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O artigo publicado na revista Manchete Esportiva ofereceu aos leitores os detalhes da volta do goleiro Luíz Borracha ao Flamengo:

… Para que uma injustiça seja reparada é preciso que seja manifestado o altruísmo de quem a cometeu… 

Sim amigos, Luíz Borracha voltou ao Flamengo, mas como Massagista. Seu martírio foi iniciado em uma tarde infeliz de 1948, quando uma legião de rubro-negros revoltados o acusaram injustamente de “gaveteiro”. 

Luíz Gonzaga de Moura nasceu na cidade de Lavras (MG), em 1 de novembro de 1920. Começou sua carreira em meados de 1938, no Minas Sport Club de Barra Mansa (RJ).

Permaneceu na agremiação de Barra Mansa até o ano de 1943, quando foi contratado pelo Clube de Regatas do Flamengo. Dedicado, Luíz não decepcionou quando foi preciso substituir o titular Jurandyr, também conhecido como o “Rei dos Pênaltis”.

Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Ganhou prestígio rapidamente e sua elasticidade impressionou o exigente locutor esportivo Ary Barroso, que logo o apelidou de “Luíz Borracha”.

No entanto, uma curiosa mácula pessoal começava a ser desenhada nas partidas contra o Botafogo. Na estreia do Torneio Relâmpago de 1944, o Flamengo de Luíz Borracha foi goleado no Estádio de São Januário.

Abaixo, os registros da maiúscula vitória do Botafogo sobre o Flamengo no Torneio Relâmpago de 1944:

8 de março de 1944 – Torneio Relâmpago do Rio de Janeiro – Flamengo 2×6 Botafogo – Estádio de São Januário – Árbitro: Mário Vianna – Gols: Tião e Zizinho para o Flamengo; Afonsinho (2), Heleno (2) e Reginaldo (2) para o Botafogo.

Flamengo: Luíz Borracha (Doly), Artigas e Newton; Quirino (Gualter), Bria (Tião) e Jayme; Nilo, Zizinho, Djalma, Jacy e Vevé. Botafogo: Oswaldo Baliza, Hernandez e Luzitano; Zarci, Santamaria e Negrinhão; Afonsinho, Otávio (Tovar), Heleno, Limoeirinho e Reginaldo.

Crédito: reprodução revista O Globo Sportivo – 18 de outubro de 1946.

Integrante do elenco campeão carioca de 1943 e 1944, com a saída do goleiro Jurandyr para o Corinthians em 1946, Luíz Borracha foi efetivado como titular pelo técnico Flávio Costa.

E foi o mesmo Flávio Costa que o aproveitou no selecionado carioca e também na Seleção Brasileira durante o Sul Americano de 1946, vencido pela Argentina.

No ano seguinte, Flávio Costa manteve Luíz Borracha na meta do escrete que faturou a Copa Rio Branco de 1947.

No cenário doméstico, enquanto o Flamengo perdia o domínio regional, Luíz Borracha permanecia intocável na meta do Flamengo. Até que chegou o dia de mais um malfadado clássico contra o Botafogo em General Severiano.

Naquela jornada, o quadro da Gávea deixou o primeiro tempo com uma vantagem de 2×0 no marcador. Depois, com o placar de 3×1 já na segunda etapa, a contenda parecia definida em favor do Flamengo.

O goleiro do Flamengo Luíz Borracha se antecipa e fica com a bola na investida de Orlando do Fluminense. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 505 – 11 de dezembro de 1947.

Mas Octávio descontou para o Botafogo e Braguinha empatou o jogo. E foi esse gol de Braguinha que deu início ao processo de “fritura pública” de Luíz Borracha.

Depois de um choque casual entre Biguá e Luíz Borracha, a bola sobrou limpa para Braguinha marcar. Então, o experiente Biguá colocou suas mãos na cintura e praticamente jogou os torcedores do Flamengo contra o goleiro.

Em seguida, os gols de Pirillo e Paraguaio deram números finais ao surpreendente placar de 5×3 para o Botafogo. Foi o suficiente para que murmurinhos fossem transformados em acusações injustas ao goleiro Luíz Borracha: Venal, gaveteiro… 

28 de novembro de 1948 – Campeonato carioca segundo turno – Botafogo 5×3 Flamengo – Estádio de General Severiano – Árbitro: Devine – Gols: Ávila, Octávio, Braguinha, Pirillo e Paraguaio para o Botafogo; Gringo (2) e Durval para o Flamengo.

Botafogo: Oswaldo Baliza, Gerson dos Santos e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirillo, Octávio e Braguinha. Flamengo: Luíz Borracha, Nilton e Norival; Biguá, Bria e Jayme; Luisinho, Zizinho, Gringo, Jair Rosa Pinto e Durval. 

Newton, Luiz Borracha e Miguel. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 507- 25 de dezembro de 1947.

O Flamengo em 1947. Em pé: Norival, Luíz Borracha, Newton, Biguá, Bria e Jayme. Agachados: Adilson, Tião, Pirillo, Jair Rosa Pinto e Vevé. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Mas esse não foi o último capítulo da família “Borracha” na história dos confrontos entre Botafogo e Flamengo.

Filho de Luíz Borracha, José Luíz de Moura também foi goleiro e ganhou o apelido de “Borrachinha”. Curiosamente, Borrachinha iniciou sua carreira no Flamengo e após passar por várias equipes defendeu o Botafogo nos anos setenta.

Borrachinha participou da histórica vitória do Botafogo sobre o Flamengo por 1×0 em 1979. Esse resultado impediu o time da Gávea de ultrapassar o recorde de invencibilidade de 52 jogos do próprio Botafogo.

E voltando ao tema Luíz Borracha, depois do jogo contra o Botafogo, sua escalação foi confirmada nos últimos compromissos do Flamengo no campeonato carioca de 1948, mas o ambiente já não era mais o mesmo.

Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

O filho de Luiz Borracha, o “Borrachinha”, jogou pelo Botafogo na década de setenta. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Depois de 154 partidas com a camisa do Rubro-Negro, seu passe foi negociado com o Bangu Atlético Clube em 1949.

No Bangu, Luíz Borracha disputou boas partidas, principalmente na campanha de 1950, quando o time de “Moça Bonita” faturou o Torneio Início e terminou em terceiro lugar na tábua final de classificação do campeonato carioca.

E por falar no campeonato de 1950, Luíz Borracha teve seu dia de “forra” contra o Flamengo na tarde de 20 de agosto, quando o Bangu goleou o time da Gávea por 6×0 no Maracanã.

O bom momento continuou até o dia 11 de março de 1951, quando Bangu e Vasco da Gama se enfrentaram no Maracanã pelo Torneio Rio São Paulo.

O Bangu vencia por 3×2 até Ademir Marques de Menezes fazer dois gols e virar o jogo para o Vasco em 4×3. Conforme publicado no site bangu.net, o goleiro do Bangu foi duramente criticado nas páginas do Jornal O Globo e da revista O Globo Sportivo.

A manchete da reportagem da revista O Globo Sportivo foi dura: “Borracha derrotou o Bangu”. Crédito: bangu.net.

Time do Bangu que disputou o Torneio Rio São Paulo 1951 e foi vice campeão carioca. Em pé: Mendonça, Mirim, Pinguela, Luíz Borracha, Rafagnelli e Sula. Agachados: Menezes, Zizinho, Joel, Décio Esteves e Teixeirinha. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

De fato, Luíz Borracha nunca mais teve outra chance de se redimir e o Bangu o dispensou para o São Cristóvão. Pelo alvirrubro foram 65 jogos com 36 vitórias, 15 empates, 14 derrotas e 92 gols sofridos.

Depois de disputar o campeonato carioca de 1952 pelo São Cristóvão, Luíz Borracha foi transferido para o Club Universidad de Caracas (Venezuela), onde encerrou sua carreira em 1954.

Em 1956 Luíz Borracha recebeu um convite para voltar aos domínios da Gávea como Auxiliar de Massagista. Para o Flamengo, um exercício de justiça, ainda que tardia!

Luíz Gonzaga de Moura, o goleiro Luíz Borracha, faleceu no Rio de Janeiro em 1993.

O São Cristóvão em 1952. Em pé: Índio, Laerte, Luíz Borracha, Aloísio, Nei e Bulau. Agachados: Motorzinho, Humberto, Cabo Frio, Ivan e Carlinhos. Crédito: revista Esporte Ilustrado – Novembro de 1952.

Luíz Borracha volta ao Flamengo, como Massagista. Crédito: revista Manchete Esportiva – 1956.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Mílton Costa Carvalho e Raul Quadros), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Globo Sportivo, globoesporte.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, bangu.net, flamengo.com.br, mundobotafogo.blogspot.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, Livro: Goleiros – Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1 – Paulo Guilherme – Editora Alameda Casa Editorial.

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