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Uma tia profetizou que aquele guri magrinho não se criava. Então a mãe do pequeno Dirceu fez uma promessa para Bom Jesus do Iguape e ofereceu os cabelos do filho em troca de saúde.

Tempos depois, o casal Guimarães foi pagar a promessa. Afinal, Dirceuzinho ganhou peso suficiente para afastar o agouro proferido.

Dirceu José Guimarães nasceu no dia 15 de junho de 1952, em Curitiba (PR).

Criado em uma pequena casa de madeira no bairro de Bacacheri, em Curitiba, Dirceu começou sua caminhada no futebol nas equipes amadoras do Vila São Pedro e do Bacacheri.

O pai, José Ribeiro Guimarães, também conhecido como seu “Juca”, sempre acompanhou de perto a habilidade do filho com o couro nos pés.

Fotos de Sérgio Sade e Zeka Araújo. Crédito: revista Placar – 29 de junho de 1973.

Dirceu chuta para marcar o gol da vitória do Brasil sobre a Alemanha, partida disputada em junho de 1973. Crédito: impromptuinc.wordpress.com.

Até que um dia o lar dos Guimarães foi invadido por uma onda de muita felicidade, época em que Dirceu encontrou espaço nas categorias amadoras do Coritiba Foot Ball Club.

Ao lado do inseparável amigo Levir Culpi, os dois seguiam juntos de bicicleta para treinar no time orientado por Ernesto Marques.

Conforme publicado pela revista Placar de 29 de junho de 1973, Dirceu ganhou reconhecimento rapidamente. Inicialmente ganhava uma ajuda de custo de 50 cruzeiros no Infanto Juvenil. Depois, esse valor passou para 120 cruzeiros.

Quando chegou ao time Juvenil foi reajustado para 300 cruzeiros e em seguida assinou seu primeiro “contrato de gaveta”, com uma remuneração de 500 cruzeiros.

Dirceu deixou o Paraná para fazer muito sucesso no Rio de Janeiro. Crédito: revista Placar – 15 de novembro de 1974.

Em pé: Miranda, Wendell, Mauro Cruz, Osmar, Marinho Chagas e Carbone. Agachados: Rogério, Carlos Roberto, Cremilson, Nilson Dias e Dirceu. Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 50 times do Botafogo.

Dono de um futebol solidário de folêgo incansável, Dirceu era escalado na ponta esquerda, embora sempre tenha apoiado o setor de meia cancha na marcação e distribuição de jogo.

Campeão paranaense nas edições de 1971 e 1972, a pressão por um contrato profissional foi adiada com sua convocação para os Jogos Olímpicos de Munique em 1972.

Foi então que seu Juca procurou os dirigentes do Coritiba para melhorar os valores do tal “contrato de gaveta”.

Esperava receber uma proposta compatível com a velocidade do sucesso do filho. No entanto, o clube afirmou que não poderia passar de 1.200 cruzeiros mensais.

Em mais uma das jogadas do presidente Horta, Dirceu deixou o Botafogo para jogar na “Máquina”. Crédito: revista Placar.

Crédito: revista do Fluminense número 181 – Setembro / Outubro 1976.

Indignado, seu Juca afirmou que se fosse preciso Dirceu deixaria de lado o futebol. Mas o desempenho na olimpíada foi acima do esperado e assim o contrato foi renovado em 3.000 cruzeiros.

De forma inesperada, o Coritiba não tinha mais forças para segurar o rapaz no Alto da Glória. Por 400.000 cruzeiros o Botafogo de Futebol e Regatas bateu o martelo e levou Dirceu.

Foi um salto muito grande. Dirceu chegou ao Rio de Janeiro ganhando 8.000 cruzeiros e apenas dois meses depois recebeu um aumento de 50%.

Em grande fase física e técnica, a efetivação na Seleção Brasileira representou uma compensadora renovação de contrato com o Botafogo, que aceitou pagar os 20.000 cruzeiros colocados na mesa de negociação.

Crédito: revista Placar.

O Brasil na preparação para a Copa do Mundo de 1978. Em pé: Oscar, Leão, Zé Maria, Edinho, Amaral e Toninho Cerezo e Admildo Chirol. Agachados: O massagista Nokaute Jack, Gil, Zico, Reinaldo, Rivellino e Dirceu. Crédito: soccernostalgia.blogspot.com.br.

Dirceu foi muito bem na Seleção Brasileira, inclusive marcando o gol da vitória por 1×0 sobre a Alemanha, em amistoso disputado em 16 de junho de 1973.

E o técnico canarinho Mário Jorge Lobo Zagallo era só alegria. Dirceu era uma verdadeira “formiguinha” tática em campo, o que lembrava muito o estilo do próprio Zagallo em sua época de jogador.

Em 1974 disputou sua primeira Copa do Mundo na Alemanha. Permaneceu nas fileiras do Botafogo até 1976, quando Francisco Horta realizou o sonho de contar com seu futebol nas engrenagens da “Máquina” do Fluminense.

Campeão carioca de 1976, o fato é que a “Máquina” tricolor emperrou e foi superada pelo crescimento dos rivais. Dessa forma, em 1977, Dirceu assinou com o Club de Regatas Vasco da Gama.

Campeão carioca de 1977, Dirceu foi lembrado pelo técnico Cláudio Coutinho e disputou sua segunda Copa do Mundo na Argentina. No mesmo ano, seu passe foi negociado com o Club de Fútbol América do México.

Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 24 de março de 1978.

Dirceu no América do México e no Atlético de Madrid. Crédito: revista Placar.

Depois de apenas 1 temporada no futebol mexicano, Dirceu foi transferido para o Club Atlético de Madrid. Apesar da falta de títulos importantes em suas passagens pelo México e pela Espanha, seu futebol continuava em alta quando o assunto era Seleção Brasileira.

E Telê Santana também não abriu mão de sua obediência tática. Dirceu disputou seu terceiro mundial em 1982, na Espanha.

Entre 1982 e 1987, Dirceu passou por vários clubes italianos: Verona, Napoli, Ascoli, Como e Avelino. Apesar do sonho de disputar novamente uma Copa do Mundo, o interminável Dirceu não foi lembrado em 1986.

Mesmo fazendo parte de uma grande safra do futebol brasileiro nas décadas de 70 e 80, Dirceu nunca teve muita sorte nas edições da Copa do Mundo que disputou.

Em 1974 amargou um quarto lugar. Em 1978 foi “campeão moral” e ficou com o terceiro lugar. Na Espanha, em 1982, fez parte do elenco que encantou o mundo, mas não passou da quinta colocação. Ao todo foram 44 partidas disputadas pelo escrete.

Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 14 de abril de 1986.

Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 14 de abril de 1986.

Retornou ao futebol brasileiro em 1988, quando novamente assinou com o Vasco da Gama e faturou o título estadual.

No entanto, essa segunda passagem pelo Vasco durou pouco. De volta ao exterior, Dirceu “formiguinha” passou novamente pelo futebol italiano, norte-americano e mexicano.

Dirceu ainda viveu algum tempo em Ancona na Itália, onde jogou pelo time de Futebol de Salão da cidade e foi proprietário de um restaurante.

Dirceu faleceu aos 43 anos de idade, em um acidente automobilístico na madrugada de 15 de setembro de 1995. Seu Puma foi atingido por um Monza na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca.

No Puma, com Dirceu, estava o amigo italiano Pasquale Sázio, que também morreu.

Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 14 de abril de 1986.

Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Fernando Pimentel, Hélio Teixeira, José Maria de Aquino, Luci Vasconcelos, Marcelo Rezende, Raul Quadros, Rodolpho Machado, Rosane de Andrade, Sérgio Berezovsky, Sérgio Sade, Vladir Dupont e Zeka Araújo), revista do Fluminense, revista Football Magazine, revista Manchete Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, colchonero.com, gazetaesportiva.com, globoesporte.globo.com, impromptuinc.wordpress.com, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti e Milton Neves), soccernostalgia.blogspot.com.br, tribunapr.com.br (por Edilson Pereira), Álbum de figurinhas Panini, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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