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Na década de 1960, a cor predominante nas camisas dos goleiros ainda era basicamente o preto e o cinza. Entre aqueles que preferiam variar um pouco, os tons mais escolhidos ficavam entre o azul e o bordô.

Até o dia em que o goleiro do Cruzeiro, Raul Plassmann, surpreendeu o Mineirão com uma camisa amarela, em estilo “gola role”.

É bem verdade que essa opção não foi uma estratégia de Marketing Pessoal previamente elaborada.

O fato teve origem ainda no vestiário, quando a camisa oficial do Cruzeiro não se ajustou bem ao corpo do goleiro.

Então, Raul observou um blusão amarelo, de tecido grosso, pendurado no cabide do lateral Neco. Sem alternativa, Raul foi para o jogo vestido com uma cor totalmente incomum ao então conservador “mundo da bola”.

Em 1972, Paulo Machado de Carvalho entrega o troféu de campeão da Taça São Paulo de Futebol Júnior ao goleiro Tonho do Nacional. Crédito: revista Placar – 5 de fevereiro de 1988 – Acervo Nacional Atlético Clube.

O Palmeiras nos anos 70, em uma das raras formações sem o goleiro Leão. Em pé: Polaco, Tonho, João Carlos, Alfredo Mostarda, Dudu e Zeca. Agachados: Fedato, Ademir da Guia, Mário, Leivinha e Nei. Crédito: gazetaesportiva.net.

Anos mais tarde, quando inovar não era mais considerado uma aberração, o goleiro Tonho do Santo André adotou o uso de um uniforme totalmente quadriculado, o que lhe valeu o apelido de “Tabuleiro Voador”.

Antônio Santos da Silva, o goleiro “Tonho”, nasceu na cidade de São Paulo (SP), em 12 de dezembro de 1954.

Sua trajetória foi iniciada nos quadros amadores do Nacional Atlético Clube (SP), onde inclusive conquistou a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1972.

Com grande prestígio e considerado como uma grande revelação da Copa São Paulo, Tonho foi contratado pela Sociedade Esportiva Palmeiras.

No alviverde, Tonho teria pela frente uma missão no mínimo desafiadora!

Afinal, Leão era o titular absoluto da meta esmeraldina, enquanto também trilhava seguro na Seleção Brasileira.

Crédito: revista Placar – 8 de abril de 1977.

Tonho também passou pelo Náutico Capibaribe. Foto de Arlindo Marinho. Crédito Revista Placar – 8 de abril de 1977.

Além disso, Raul Marcel seguia inabalável na suplência de Leão, o que deixava Tonho em terceiro plano ao lado de Bernardino, que voltou ao Parque Antártica depois de uma boa passagem pelo Juventus.

Com a esperada convocação de Leão para disputar a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, Tonho e Raul Marcel ganharam oportunidades importantes, inclusive na disputa da Taça Libertadores da América de 1974.

Pelo Palmeiras, Tonho participou do elenco que faturou o campeonato paulista de 1974 e o Torneio Ramón de Carranza, nas edições de 1974 e 1975.

Ao todo foram apenas 13 partidas disputadas pelo alviverde; com 9 vitórias, 4 derrotas e 10 gols sofridos. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Tonho, em destaque, quando jogou pela Francana (SP) em 1978. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1979.

Em 1976 Tonho firmou compromisso com o Clube Náutico Capibaribe (PE) para disputar o campeonato pernambucano.

No findar de 1977 voltou ao cenário paulista para defender mais uma camisa alviverde na Associação Atlética Francana.

Após uma rápida passagem pela Esportiva de Guaratinguetá (SP), Tonho conquistou o importante título da Segunda Divisão pelo São José (SP) em 1980.

Em 1981 faturou novamente o título da Segunda Divisão pelo Santo André, equipe onde permaneceu até 1985. No mesmo ano, o goleiro disputou 7 compromissos pelo São Paulo Futebol Clube.

Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1979.

Selecionado paulista da Divisão Intermediária em 1979. Em pé: Darcy, Tonho, Otávio, Ademir Gonçalves, Fernandinho, Fidélis e o técnico Henrique Passos. Agachados: Amauri, Bona, Tião Marino, Ademir Melo e Betinho. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1979.

Os goleiros Abelha e Barbirotto não passavam por um bom momento. Assim, Tonho foi trazido do Santo André para participar da reta final do campeonato brasileiro de 1985.

No entanto, uma partida contra o Grêmio marcou negativamente sua caminhada no time do Morumbi.

Em uma cobrança de falta do volante gremista Bonamigo, o goleiro tricolor deixou a bola passar ao entender que o árbitro José Roberto Wright tinha determinado a cobrança em dois lances.

O jogo terminou empatado em 2×2 e o São Paulo foi desclassificado da competição.

Depois do São Paulo, Tonho ainda voltou ao Santo André, para em seguida assinar com o Esporte Clube Vitória (BA).

O São José, que conquistou o direito de voltar ao grupo da Primeira Divisão do campeonato paulista em 1980. Em pé: Darcy, Ademir Mello, Valter Passarinho, Ademir Gonçalves, Nelsinho e Tonho. Agachados: Edinho, Tata, Tião Marino, Esquerdinha e Nenê. Crédito: revista Placar.

Com uma carreira bastante movimentada em vários estados do Brasil, Tonho defendeu muitas equipes até deixar os gramados de forma definitiva nos anos 90:

– Goiatuba (GO), Sampaio Corrêa (MA), Santo André (SP), São Bernardo (SP) e Rio Preto (SP). *Algumas fontes registram também passagens pelo Coritiba (PR) e Juventus (SP).

Tonho também ofereceu sua importante experiência como preparador de goleiros em algumas equipes do interior paulista.

Conforme divulgado pelo site do Milton Neves, o atacante Mário Motta (ex-Palmeiras e Corinthians) informou o falecimento do goleiro Tonho, que morava em Pirituba, bairro da Zona Oeste da capital paulista.

Foto de Ricardo Beliel. Crédito: revista Placar – 1 de março de 1985.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arlindo Marinho, Lenivaldo Aragão, Manoel Motta, Mário Sérgio Venditti e Ricardo Beliel), revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, acervo Nacional Atlético Clube, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, jogadoresdopalmeiras.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Gustavo Grohmann e Raphael Cavaco), Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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