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Santos, 21 de novembro de 1964. Eram apenas 16 minutos do primeiro tempo quando o goleiro Machado do Botafogo de Ribeirão Preto foi vencido pela terceira vez. Mas aquele sábado chuvoso ainda prometia mais!

Pelé, em uma jornada digna de sua majestade, marcava seu terceiro gol no jogo, sem, no entanto, apresentar qualquer sinal de que estava acomodado.

” Era preciso amarrar o jogo, mas Pelé não deixou “, afirmava o ofegante Machado, que manteve sua esportividade nas 11 vezes em que foi vazado no prélio.

A goleada colocou o nome do goleiro do Botafogo nos anais da história do futebol paulista. Mas para Machado, o placar dilatado não espelhou a grandeza de sua atuação.

Apesar do resultado, Machado foi reconhecido pela crítica esportiva e deixou o gramado da Vila Belmiro como o melhor jogador em campo.

Foto de Tony Miysaka. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 181 – Abril de 1961.

Formação do Botafogo de Ribeirão Preto. Em pé: Machado, Julião, Sula, Antônio Julião, Gonçalves e Dicão. Agachados: Fernando, Moreno, Amorim, Neco e Paulinho. Foto enviada por Roberto Saponari ao site do Milton Neves.

Galdino Machado nasceu no bairro da Mooca, Zona Leste da cidade de São Paulo (SP), em 4 de novembro de 1934.

Machado começou no futebol varzeano da região, até ser encaminhado aos quadros amadores do Clube Atlético Juventus.

Mesmo com muita luta e disposição, Machado não foi muito feliz no time da Rua Javari. Pouco tempo depois, seus direitos esportivos foram colocados em disponibilidade.

Em 1955 o arco do Botafogo de Ribeirão Preto era ocupado por Garito, um veterano que representava muita confiança aos companheiros.

Foi então que apareceu o jovem Machado, que ignorando o tamanho do desafio se mostrava decidido em brigar pelo lugar de titular.

Pelé não para de marcar, para desespero do goleiro Machado. Crédito: reprodução Jornal A Gazeta Esportiva.

Mesmo com o placar dilatado, Machado deixou o gramado como o melhor jogador em campo. Crédito: acervosantista.com.br.

Com pouco tempo de clube, Machado participou da campanha que levou o Botafogo ao título da Segunda Divisão do campeonato paulista de 1956, em duros confrontos contra o Paulista de Jundiaí.

E o jovem goleiro continuou realizando boas temporadas com a camisa do Botafogo. É bem verdade que nem tudo foram flores. Machado também viveu dias de infortúnio, como na famosa goleada sofrida para o Santos em 1964.

Conforme publicado pelo site acervosantista.com.br, abaixo os registros do massacre santista sobre o Botafogo de Ribeirão Preto na Vila Belmiro:

21 de novembro de 1964 – Campeonato paulista segundo turno – Santos 11×0 Botafogo de Ribeirão Preto – Estádio da Vila Belmiro – Árbitro: Carlos Drumond da Costa – Gols: Pelé aos 3’, 8’ e 16’, Pepe aos 19’, Coutinho aos 25’, Pelé aos 38’ e 40’ do primeiro tempo; Pelé aos 25’, 27’ e 28’ e Toninho Guerreiro aos 45’ do segundo tempo.

Santos: Gylmar; Ismael, Modesto, Haroldo e Geraldino; Lima e Mengálvio; Toninho Guerreiro, Coutinho, Pelé e Pepe – Técnico Lula. Botafogo (SP): Machado; Ditinho, Carlucci, Tiri e Maciel; Hélio Vieira e Adalberto; Zuino, Alex, Antoninho e Gaze – Técnico: Brandão.

Crédito: revista do Esporte número 301 – 5 de dezembro de 1964.

A Ferroviária campeã do interior do paulista em 1967. Em pé: Belluomini, Fernando, Fogueira, Chiquinho, Rossi e Machado. Agachados: Valdir, Maritaca, Leocádio, Bazzani e Pio. Crédito: ferroviariaemcampo.blogspot.com.br.

O site botafogosp.com.br publicou que Machado defendeu o clube em 252 oportunidades, sendo 224 na primeira divisão do campeonato paulista. Até hoje é o goleiro que mais atuou pela “pantera” de Ribeirão Preto.

Ao deixar o Botafogo, Machado firmou compromisso com a Associação Ferroviária de Esportes. Pelo quadro da “Fonte Luminosa”, Machado brilhou no triênio entre 1967 e 1969, conquistando o tricampeonato do Interior.

De acordo com os registros encontrados, o goleiro Machado defendeu ainda o XV de Piracicaba e a Ponte Preta de Campinas.

Ao deixar os gramados, Machado trabalhou como treinador em várias equipes, entre elas; Pinheiros (PR), Botafogo de Ribeirão Preto (SP), Comercial de Ribeirão Preto (SP), Internacional de Limeira (SP), Sertãozinho (SP) e XV de Piracicaba (SP).

Galdino Machado faleceu no dia 15 de maio de 2015, em Ribeirão Preto (SP). O ex-goleiro estava internado e não resistiu ao quadro de infecção generalizada.

Crédito: revista do Esporte.

Os goleiros Machado e Carlos Alberto em 1967. Crédito: ferroviariaemcampo.blogspot.com.br.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Mário Sérgio Della Rina), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Gavino Virdes e Tony Miysaka), revista do Esporte, Jornal A Gazeta Esportiva, acervosantista.com.br, botafogosp.com.br, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, ferroviariaemcampo.blogspot.com.br (por Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali), folha.uol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves.

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