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Paulo Amaral apreciava muito comandar os treinamentos do alto das românticas arquibancadas das Laranjeiras.

Seus gritos, costumeiramente ouvidos até do lado de fora do clube, ainda eram alguns resquícios do tempo em que colocava os jogadores sob rédea curta nos exercícios físicos.

Cabeça raspada e corpo musculoso, o treinador do Fluminense ainda calculava os efeitos da derrota para o Bahia por 1×0, jogo válido pela Taça de Prata de 1970.

O Fluminense caminhava bem no início da Taça de Prata. No entanto, esse escorregão frente ao Bahia poderia trazer de volta o turbilhão de críticas pelo insucesso na Taça Guanabara de 1970.

Nome sempre lembrado quando o assunto é Seleção Brasileira, Paulo Lima Amaral nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 18 de outubro de 1923.

Sempre concentrado, Paulo Amaral trabalhava muito nos treinos. Crédito: revista do Esporte número 263.

Seguido por Zózimo, Nilton Santos pula barreira enquanto é acompanhado por Paulo Amaral. Crédito: revista do Esporte número 165 – 5 de maio de 1962.

Bem longe de ser considerado um primor de zagueiro na década de 1940, época em que defendeu o Botafogo e o Flamengo, o jovem Paulo Amaral estabeleceu seus objetivos para o futuro no curso de Educação Física, disciplina em que foi diplomado no ano de 1948.

No início da década de 1950, Paulo Amaral trabalhou como Preparador Físico no Botafogo, além de também colaborar na orientação técnica do quadro de Aspirantes.

Sério e dedicado, seus métodos inovadores na preparação física conquistaram notório reconhecimento, o suficiente para que seu nome fosse lembrado para fazer parte da comissão técnica canarinho no mundial de 1958.

Na bucólica concentração de Hindas, na Suécia, Paulo Amaral sempre foi questionado por sua rigidez quase militar.

Com o andamento da competição, nos cafés e bares de Gotemburgo, Paulo Amaral ficou conhecido pelos torcedores como o “Sargento de Ferro”.

Paulo Amaral no Corinthians. Crédito: revista do Esporte.

Paulo Amaral no Parque São Jorge em 1964. Crédito: revista do Esporte número 365.

Em sua busca frenética para oferecer um condicionamento perfeito aos jogadores, Paulo Amaral quase comprometeu.

O certo é que os comandados de Vicente Feola sobraram em campo quando foi preciso. O time correu, marcou e ocupou espaços, sem qualquer demonstração de fadiga muscular.

Paulo Amaral voltou ao cenário doméstico devidamente reconhecido pelo sucesso na Copa do Mundo da Suécia.

Assumiu o comando técnico do Botafogo em 1960 e na temporada seguinte foi para o Vasco da Gama, equipe onde continuou seu aprendizado como treinador. Apesar do grande empenho na nova função, Paulo Amaral não conseguia deixar para trás o rótulo de preparador físico.

Novamente na comissão técnica da Seleção Brasileira no mundial de 1962, Paulo Amaral tinha pela frente o desafio de tirar o máximo de uma equipe considerada envelhecida.

Persistência nos treinos para antecipar e corrigir falhas. Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1970.

Com Paulo Amaral em destaque, o Fluminense no gramado das Laranjeiras. Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1970.

Como esperado, sua experiência manteve em campo várias estrelas da conquista do mundial de 1958, embora seu trabalho, em conjunto com o departamento médico, não tenha conseguido recuperar Pelé em tempo hábil.

Bicampeão mundial de futebol, o nome de Paulo Amaral ultrapassou fronteiras. Trabalhou na Juventus Football Club de Turim, antes de voltar ao Brasil em 1964, quando firmou compromisso com o Sport Club Corinthians Paulista.

No Corinthians, Paulo Amaral comandou o time em 28 compromissos com 16 vitórias, 4 empates e 8 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.

Com uma proposta tentadora da Genoa da Itália, Paulo Amaral deixou o Parque São Jorge e voltou ao cenário europeu.

Na Copa do Mundo de 1966, Paulo Amaral foi substituído no trabalho de preparação física pelo professor Rudolf Hermanny, o que representou mais um dos muitos equívocos cometidos na Inglaterra.

Crédito: revista Placar – 6 de novembro de 1970.

O bom careca era inflexível. Fotos de João Rodrigues. Crédito: revista Placar – 14 de maio de 1971.

Campeão da Taça de Prata de 1970 pelo Fluminense, Paulo Amaral comandou o selecionado do Paraguai em 1973, uma passagem bastante conturbada!

Paulo Amaral trabalhou ainda como treinador em várias equipes. Orientou o Bahia (BA), Atlético Mineiro (MG), Clube do Remo (PA), América (RJ), Guarani (SP); além de passagens pelo futebol da Arábia Saudita e Portugal.

Lembrado por seu temperamento sempre protocolar com os jogadores, Paulo Amaral também era um homem de “pavio curto”.

No famoso Brasil 3×1 Uruguai, compromisso válido pelo Campeonato Sul-Americano de 1959, o jogo ficou marcado por uma verdadeira batalha campal. Paulo Amaral, que nunca foi de levar desaforos para casa, também entrou em campo e sem muito esforço derrubou vários uruguaios.

Paulo Lima Amaral faleceu no dia 1 de maio de 2008, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Paulo Amaral no selecionado do Paraguai em 1973. Foto de Raimundo de Jesus. Crédito: revista Placar – 20 de julho de 1973.

A fama de “durão” sempre acompanhou Paulo Amaral. Foto de Carlos Catela. Crédito: revista Placar – 10 de junho de 1983.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Catela, Carlos Libório, Fausto Neto, Fernando Escariz, Fernando Pimentel, Hélio Teixeira, João Rodrigues, José Roberto Tedesco, Raimundo de Jesus, Raul Quadros e Teixeira Heizer), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista do Fluminense, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal Mundo Esportivo, Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves, vasco.com.br, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, Álbum de Figurinhas Panini, albumefigurinhas.no.comunidades.net.