundo da “Terra da Rainha”.

José Rinaldo Tasso Lassálvia, mais conhecido como Nado, nasceu na cidade de Recife (PE), em 15 de outubro de 1938. *Algumas fontes publicam seu nascimento na cidade de Olinda (PE), no mês de fevereiro.

Nado ganhou destaque no futebol varzeano dos arredores de Recife, quando jogava como meio-campista e maltratava os grandalhões com sua enorme habilidade.

Encaminhado aos quadros amadores do Clube Náutico Capibaribe em 1958, Nado conquistou rapidamente seu lugar no quadro principal do “Timbu” no ano seguinte.

Os irmãos Nado e Bita estavam na mira do Vasco, Santos e Palmeiras. Crédito: revista do Esporte número 362 – 12 de fevereiro de 1966.

Uma das linhas de ataque nos treinamentos da Seleção Brasileira em 1966. Partindo da esquerda; Nado, Alcindo, Tostão, Fefeu e Rinaldo. Crédito: revista do Esporte número 382 – 2 de julho de 1966.

Irmão mais velho do também famoso Bita (Sílvio Tasso Lassálvia), Nado fez parte de uma das maiores gerações do “Alvirrubro dos Aflitos”, onde foi campeão pernambucano nas edições de 1960, 1963, 1964 e 1965.

Com apenas 1;65 de altura e pouco menos de 60 quilos, Nado era dono de fintas desconcertantes e cruzamentos precisos. Arisco e audacioso, seu futebol despertou o interesse do Club de Regatas Vasco da Gama no final da temporada de 1965.

Pelo Alvirrubro, Nado disputou 248 jogos e marcou 40 gols. A baixa estatura lhe rendeu o apelido de “Pequeno Polegar” dos Aflitos.

Por uma quantia considerada milionária, Nado chegou ao gramado de São Januário em 1966, pronto para brigar pela titularidade na ponta direita, ocupada naquele momento por Luisinho desde o desligamento de Sabará.

Nado e Salomão foram dois reforços que o Vasco contratou para a temporada de 1966. Crédito: revista do Esporte número 408.

Da fala mansa e um tanto reservado, Nado não levou muita sorte no Vasco.

Mesmo com elencos de boa qualidade, o time da “Colina” amargava um jejum incômodo no campeonato estadual, apesar do título na Taça Guanabara de 1965 e no Torneio Rio-São Paulo de 1966.

A adaptação no futebol carioca não foi fácil. Nado enfrentou uma marcação cerrada por parte da imprensa. Nas avaliações publicadas nos jornais, suas notas eram baixas até nos jogos em que atuava bem.

Em 1967 Nado vivia um momento de recuperação de seu futebol até sofrer uma grave contusão, que prontamente o afastou de uma excursão ao continente europeu.

E o ano de 1967 não poderia terminar de maneira mais melancólica: Nado, Oldair, Fontana e Brito foram barrados pelo técnico Ademir Marques de Menezes.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Nado escapa pela direita e marca para o Vasco contra o Bangu no Maracanã. Crédito: oglobo.globo.com – Agência O Globo.

Felizmente, 1968 trouxe Paulinho de Almeida para comandar o time. O grupo ganhou confiança e chegou ao vice-campeonato carioca.

E Nado foi determinante no esquema do técnico Paulinho de Almeida. Em grande fase, o baixinho foi convocado para alguns amistosos no escrete, além de uma participação no selecionado carioca.

Ao todo, Nado esteve em campo em três compromissos pela Seleção Brasileira:

– Empate em 1×1 contra o Chile no dia 10 de maio de 1966; vitória sobre a Argentina por 4×1 no dia 7 de agosto de 1968 e empate em 2×2 com a Alemanha Ocidental no dia 14 de dezembro de 1968.

Os números foram publicados pelo livro “Seleção Brasileira 90 anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Agosto de 1968 – Brasil 4×1 Argentina. Em pé: Moreira, Felix, Brito, Leônidas, Carlos Roberto e Valtencir. Agachados: Nado, Gerson, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo Cesar. Crédito: movimentocarlitorocha.com.br.

O gol de Nado (em destaque) na surpreendente vitória do Olaria por 1×0 sobre a Seleção Brasileira “B”. Partida de preparação para o mundial de 1970. Crédito: oglobo.globo.com – Agência O Globo.

Sem muitas oportunidades de aproveitamento com o técnico Evaristo de Macedo, Nado foi transferido para o Olaria Atlético Clube em 1969, com um contrato firmado inicialmente em seis meses.

No Olaria, Nado viveu um momento especial ao marcar o gol da surpreendente vitória por 1×0 sobre a Seleção Brasileira “B”, partida de preparação para o mundial de 1970, no México.

Abaixo, uma das jornadas de Nado pelo Olaria no campeonato carioca de 1970:

4 de julho de 1970 – Campeonato carioca primeiro turno – Olaria 1×1 Bangu (Preliminar de Vasco da Gama 2×1 Madureira) – Estádio do Maracanã – Árbitro: José Mário Vinhas – Gols: Dê aos 6′ do primeiro tempo e Acelino aos 36′ do segundo tempo.

Olaria: Pedro Paulo; Mura, Miguel, Altivo e Mineiro; Fernando e Gesse; Nado (William), Pinho (Humberto), Acelino e Fernando José. Bangu: Rôni; Cabrita, Luís Humberto, Sérgio e Bauer; Sidclei e Didinho (Alfredo); Maurício, Dé, Almiro (Jorge Félix) e Aladim.

Nos tempos do Ceará. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Nos tempos do Ceará. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Depois da passagem pelos gramados cariocas, Nado acertou com o Fortaleza Esporte Clube, equipe que defendeu nas temporadas de 1971 e 1972, mesmo ano em que foi contratado pelo Ceará Sporting Club.

E Nado foi suportando corajosamente os efeitos do tempo. Experiente e dedicado, seus serviços foram de grande valor ao elenco do Ceará até o ano de 1974.

Apesar da boa forma aos 36 anos de idade, os reflexos de uma cirurgia nos ligamentos do joelho direito representaram o fim de sua carreira.

José Rinaldo Tasso Lassálvia faleceu no dia 3 de maio de 2013. O ex-ponta direita sofreu três paradas cardíacas no Hospital Miguel Arraes, em Recife (PE).

Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Dagomir Marquezi e Marcos Nunes), revista do Esporte, revista Fatos e Fotos, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, blogs.diariodepernambuco.com.br, campeoesdofutebol.com.br, esportes.estadao.com.br, movimentocarlitorocha.com.br, netvasco.com.br, oglobo.globo.com – Agência O Globo, site do Milton Neves, valdirappel.blogspot.com.br, vasco.com.br, Livro Seleção Brasileira 90 anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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