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Adelardo Madalena, o guerreiro “Ladinho”, nasceu em Tubarão (SC), em 24 de janeiro de 1947.

Lateral esquerdo de origem, Ladinho iniciou sua trajetória no Esporte Clube Ferroviário em 1964. Mudou para a cidade de Joinville em 1968, quando foi contratado pelo América Futebol Clube.

Em 1970 foi emprestado para a Associação Portuguesa de Desportos, mas um desentendimento banal com o técnico João Avelino abreviou sua passagem pelo futebol paulista.

Conforme reportagem publicada pela revista Placar em 6 de dezembro de 1974, o mal estar entre João Avelino e Ladinho foi originado de forma curiosa e ganhou uma importância inesperada.

Ladinho, em destaque, no América (SC) em 1969. Crédito: ladinho-jogador.blogspot.com.br.

Crédito: revista Placar – 6 de dezembro de 1974.

João Avelino, embora um apreciador de trocadilhos, inicialmente pegou no pé do jovem catarinense com um comentário desnecessário:

– Ladinho? O que é isso? Não serve como nome de jogador de futebol. Vou te chamar de Madalena e pronto!

E ficou sendo Madalena mesmo, pelo menos enquanto esteve na Portuguesa de Desportos. Mas diziam também que tudo isso foi um pretexto para afastar Ladinho do time, antes um rapaz reconhecido e valorizado no Ferroviário e no América de Joinville.

Na época, Ladinho contou ao repórter Hélio Teixeira da revista Placar uma particularidade interessante. João Avelino recebia um prêmio para cada jogador amador da Portuguesa que fosse firmado no elenco principal.

– Eu não fui criado na Portuguesa… Essa má vontade do seu Avelino comigo começou desde que ele ficou sabendo do meu apelido, que carrego desde os tempos de minha infância.

Ladinho no Atlético Paranaense. Crédito: revista Placar – 6 de dezembro de 1974.

Ladinho no Atlético Paranaense. Crédito: revista Placar – 6 de dezembro de 1974.

Sem perspectivas no futebol paulista e com saudades da terra do chope e das excelentes broas de centeio, Ladinho decidiu deixar a Portuguesa.

Limpou seu armário e voltou para o América de Joinville. Afinal, esse tipo de situação não era nenhuma novidade para os jogadores de Santa Catarina.

Dificuldades para adaptação em outras praças também foram vividas por outros colegas catarinenses, espremidos entre o futebol gaúcho e paranaense.

Foi assim com o goleiro Jairo, com o zagueiro Beto Fuscão, com o volante Badeco, com o ponta direita Ratinho e com o centroavante Mickey.

Ladinho nos tempos do Atlético Paranaense e com a camisa da Seleção Catarinense. Crédito: revista Placar.

Ladinho, Tadeu e Oberdan. Crédito: revista Placar – 11 de fevereiro de 1977.

Campeão catarinense de 1971 pelo América, Ladinho recebeu uma visita do goleiro Jairo em 1973. Jairo tinha para oferecer uma proposta do Coritiba, na base da “troca” com o zagueiro Levir Culpi.

Mas os dirigentes do América de Joinville não queriam saber de nenhuma troca ou empréstimo. Só aceitavam conversar se fosse para vender o jogador em definitivo.

Com esse impasse entre o Coritiba e o América, o Clube Atlético Paranaense foi mais rápido e levou Ladinho para o “Caldeirão do Diabo”.

– Ainda bem. No Coritiba eu teria que brigar por um lugar com o Nilo. E aquele baixinho é muito bom de bola!

No início do campeonato paranaense, em razão de constantes problemas de contusão dos zagueiros do Atlético, o técnico Carabina precisou tirar Ladinho da lateral esquerda para aproveitá-lo na zaga.

Em foto de JB Scalco, um duelo particular entre Guina do Vasco e Ladinho do Grêmio. Crédito: revista Placar – 4 de agosto de 1978.

Em foto de JB Scalco, Ladinho mostra sua costumeira dedicação em campo. Crédito: revista Placar – 24 de novembro de 1978.

Além do bom futebol apresentado na zaga do Atlético, Ladinho tirou proveito da boa estatura e começou a marcar seus golzinhos.

Com 11 gols marcados, Ladinho cresceu de produção e foi o jogador mais regular do time na campanha do estadual de 1974.

Contratado pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense em 1977, Ladinho já era um jogador experiente quando chegou ao Olímpico e foi apresentado ao técnico Telê Santana.

Magrinho e franzino, Ladinho era um incansável nas tarefas de marcação e nas subidas ao campo de ataque.

Ao lado de outros veteranos como Tadeu e Oberdan, Ladinho participou da grande conquista estadual do Grêmio em 1977, quebrando um domínio regional do Internacional que já durava desde 1969.

Os duelos com Valdomiro. Crédito: revista Placar – 17 de novembro de 1978.

Foi sem dúvida a melhor fase de Ladinho no futebol. Até hoje seu nome é lembrado pelos torcedores mais antigos do Grêmio.

Novamente campeão gaúcho em 1979, Ladinho voltou para Santa Catarina em 1980, quando firmou compromisso com o Joinville Esporte Clube, lá permanecendo até 1983.

Jogou ainda pelo Avaí Futebol Clube, onde encerrou sua carreira como jogador profissional e durante algum tempo trabalhou como treinador em equipes de Santa Catarina.

Conforme participação do jornalista Léo Saballa no portal Terceiro Tempo, Ladinho sofreu um transplante renal bem sucedido em 2015, no Hospital Municipal São José de Joinville.

Adelardo Madalena, o Ladinho, atualmente vive em seu sítio, no Bairro Cruzeiro, em Tubarão (SC).

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Ladinho em sua época de Joinville Esporte Clube. Crédito: site do Milton Neves.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca, Hélio Teixeira e Mílton Ivan), revista Manchete Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, anoticia.clicrbs.com.br, ladinho-jogador.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por João Lucas Cardoso e Léo Saballa), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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