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A revista Placar de 7 de novembro de 1975 revelou um homem calejado pelos efeitos da “montanha russa da fama”.

Com descidas e subidas repentinas, os trilhos dessa perigosa montanha russa nem sempre oferecem uma parada confortável. Aos menos avisados, o ponto final do percurso pode representar um triste choque de realidade!

Aos 27 anos de idade e com o direito do passe em mãos, Laci treinava duro na Vila Olímpica. Mesmo sem contrato, o meia-atacante era só felicidade com o progresso na recuperação do joelho operado.

O preparador físico do Atlético Mineiro, Paulo Benigno, não poupava elogios: “Laci nunca esteve tão bem; nem na época em que seu nome aparecia com grande cartaz na imprensa esportiva.

Filho de Levi Gomes e Geralda Gomes Guimarães, Laci Gomes Guimarães, ou ainda Lacy Gomes Guimarães, conforme encontrado em algumas publicações, nasceu em Belo Horizonte (MG) no dia 23 de abril de 1948.

Crédito: revista do Esporte número 419 – 18 de março de 1967.

Vanderlei Paiva e Laci. Crédito: revista do Esporte número 430.

Criado no bairro da Gameleira, Laci começou sua trajetória no juvenil de uma equipe chamada Monte Castelo, até ser encaminhado aos quadros amadores do Clube Atlético Mineiro, onde assinou seu primeiro contrato profissional em 1967.

E 1967 realmente foi um ano especial. Laci estava voando e com confiança suficiente para encher os torcedores do Galo de esperanças.

Abaixo, uma das importantes participações de Laci na disputa do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967:

29 de março de 1967 – Torneio Roberto Gomes Pedrosa – Atlético Mineiro 4×2 Palmeiras – Estádio do Mineirão – Árbitro: Carmelito Val – Gols: Djalma Dias (2 gols contra), Buião e Santana para o Atlético Mineiro; César e Jair Bala para o Palmeiras.

Atlético Mineiro: Luizinho; Warlei, Vânder, Grapete e Décio Teixeira; Vanderlei Paiva e Santana (Paulista); Buião, Laci, Beto (Edgar Maia) e Ronaldo. Técnico: Gerson dos Santos. Palmeiras: Valdir; Djalma Santos, Djalma Dias, Minuca e Ferrari (Geraldo Escalera); Dudu e Ademir da Guia; Gallardo, Servílio (Jair Bala), César e Rinaldo. Técnico: Aymoré Moreira.

Buião e Laci; apostas do Galo para 1967. Crédito: revista do Esporte número 444 – Setembro de 1967.

Uma das formações de ataque do Atlético Mineiro em 1967. Partindo da esquerda; Buião, Laci, Santana, Edgard Maia e Tião. Crédito: revista do Esporte número 449 – 14 de outubro de 1967.

Meia-atacante habilidoso, Laci experimentou o sucesso rapidamente ao lado do artilheiro Dario. Todavia, uma fratura no perônio custou um tempo precioso no departamento médico.

Recuperado, o destemido Laci voltou aos gramados. Com seu futebol comparado ao desempenho de craques como Dirceu Lopes e Tostão, o jovem não suportou os efeitos devastadores de sua enorme popularidade.

Então os prazeres da vida noturna apresentaram seu preço. Dormindo pouco, treinando mal e ignorando o risco de um enfraquecimento muscular, a necessidade de uma operação no menisco caiu como uma bomba.

Determinado, Laci apostou no vigor da juventude e nas infiltrações para tentar antecipar etapas no tratamento do joelho recém operado.

Campeão da Taça Belo Horizonte e do campeonato mineiro de 1970, o mesmo joelho não tardou para fraquejar mais uma vez!

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

O Atlético Mineiro em 1970. Partindo da esquerda; Careca, Humberto Monteiro, Vanderlei Paiva, Vaguinho, Grapete, Oldair, Lola, Tião, Vander, Laci e Cincunegui. Crédito: revista Placar – 4 de setembro de 1970.

E assim, não restou outra alternativa ao médico Haroldo Lopes da Costa. Com a retirada do menisco, Laci ficou alguns meses no gesso e sua perna definhou de vez.

Integrante do elenco campeão brasileiro de 1971, no segundo semestre de 1972 Laci foi emprestado ao Nacional de Manaus. Na volta ao Atlético Mineiro, o “Passe Livre” o pegou de surpresa.

Com a camisa do Atlético Mineiro foram 226 partidas com 135 vitórias, 54 empates, 37 derrotas e 61 gols marcados.

Em 1973 acertou suas bases com o Sport Club Corinthians Paulista, talvez sua última grande chance de voltar aos melhores dias.

Contudo, essa passagem pelo time do Parque São Jorge não foi uma experiência para deixar saudades!

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Atlético e Botafogo no Mineirão. O goleiro Manga supera o impetuoso Laci pelo alto. Crédito: revista O Cruzeiro.

Sem propostas no mesmo nível financeiro, o padrão de vida sofreu um abalo considerável, ao mesmo tempo em que o sonho de voltar aos clubes do cenário mineiro foi perdendo força.

Em 1975, apesar da boa vontade do técnico e amigo Mussula, Laci não conseguiu uma nova oportunidade no “Galo”. Em reportagem para a revista Placar, Laci declarou emocionado:

– Estou lutando como um danado para voltar aos times de ponta. Sou outro cara e muito arrependido das extravagâncias que cometi!

Laci permaneceu treinando na Vila Olímpica e esperando por ofertas de outros clubes. Algum tempo depois jogou pelo Valeriodoce Esporte Clube (MG), Comercial de Campo Grande (MS) e Atlético Clube Goianiense (GO).

Ao encerrar a carreira nos gramados, Laci trabalhou nas equipes de base do Atlético Mineiro. Laci Gomes Guimarães faleceu no dia 21 de julho de 2000, em Belo Horizonte (MG).

Crédito: revista Placar – 7 de novembro de 1975.

Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 7 de novembro de 1975.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arthur Ferreira, Célio Apolinário, Divino Fonseca, Nicolau Libório e Sílvio A. Carvalho), revista do Esporte (por Tarlis Batista), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Mineirão – Enciclopédia do Futebol Mineiro, revista O Cruzeiro, Jornal Estado de Minas, atletico.com.br, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves (por Eliana Santos), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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