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Quem precisa de um “quarentão” em boa forma e com um futebol refinado?

Em 1988, a revista Placar foi ouvir Nei Conceição em seu confortável apartamento no bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Com muita disposição para falar no futuro, Nei Conceição demonstrou um certo contragosto em reviver o passado, mesmo que o assunto fosse o período de sucesso vivido no Botafogo.

Sem o vasto bigode e com o cabelo mais curto, Nei não quis falar em aposentadoria, como também não demonstrava preocupação com tanta coisa que já publicaram sobre ele.

Ainda com vontade de continuar no futebol, sua rotina para manter a forma física envolvia costumeiras corridas na praia e o bate bola com os amigos no São Cristóvão.

Dois momentos no tempo: Em 1972 no Maracanã e em 1988, batendo bola no São Cristóvão para manter a forma. Crédito: revista Placar – 15 de janeiro de 1988.

Nei da Conceição Moreira nasceu em São João do Meriti (RJ), no dia 8 de dezembro de 1946.

Com passagem pela Pavunense Futebol Clube, Nei chegou ao Botafogo de Futebol e Regatas em meados de 1963, onde foi lapidado na “oficina” do lendário seu Neca.

Conviveu com os remanescentes de uma fantástica geração que terminava e fez parte do nascimento de outra; entre eles Afonsinho, Rogério Hetmanek, Roberto Miranda e Jairzinho.

Habilidoso meio campista, Nei faturou títulos nas categorias amadoras e em pouco mais de três anos chegou ao elenco principal.

Lutando por uma posição, Nei testemunhou o Rio de Janeiro novamente se curvar aos pés do Botafogo, com os canecos da Taça Guanabara e do campeonato carioca em 1967 e 1968, além da Taça Brasil, também em 1968.

Botafogo e Palmeiras no Maracanã. Com Luís Pereira no chão, Nei Conceição sai limpo da jogada.

Nei Conceição e Hidalgo do Atlético Paranaense. Crédito: revista Placar – 30 de outubro de 1970.

No mês de julho de 1969, com a saída de Gerson, o “Canhotinha de Ouro” para o São Paulo, Nei finalmente conquistou seu merecido lugar entre os titulares.

Ao lado de Carlos Roberto, Nei formou uma boa dupla de meia cancha e encantou gente experiente como Saldanha, Zagallo, Paraguaio, Admildo Chirol e Sebastião Leônidas.

Até Pelé reconheceu o talento de Nei e não poupou elogios. Para o “Rei do Futebol”, Nei Conceição era o “Nei Chiclete”, tal sua facilidade para manter o couro nos pés.

Lembrado na Seleção Brasileira, Nei enfrentou os próprios fantasmas por seu temperamento forte e acabou prejudicado diante das sistemáticas de Zagallo.

Depois de perder o título carioca e da boa participação no campeonato brasileiro de 1971, Nei quase chegou ao título nacional em 1972, esbarrando na forte “Academia” de Leão, Dudu e Ademir da Guia.

Partida decisiva do campeonato carioca de 1971. Partindo da esquerda: Lula, Brito, Nei Conceição e Zequinha.

15 de dezembro de 1971 – Triangular decisivo do campeonato nacional. Nei Conceição e o goleiro Ubirajara não conseguem evitar que o ponteiro direito Terto desempate o jogo no Morumbi. O São Paulo venceu por 4×1. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Em General Severiano, Nei continuou batendo um bolão e causando suas controvérsias. Acusado de não se dedicar aos treinos foi perseguido pelos dirigentes.

Esteve para ser negociado com o Palmeiras, mas acabou emprestado ao Centro Sportivo Alagoano (CSA) para disputar o campeonato brasileiro de 1975.

E assim o Botafogo perdeu Nei, perdeu também General Severiano e os dias de festa foram transformados em coisas do passado.

No CSA, o técnico Laerte Dória estava feliz em contar com o futebol de Nei. Se o salário de 12.000 cruzeiros mensais já era suficiente para chamar a atenção, a fama de criador de casos aumentava ainda mais o interesse da imprensa local.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Formação do Botafogo em 1972. Em pé: Brito, Wendell, Valtencir, Nei Conceição, Osmar e Marinho Chagas. Agachados: Zequinha, Carlos Roberto, Jairzinho, Fischer e Ademir. Crédito: revista Placar.

Mas Nei adotou uma postura mais reservada em Maceió. Estava avesso aos microfones e só falava o necessário.

Conforme reportagem da revista Placar, em sua edição de 10 de outubro de 1975, Laerte Dória também conheceu o temperamento um tanto inconstante de Nei.

Em uma partida que seria disputada na cidade de São Paulo, Nei foi convocado para uma reunião no Hotel em que estavam hospedados. Mas não compareceu!

Procurado pelos homens da Comissão Técnica do CSA, Nei disparou que se o treinador tinha interesse em falar que fosse ao seu apartamento.

Nei Conceição e Paulo Cesar Caju em clássico no Maracanã. Crédito: revista Placar.

O Supervisor de Futebol Vassil Barbosa foi ao encontro do jogador e tentou colocar panos quentes. Mas Nei não desceu para falar com ninguém!

Afastado do time, Nei só saiu desse estado de transe quando conversou com o velho companheiro Torino.

O repórter da revista Placar, Carlos Cavalcante, estava empolgado com os progressos da entrevista e tentou saber um pouco mais. Cutucou até sobre o técnico Zagallo, que o afastou do time do Botafogo, entretanto Nei não avançou nesse assunto.

Depois da experiência em Alagoas, antes de deixar os gramados, Nei passou como um raio pelo Esporte Clube XV de Novembro de Jaú (SP), em 1977.

Nei no Centro Sportivo Alagoano. Crédito: revista Placar – 10 de outubro de 1975.

Nei no Centro Sportivo Alagoano. Crédito: revista Placar – 10 de outubro de 1975.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Orletti, Carlos Cavalcante e Bernardino Souto), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, Jornal O Globo, Jornal dos Sports, botafogo.com.br, gazetaesportiva.com, campeoesdofutebol.com.br, museudapelada.com, museudosesportes.blogspot.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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