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O marcante goleiro Oswaldo Pisoni nasceu no município de Americana (SP), em 8 de junho de 1926. Estudante do Colégio Liceu Salesiano em Campinas, os primeiros contatos com o “esporte bretão” não aconteceram conforme o esperado.

Ainda que o desgosto de jogar como “guarda-metas” fosse algo evidente, Oswaldo não queria contrariar os desígnios do clero, que o escalaram como goleiro.

Disposto em não decepcionar, Oswaldo foi aos poucos entendendo que ficar debaixo das balizas tinha lá suas compensações. Afinal, o vaidoso topete poderia sobreviver por mais tempo comparado ao esforço das divididas jogando como atacante.

O bom desempenho logo despertou o interesse dos representantes do Guanabara, uma conceituada equipe do cenário amador da região de Campinas.

No findar de 1942, uma proposta da cidade de Americana o fez mudar de vida. O Rio Branco Esporte Clube precisava de um goleiro e Oswaldo foi muito bem recomendado.

O goleiro Oswaldo parou o grande Leônidas da Silva no Pacaembu. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1351 – 7 de julho de 1947.

Em tarde de muita chuva, o goleiro Oswaldo pegou tudo. O Ypiranga venceu o São Paulo por 3×2 em partida pelo campeonato paulista. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1351 – 7 de julho de 1947.

Estudante da Faculdade de Odontologia de Araraquara, o jovem Oswaldo foi novamente surpreendido em 1945, com o forte assédio dos dirigentes do Clube Atlético Ypiranga.

Ainda que tal mudança representasse um significativo sacrifício pessoal para manter os estudos, Oswaldo foi seduzido pelo desafio de substituir Moacir Barbosa, negociado com o Vasco da Gama.

Dispensado dos treinos para não atrapalhar o prosseguimento na Faculdade, Oswaldo era utilizado nos compromissos de final de semana, o que não impediu suas grandes apresentações, principalmente contra os grandes times do cenário paulista.

Considerado um dos melhores goleiros daquele período, Oswaldo era conhecido pelos companheiros pelos apelidos de “Doutor” e “Topete”. Sua boa forma foi determinante na conquista do Torneio Início do campeonato paulista de 1948 e 1950.

O goleiro Oswaldo em sua época no Clube Atlético Ypiranga. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1372 – 20 de setembro de 1947.

Jogando pelo Ypiranga, Oswaldo fez boas temporadas e chegou ao selecionado paulista. Crédito: globoesporte.globo.com.

Convocado para o selecionado de “Novos”, Oswaldo viveu um momento único ao participar da inauguração do Estádio do Maracanã em junho de 1950.

Naquela jornada festiva, o quadro paulista bateu os cariocas por 3×1, com Didi marcando o primeiro gol do Maracanã, fato que também colocou o nome de Oswaldo nos livros de história do futebol brasileiro.

Com os louros repentinos pelo épico triunfo do quadro bandeirante no Maracanã, Oswaldo tomou uma decisão que representou uma mudança considerável em sua rotina de vida.

O compromisso firmado com o Bangu Atlético Clube ofereceu muito mais do que dinheiro e prestígio. A “Cidade Maravilhosa” naqueles tempos era um convite perigoso aos desavisados forasteiros.

A Cinelândia, uma versão brasileira da “Times Square”, oferecia atrativos que dificilmente poderiam ser ignorados por qualquer rapazola.

Oswaldo foi reconhecido pela imprensa do Rio de Janeiro como um dos grandes destaques selecionado paulista. Crédito: Jornal dos Sports.

A Seleção Paulista na inauguração do Maracanã. Em pé: Homero, Oswaldo Pisoni, Djalma Santos, Brandãozinho, Dema e Alfredo Ramos. Agachados: Cláudio Christóvam de Pinho (não jogou), Renato, Rubens, Ponce de Leon, Orlando e Brandãozinho II. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Com seus bares, cinemas, teatros e casas de shows iluminadas por letreiros estimulantes, a região da Cinelândia era o prato preferido das fofocas da crônica esportiva.

E o vaidoso e fotogênico Oswaldo, com seu bigodinho aparado e topete proeminente, não resistiu por muito tempo ao veneno dos jornais, que procuravam tirar proveito de sua amizade com vedetes famosas, como Joana D’Arc e Virgínia Lane.

Mesmo contando com a total confiança do técnico Ondino Vieira, a difícil relação com a imprensa carioca cobrou seu preço. Vice-campeão carioca de 1951, Oswaldo não escapou do massacre pelo fracasso do time de “Moça Bonita”.

Assim, Oswaldo limpou seu armário no Bangu. Conforme divulgado pelo site bangu.net, o goleiro disputou 39 jogos pelo alvirrubro. Foram 20 vitórias, 6 empates, 13 derrotas e 72 gols sofridos.

Disposto em abandonar o futebol, Oswaldo aproveitou o dinheiro recebido no clube carioca para montar uma pequena indústria de fogões em Americana (SP), uma iniciativa que não durou muito tempo.

A badalada região da Cinelândia no Rio de Janeiro. Crédito: Postal Colombo.

O trio final do Bangu com Mendonça, Oswaldo e Rafagnelli. Foto de José Santos. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 701 – 13 de setembro de 1951.

Com os direitos federativos ainda presos ao Bangu, o goleiro conseguiu sua liberação definitiva ao acertar suas bases com o Velo Clube da cidade de Rio Claro (SP). (*) Algumas fontes registram ainda uma breve passagem pelo Canto do Rio Foot-Ball Club.

Com o “Passe Livre” em mãos e formado em Odontologia pela USP, Oswaldo foi treinar no Palmeiras, que na oportunidade não deu o andamento necessário para garantir sua permanência no Parque Antártica.

Com o acerto firmado com o Santos Futebol Clube, Oswaldo foi suplente do famoso goleiro Manga na campanha do título paulista de 1956.

Em fase final de carreira, Oswaldo defendeu também a Associação Portuguesa de Desportos até o findar dos anos 50. Depois passou pelo futebol amador para em seguida deixar os gramados para trabalhar como Dentista.

Oswaldo Pisoni faleceu no dia 13 de junho de 2016. Sua trajetória foi tema do documentário produzido pelos jornalistas Alex Ferreira, Fredy Michel, Leandro Lessa e Sergio Ricardo. O trabalho foi desenvolvido em 2006, como conclusão do curso da PUC de Campinas. 

Crédito: reprodução revista o Globo Sportivo número 661 – 15 de outubro de 1951.

Formação do Bangu que enfrentou o Fluminense na última rodada do campeonato carioca de 1951. Em pé: Rui, Alaine, Mirim, Mendonça, Oswaldo e Rafagnelli. Agachados: Djalma, Vermelho, Zizinho, Moacir Bueno e Nívio. Crédito: albumdosesportes.blogspot.com.br.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por José Santos e Luís Mendes), revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal Mundo Esportivo, Jornal O Globo, acerj.com.br, albumdosesportes.blogspot.com.br, bangu.net, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, museudosesportes.blogspot.com.br, Postal Colombo, site do Milton Neves, Documentário dos jornalistas Alex Ferreira, Fredy Michel, Leandro Lessa e Sergio Ricardo, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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