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O mascote do Atlético Mineiro, o “Galo”, foi criado pelo chargista Fernando Pieruccetti, o popular “Mangabeiras” do jornal “A Folha de Minas”.

O simpático bichinho criado pelo chargista ganhou força na década de cinquenta, quando Zé do Monte entrava em campo com um galo nas mãos.

José do Monte Furtado Sobrinho, o Zé do Monte, nasceu em Abaeté (MG), no dia 3 de agosto de 1927. *Algumas fontes publicam o ano de seu nascimento em 1928.

No início da década de quarenta, Zé do Monte jogava na várzea defendendo um time chamado Eldorado. Em seguida foi convidado para fazer parte do Usina Esperança Futebol Clube, da cidade de Itabirito (MG).

E foi no futebol amador que o meio campista Zé do Monte despertou o interesse de Marcos Carneiro de Mendonça, o famoso goleiro que na época ocupava o cargo de presidente do Fluminense Football Club.

Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Seleção mineira no gramado de General Severiano em 1950, no Rio de Janeiro. Em pé: Afonso, Zé do Monte, Negrinhão, Duque, Chico e Luzitano. Agachados: Murilinho, Lauro, Aluisio, Alvinho e Nívio. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

O cartola do tricolor carioca estava no campo do Usina e assistiu o jovem Zé do Monte jogar um futebol de gente grande. O duelo terminou com uma goleada de 4×0 sobre o Meridional de Conselheiro Lafaiete.

Naquela oportunidade, Zé do Monte ainda era menor de idade e não se sentiu confiante ou mesmo motivado para se aventurar nos gramados do Rio de Janeiro.

Além disso, seu desejo era mesmo permanecer em Minas para tentar realizar o sonho de jogar pelo Atlético Mineiro, algo que só foi possível em 1945.

Em 1946 foi aproveitado no elenco principal pelo treinador uruguaio Felix Magno. A primeira participação ocorreu em 14 de abril de 1946, na vitória por 2×1 sobre o América pelo campeonato mineiro.

Crédito: revista Placar – 31 de julho de 1981.

Crédito: revista Placar – 31 de julho de 1981 – Matéria especial “Os gênios da Raça”.

Guerreiro abnegado da meia cancha, Zé do Monte nunca se arrependeu de largar o curso de Arquitetura para jogar futebol.

Em entrevista publicada na revista Grandes Clubes Brasileiros, Zé do Monte lembrou com um certo orgulho do dia em que tomou nove pontos no supercílio, e nem por isso deixou o gramado.

Naquele clássico contra o Cruzeiro, Zé do Monte recebeu os cuidados de uma sutura sem qualquer tipo de anestésico, o único fantasma que realmente o fazia tremer.

Zé do Monte também revelou ao repórter Sérgio Augusto Carvalho, que no início da década de cinqüenta o Palmeiras e o Fluminense tentaram contar com seu futebol.

No entanto, paulistas e cariocas desistiram das negociações quando os dirigentes do “Galo” fixaram seu passe em 800 mil cruzeiros antigos.

Crédito: revista Placar – 31 de julho de 1981.

Crédito: revista Placar – 17 de setembro de 1982.

Zé do Monte brilhou também no selecionado mineiro e foi campeão estadual nas edições de 1946, 1947, 1949, 1950, 1952, 1953, 1954 e 1955, além do título simbólico de “Campeão do Gelo”, em 1950.

Durante muitos anos ocupou o posto de capitão, atribuição que foi destituída por Yustrich em 1953, durante uma excursão ao Pará.

O mal estar foi iniciado quando Zé do Monte tomou partido em favor do companheiro Lucas, barrado no time pelo sempre polêmico treinador.

Então, como revide, além de afastar Zé do Monte das responsabilidades de capitão, Yustrich tentou proibir Zé do Monte de tomar sua costumeira cervejinha.

Após dez anos de muita dedicação ao Atlético, sua carreira foi encerrada de forma prematura, aos 27 anos de idade, em razão do agravamento de uma contusão nos meniscos.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista O Cruzeiro – Encarte ídolos do futebol brasileiro.

Poderia ter jogado por mais alguns anos. Mas, se existia algo que realmente o assustava era ser anestesiado.

Conforme publicado pela revista Placar em novembro de 1994, Zé do Monte realizou 443 partidas e marcou 26 gols com a camisa do Atlético Mineiro. *Outras publicações registram uma média de 320 partidas disputadas.

Depois do futebol tentou retomar os estudos de Arquitetura, mas se sentia inibido ao lado de tantos garotos.

Eleito vereador, Zé do Monte não ficou muito tempo na política. Trabalhou depois como encarregado do setor de Desenho Técnico do Instituto de Tecnologia de Minas Gerais. Também atuou como comentarista da Rádio Itatiaia.

Presente em várias votações do melhor “Atlético Mineiro de Todos os Tempos”, José do Monte Furtado Sobrinho faleceu na cidade de São Paulo (SP), em 27 de junho de 1990.

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Sérgio Augusto Carvalho e Arthur Ferreira), revista Esporte Ilustrado, revista O Cruzeiro, revista Grandes Clubes Brasileiros, museudosesportes.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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