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Com uma postura sempre reservada, Hélio Maffia jamais sonhou fazer outra coisa no futebol além do trabalho de preparação física, embora tenha oferecido seus préstimos também na função de treinador.

Hélio José Maffia nasceu em Jundiaí (SP), em 21 de julho de 1932. A vida esportiva começou nos anos 50, quando brilhou como jogador de vôlei na Associação Esportiva de Jundiaí.

Treinada por nomes reconhecidos como Mário Favero, Nicolau Bicari Neto e Valderbi Romani, a equipe da Esportiva foi base para o selecionado de vôlei da cidade de Jundiaí; campeã dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo nas edições de 1955, 1961 e 1962.

Paralelamente ao esporte, Hélio Maffia foi estudante de Direito e mais tarde foi diplomado em Educação Física.

Trabalhou como Preparador Físico no Paulista Futebol Clube de Jundiaí entre 1966 e 1968, ano em que o clube conquistou o acesso ao grupo de elite do futebol bandeirante.

Importante na formação esportiva de Hélio Maffia, o Complexo Esportivo Nicolino de Lucca foi considerado uma construção inovadora na época de sua inauguração em 1953. Crédito: jundiagora.com.br.

Hélio Maffia (direita) quando trabalhou no São Paulo. Crédito: revista Placar – 26 de novembro de 1971.

Em 1969 foi indicado ao São Paulo Futebol Clube pelo técnico Diede Lameiro. No tricolor, Hélio Maffia fez parte da equipe que conquistou o bicampeonato paulista em 1970 e 1971.

O sucesso no Morumbi o levou ao Palmeiras, onde viveu um dos períodos mais vencedores da história do alviverde. Aplicado e rigoroso no condicionamento do elenco, os métodos de trabalho nunca entraram em choque com sua postura humanística.

Em entrevista para a revista Placar de 1 de março de 1974, Hélio Maffia falou sobre alguns tabus sempre presentes no mundo da bola:

– Prefiro um bom papo do que admoestar. Libero cerveja quando é possível e oriento os fumantes sobre os malefícios do vício. Proibir seria uma cretinice!  

– Nunca fui partidário de esgotar os jogadores. Costumo individualizar os trabalhos de acordo com os limites de cada jogador.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 1 de março de 1974.

Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 1 de março de 1974.

No alviverde, além do trabalho de preparação física, Hélio Maffia comandou o time em 6 partidas; com 2 vitórias, 1 empate e 3 derrotas.

Os números de Hélio Maffia foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Pelo Palmeiras, onde também foi Supervisor de Futebol, Hélio Maffia conquistou vários títulos; inclusive no período que ficou conhecido como “Temporada Perfeita” em 1972:

– Campeonato paulista 1972, 1974 e 1976, bicampeonato brasileiro 1972 e 1973, Taça dos Invictos 1972, Torneio Governador Laudo Natel 1972, Torneio Mar Del Plata 1972 e o Troféu Ramón de Carranza em 1974 e 1975.

Ainda ao lado de Oswaldo Brandão, Hélio Maffia ofereceu seus serviços na Seleção Brasileira, quando os canarinhos levantaram o caneco no Torneio Bicentenário dos Estados Unidos e na Taça do Atlântico, ambos em 1976.

Partindo da esquerda; Vaguinho, Wladimir e Hélio Maffia, com seu inseparável cronômetro na mão. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 3 de outubro de 1980.

Treino no Parque São Jorge. Partindo da esquerda; Zé Maria, Sócrates (de costas), Paulinho (agachado) e Hélio Maffia. Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar – 15 de abril de 1983.

Em seguida firmou compromisso com o Guarani Futebol Clube de Campinas, uma passagem sempre lembrada pela inédita conquista do campeonato brasileiro de 1978.

No Parque São Jorge desde 1980, sua trajetória foi consolidada com o bicampeonato paulista de 1982 e 1983, no calor da “Democracia Corintiana”.

Abaixo, uma das participações de Hélio Maffia como treinador do Corinthians no campeonato paulista de 1984:

4 de julho de 1984 – Campeonato paulista primeiro turno – Corinthians 3×1 XV de Piracicaba – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Almir Ricci Peixoto – Gols: Lima (XV) aos 8′ e Galo aos 25′ do primeiro tempo; Lima (Corinthians) aos 13′ e Zenon aos 25′ do segundo tempo.

Corinthians: Solito, Édson (Ronaldo), Mauro, Juninho e Waldimir; Biro-Biro, Paulinho e Zenon (Wagner); Galo, Lima e Eduardo. Técnico: Hélio Maffia. XV Piracicaba: Pizelli, Flávio, Aílton Luís, Beto Lima e Cláudio Mineiro; Vadinho, Lima e Chicão; Tim, Brandão (Alfredo) e Gilberto. Técnico: Galdino Machado.

Crédito: revista Placar – 4 de novembro de 1983.

Com um pedaço de pau na mão, Hélio Maffia brinca com os jogadores do Corinthians. Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar – 4 de novembro de 1983.

Na condição de técnico interino, Hélio Maffia orientou o Corinthians em 19 oportunidades. Foram 7 vitórias, 9 empates e 3 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.

Sem qualquer aspiração para ser efetivado como treinador, Hélio Maffia colaborou quando Jorge Vieira deixou o cargo em 1984, mesmo ano em que também precisou substituir Jair Picerni.

Em 1985 comandou mais uma vez o time no campeonato brasileiro, antes do acerto da diretoria com Carlos Alberto Torres.

Personagem importante na história do esporte de Jundiaí, Hélio Maffia nunca esqueceu dos grandes momentos vividos no Complexo Esportivo Nicolino de Lucca, também conhecido como “Bolão”.

Um dos fundadores da Escola Superior de Educação Física de Jundiaí, Hélio Maffia mantém um trabalho de preservação da memória esportiva da cidade ao lado de Dalmo Gaspar, histórico lateral esquerdo do Santos.

Fotos de Nico Esteves. Crédito: revista Placar – 4 de novembro de 1983.

No banco do Corinthians, partindo da esquerda; Hélio Maffia o goleiro Carlos e Édson. Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, JB Scalco, João Carlos Dominguez, José Maria de Aquino, Lemyr Martins, Manoel Motta, Nico Esteves e Sérgio Berezovsky), revista do Corinthians, revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, Jornal Diário Popular, acervo.estadao.com.br, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, guaranifc.com.br, jundiagora.com.br, jundiai.sp.gov.br (por Fábio Frattini Manzini), oglobo.globo.com, palmeiras.com.br, paulistafutebol.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Livro: Hélio Maffia à sua maneira – Gustavo Longhi de Carvalho – Editora In House.

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