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Filho do pescador Manoel dos Santos Cruz e Maria Esposa dos Santos Cruz, Arlindo dos Santos Cruz nasceu em Vitória (ES), 26 de abril de 1940.

(*) A revista do Esporte de 15 de dezembro de 1962 publicou a data de nascimento em 26 de abril de 1943. Criado em Ilhéus (BA), o pequeno Arlindo estudou até o quarto ano primário na escola da Colônia dos Pescadores de Ilhéus.

Aos 12 anos de idade, ao lado do irmão Crispim, Arlindo ajudava o pai nas atividades da pesca. Mais tarde trabalhou como aprendiz de servente de pedreiro, carpinteiro e até sapateiro.

Algum tempo depois, Arlindo arrumou trabalho em uma empresa de embarque e desembarque de cacau. Ganhava 70 cruzeiros de dia e 150 no período noturno.

Jogando em equipes do futebol de várzea da região, Arlindo foi encaminhado aos quadros amadores do Esporte Clube Vitória, onde não permaneceu por muito tempo.

Crédito: revista do Esporte número 186 – Setembro de 1962.

Crédito: revista do Esporte número 197 – 15 de dezembro de 1962.

Seu Manoel, que não olhava o futebol como um meio de vida decente, inicialmente se negou em assinar o documento de autorização para a participação do filho em campeonatos amadores.

Foi Evergisto de Almeida, um amigo próximo da família, quem conseguiu convencer o velho Manoel para que o filho fosse ao Rio de Janeiro treinar no América.

Mas o rapaz, também conhecido como “Baianinho”, não levou muita sorte. Em razão do sapato apertado, Arlindo desenvolveu uma bolha no pé que logo se transformou em uma ferida, o que o impedia de treinar normalmente.

Os dirigentes do América até pagaram o tratamento, mas Arlindo engordou oito quilos e a oportunidade passou em branco.

Arlindo, que na época morava na casa de Antônio de Almeida, irmão de Evergisto de Almeida, fez questão de escrever para o pai comunicando que não voltaria mais para Ilhéus. Estava decidido em permanecer na “Cidade Maravilhosa”.

Evaldo e Arlindo. Crédito: revista do Esporte número 230 – 3 de agosto de 1963.

Treinou depois no Bangu e no Madureira. No entanto, a falta de incentivo financeiro para receber ao menos uma ajuda de custo foi determinante para Arlindo não prosseguir no Madureira.

Arrumou emprego no comércio e aos fins de semana jogava na várzea. Foi então que apareceu um convite do senhor Roberto Fux, que o levou ao Fluminense Football Club.

Paralelamente ao compromisso no Fluminense, Arlindo continuou jogando por uma equipe da várzea chamada Villa Futebol Clube, que naqueles tempos disputava torneios importantes no cenário amador.

Foi em uma partida do campeonato promovido pelo Jornal “Tribuna de Imprensa”, que um tal de Cavalcanti, funcionário do referido jornal, o encaminhou para treinar no Botafogo de Futebol e Regatas.

Depois de apenas dois treinos, Arlindo já fazia parte do elenco juvenil do Botafogo, onde conquistou o tricampeonato da categoria nas edições de 1961, 1962 e 1963.

Crédito: oglobo.globo.com – Agência O Globo.

O Botafogo em 1964 no Maracanã. Em pé: Mura, Elton, Manga, Zé Carlos, Nilton Santos e Rildo. Agachados: Jairzinho, Gerson, Arlindo, Roberto e Humberto. Crédito: oglobo.globo.com – Agência O Globo.

Promovido ao elenco principal, Arlindo continuou sua forte amizade com Roberto Miranda, com quem viveu grandes momentos no juvenil do Botafogo.

Integrante do elenco medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de São Paulo em 1963, Arlindo foi campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1964, um título dividido com o Santos.

Abaixo, uma das importantes participações do meia atacante Arlindo durante o Torneio Rio-São Paulo de 1964:

3 de maio de 1964 – Torneio Rio-São Paulo – Palmeiras 3×4 Botafogo – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Wilson Lopes de Souza – Gols: Élton aos 7’, Gildo aos 33’, Servílio aos 48’, Arlindo aos 78’, Gérson (pênalti) aos 80’, Servílio aos 87’ e Jairzinho aos 90’.

Palmeiras: Picasso; Ferrari, Djalma Dias e Geraldo Scotto; Zequinha e Carabina; Julinho, Ademar, Vavá (Tupãzinho), Servílio e Gildo. Técnico: Sylvio Pirillo. Botafogo: Manga, Joel, Zé Maria, Nilton Santos e Paulistinha; Élton e Gérson; Garrincha, Jairzinho, Arlindo e Zagallo (Quarentinha). Técnico: Adalberto.

Crédito: revista do Esporte.

Arlindo e Gerson. Crédito: revista do Esporte número 269 – Maio de 1964.

Grande revelação do futebol carioca e uma das promessas para a Copa do Mundo de 1966, Arlindo recebeu uma boa proposta do futebol mexicano e resolveu deixar o Botafogo no início de 1965.

Diante da notícia da venda do jogador, conselheiros e torcedores influentes manifestaram uma indignação que ganhou proporções inesperadas.

Mas o clube apresentou uma carta do próprio Arlindo solicitando sua pronta liberação, como uma forma de melhorar de vida e finalmente poder comprar uma casa para os pais.

Na oportunidade, o empresário Cacildo Oses revelou para revista do Esporte número 311, os valores envolvidos na negociação com o Club de Fútbol América do México.

O jogador assinou um contrato de dois anos, com luvas de 7.500 dólores (o equivalente a 13 milhões de cruzeiros), com liberação prevista para defender a Seleção Brasileira caso fosse convocado.

Crédito: revista do Esporte número 311 – 20 de fevereiro de 1965.

Crédito: revista do Esporte número 323 – 15 de maio de 1965.

Arlindo, também conhecido pelos companheiros do América como “Memín”, entrou para a história do futebol mexicano em 29 de maio de 1966, ao fazer o primeiro gol Estádio Azteca na partida de inauguração.

O jogo, entre o campeão mexicano América e o Torino da Itália, terminou com um empate no marcador por 2×2.

O Estádio Azteca, conhecido mundialmente por sua arquitetura inovadora, já foi palco de duas finais de Copa do Mundo, em 1970 e 1986.

Depois da marcante passagem pelo América, Arlindo continuou no futebol mexicano e defendeu o Pachuca e o Deportivo Toluca.

Conforme publicado pelo site do Milton Neves, Arlindo ainda reside no México. Depois de deixar o futebol profissional trabalhou no América como funcionário e mantém um restaurante na capital mexicana.

No Rio de Janeiro para resolver compromissos particulares, Arlindo aparece ao lado dos pais. Foto de Jorge Renato. Crédito: revista do Esporte número 365 – 6 de março de 1966.

29 de maio de 1966. O América do México empatou com o Torino da Itália em 2×2 na inauguração do Estádio Azteca. Na foto, Arlindo comemora o primeiro gol do Estádio Azteca em um lindo chute de fora da área. Crédito: clubamerica.com.mx.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte (por De Santis, Jorge Renato, Jurandir Costa e Tarlis Batista), revista Manchete Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, esportes.estadao.com.br – Arquivo/Estadão, globoesporte.globo.com, oglobo.globo.com – Agência O Globo, clubamerica.com.mx, clubamericanista.com.mx, site do Milton Neves.

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