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Antes da fama conquistada no competitivo mundo da bola, o jovem Faustino levava uma vida simples como funcionário de um açougue na cidade de Araraquara.

Trabalhava duro e no final do mês recebia do patrão parte de seu salário em linguiças, o que o fez popular entre os amigos com o apelido de “Linguiça”.

Alcides da Cruz Faustino, o baixinho e bom de bola Faustino, nasceu na cidade de Araraquara (SP), em 2 de dezembro de 1940.

Sua trajetória foi iniciada em 1957, nas fileiras da Associação Ferroviária de Esportes. Algumas fontes registram ainda uma passagem pelas categorias amadoras do São Paulo Futebol Clube, em 1959.

Ponteiro direito de origem, Faustino se destacou rapidamente pelos dribles curtos e um tanto provocadores. Buscava a linha de fundo com facilidade e sempre levava muito perigo aos adversários.

Crédito: revista do Esporte número 65.

Formação da Ferroviária. Em pé: Rosan, Porunga, Antoninho, Cardareli, Dirceu Careca e Rodrigues. Agachados: Faustino, Dudu, Pimentel, Baiano e Beni. Crédito: ferroviariaemcampo.blogspot.com.br.

Pretendido por grandes clubes, inclusive o Club Atlético Independiente da Argentina, Faustino foi contratado pelo time do Morumbi no mês de abril de 1961, ao lado do companheiro Wilson Pimentel.

Em uma época de contenção de despesas em razão das obras no Estádio do Morumbi, os dirigentes apostavam nas grandes promessas do interior paulista.

Mas Wilson Pimentel não permaneceu por muito tempo nas fileiras do São Paulo!

Já Faustino, mesmo sem conquistar o campeonato paulista pelo tricolor, realizou boas temporadas e grandes partidas, quase sempre na condição de titular.

Faustino esteve em campo no dia 15 de agosto de 1963, quando o São Paulo aplicou uma goleada de 4×1 sobre o Santos no Estádio do Pacaembu.

Faustino e o professor José Teixeira. Crédito: revista do Esporte número 224 – 22 de junho de 1963.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

A partida ficou conhecido como o jogo do “Cai-Cai” em razão das expulsões e “contusões” dos jogadores do Santos, o que impediu que o confronto fosse até o final.

Na segunda etapa, após o gol marcado por Pagão, o árbitro Armando Marques teve que encerrar o jogo, já que o time da Vila Belmiro não contava mais com o número mínimo de jogadores. Abaixo, os registros do histórico clássico:

15 de agosto de 1963 – Campeonato Paulista – São Paulo 4×1 Santos – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Armando Marques – Gols: Faustino aos 5’, Pelé aos 20’, Benê aos 37’ e Sabino aos 40 do primeiro tempo; Pagão aos 7’ do segundo tempo – Expulsões: Pelé e Coutinho.

Observações: Por motivo de contusão, o lateral-direito Aparecido não voltou para a segunda etapa. No decorrer da partida, Pepe e Dorval também deixaram o gramado alegando contusão.

São Paulo: Suly; Deleu, Bellini, e Ilzo; Dias e Jurandir; Faustino, Martinez, Pagão, Benê e Sabino. Técnico: Brandão. Santos: Gylmar; Aparecido, Mauro e Geraldino; Zito e Dalmo; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Crédito: revista do Esporte número 264 – 28 de março de 1964.

Em pé: Norival, Pagão e Bazaninho. Agachados: Faustino e Sabino. Crédito: revista do Esporte número 280.

Outro grande momento de Faustino jogando pelo São Paulo aconteceu na excursão invicta pelos gramados da Europa, em maio de 1964.

Foram 12 partidas com 9 vitórias e 3 empates. O Tricolor enfrentou e venceu equipes tradicionais como o Borussia Dortmund (ALE), Bordeaux (FRA), Fiorentina (ITA) e Milan (ITA).

Em 1966 Faustino foi emprestado ao Clube Atlético Bragantino para disputar o campeonato paulista. Abaixo, uma das participações de Faustino jogando pelo Bragantino:

2 de outubro de 1966 – Campeonato paulista primeiro turno – Bragantino 4×0 Portuguesa Santista – Estádio Marcelo Stefani – Árbitro: Anacleto Pietrobom –  Gols: Wilsinho aos 27’ e Faustino aos 32’ do primeiro tempo; Wilsinho aos 4’ e Toninho aos 25’ do segundo tempo.

Bragantino: Odarci; Luizinho, Hamilton e Ivan; Armando e Luizão; Faustino, Toninho, Dema, Roberto e Wilsinho. Técnico: João Avelino. Portuguesa Santista: Cláudio; Valmir, Adelson e Dé; Neiva e Marçal; Zico, Palico, Wilson, Olavo e Canhoto. Técnico: Oto Vieira. 

Faustino e Dudu recordam os tempos de Ferroviária. Crédito: revista do Esporte número 306 – 16 de janeiro de 1965.

Faustino retornou ao São Paulo em 1968, quando já apresentava dificuldades para controlar o peso. Mesmo assim disputou o campeonato paulista naquela temporada.

Em seguida defendeu o Comercial Futebol Clube da cidade de Tietê (SP), equipe onde encerrou a carreira como jogador profissional no início dos anos 70.

Em sua passagem pelo São Paulo Faustino disputou 234 compromissos. Foram 125 vitórias, 46 empates, 63 derrotas e 34 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

Professor de Educação Física e chofer de praça, Faustino ainda continuou jogando sua bolinha no futebol de várzea.

Alcides da Cruz Faustino foi assassinado na capital paulista, no dia 12 de fevereiro de 1988, vítima de um assalto no bairro de Santo Amaro.

Faustino e Bellini. Crédito – revista do Esporte número 327 – 12 de junho de 1965.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Maurício Cardoso e Pio Pinheiro), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Futebol e Outros Esportes, Jornal A Gazeta Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, ferroviariaemcampo.blogspot.com.br, gazetaesportiva.com, saopaulofc.net, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa.

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