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Athié Jorge Coury, ou ainda Athiê Jorge Cury, conforme encontrado em algumas publicações, nasceu no município de Itu (SP), em 1 de agosto 1904.

Estudante de Economia, o jovem Athié jogava pelo Esporte Clube Sírio, antes de ser encaminhado aos quadros do Santos Futebol Clube em setembro de 1927.

Reconhecido como um dos grandes goleiros de sua época, Athié era lembrado constantemente para servir o selecionado paulista. Além disso, seu nome era quase uma unanimidade para ser o titular na primeira Copa do Mundo do Uruguai em 1930.

Contudo, Athié não disputou o mundial em razão dos caprichos de um conflito entre a Federação de São Paulo e a CBD (Confederação Brasileira de Desportos).

Conforme divulgado pelo site santosfc.com.br, Athié defendeu o arco santista em 172 compromissos entre 1927 e 1934, ano em que deixou os gramados. Longe da bola trabalhou como corretor de café em Santos, sem nunca perder o contato com os amigos na Vila Belmiro.

Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 268 – 13 de dezembro de 1931.

Na administração de Athié, a Vila Belmiro foi transformada no mais temido alçapão do futebol brasileiro. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Bem relacionado com o conselho e com os diretores do Santos, Athié assumiu primeiramente como Diretor de Esportes. Chegou ao cargo de presidente em 1945, quando deu início ao forte trabalho para o saneamento financeiro do clube.

Em 1955 quebrou o jejum de 20 anos sem títulos paulistas, época em que intensificou sua corajosa filosofia de apostar em jovens talentos.

Sob seu comando, o Santos ofereceu aos torcedores uma safra de jogadores extraordinários como Clodoaldo, Coutinho, Dorval, Edu, Joel Camargo, Mengálvio, Pagão, Pelé, Pepe, Zito e tantos outros.

Em sua longa gestão entre os anos de 1945 e 1971, o clube praiano faturou uma infinidade de títulos importantes, além de grande prestígio no cenário internacional.

– Campeonato paulista 1955, 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969; Mundial Interclubes 1962 e 1963; Taça Libertadores da América 1962 e 1963; Taça Brasil 1961, 1962, 1963, 1964 e 1965; Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1968; Torneio-Rio São Paulo 1959, 1963, 1964 e 1966, Recopa Sul-Americana e Recopa mundial em 1968; sem esquecer dos inúmeros torneios nacionais e internacionais.

Pelé e o ex-goleiro Athié Jorge Coury batem bola no gramado da Vila Belmiro. Crédito: revista O Cruzeiro – 13 de janeiro de 1962.

Pelé e o ex-goleiro Athié Jorge Coury batem bola no gramado da Vila Belmiro. Crédito: revista O Cruzeiro – 13 de janeiro de 1962.

Um dos acontecimentos mais tristes de sua administração aconteceu dia 20 de setembro de 1964, na tarde em que Santos e Corinthians jogavam na Vila Belmiro pelo campeonato paulista.

A partida foi interrompida aos 7 minutos do primeiro tempo, quando parte da arquibancada desabou e deixou muitos torcedores feridos. 

Todavia, sucessivos escândalos foram minando sua permanência na cadeira de presidente.

Em 15 de maio de 1970, a revista Placar tornou público o delicado momento nas finanças do time da Vila Belmiro. O principal motivo era o assustador montante acumulado pela dívida no Parque Balneário.

Diante do fato, o Conselho Deliberativo e o Vice-presidente de Patrimônio, Augusto Saraiva, prontamente solicitaram uma intervenção junto ao CND (Conselho Nacional de Desportos).

Com a camisa do selecionado paulista, Pelé aparece ao lado do presidente Athié Jorge Coury. Crédito: revista do Esporte.

Athié Jorge Coury e Pelé. Crédito: revista O Cruzeiro – 1 de janeiro de 1966.

Tal medida foi tomada em razão do iminente desmanche de patrimônio promovido pelo presidente Athié Jorge Coury, que repentinamente decidiu vender a Chácara Nicolau Moran sem consultar os conselheiros.

Com dificuldade para obter qualquer crédito bancário, parte das cadeiras cativas da Vila Belmiro, bem como o luxuoso ônibus dos jogadores também corriam o mesmo perigo.

Enquanto o problema do Parque Balneário e da falta de dinheiro ainda eram discutidos, outra bomba caiu na conta de Athié: O aparecimento de um tal de “Livro Negro”.

Não se sabe exatamente como esse “Livro Negro” chegou ao conhecimento do Coronel Erasmo Dias. O certo é que o tal livro apresentava fortes evidências de corrupção na arbitragem.

Conforme reportagem da revista Placar de 29 de janeiro de 1971, o esquema parecia envolver outros profissionais, além dos “homens de preto” da arbitragem.

Crédito: revista Placar – 15 de maio de 1970.

Crédito: revista Placar – 29 de maio de 1970.

Curiosamente, jornalistas e radialistas também apareciam nas páginas do referido documento, que inclusive apontava o período de funcionamento do esquema entre janeiro e novembro de 1968.

Athié até reconheceu o deslize e afirmou que tal prática estava sepultada. Disse ainda que aquilo era uma espécie de garantia para o Santos não ser prejudicado na arbitragem, algo bem longe do intuito de levar vantagem ou mesmo comprar resultados.

Na ocasião, o presidente da Associação dos Árbitros, José Astolfi, também foi chamado para dar explicações no Conselho Nacional de Desportos e na Justiça Civil.

Athié deixou definitivamente o gabinete da presidência do Santos no primeiro semestre de 1971. No cenário político foi Vereador, Deputado Estadual e Federal.

O maior presidente da história do Santos faleceu em 1 de dezembro de 1992. Em sua homenagem, o dia 1 de agosto foi instituído como o “Dia Athié Jorge Coury”, uma data comemorada anualmente.

Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 17 de julho de 1970.

Crédito: revista Placar – 29 de janeiro de 1971.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Michel Laurence, Narciso James, Nélson Coelho, Nélson Urt e Sebastião Marinho), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista O Cruzeiro, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal A Tribuna, Jornal da Tarde, Jornal Mundo Esportivo, Jornal O Globo, acervo.estadao.com.br, acervosantosfc.com (por Gabriel Santana), campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, oglobo.globo.com, santosfc.com.br (por Guilherme Gomez Guarche), site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg e Milton Neves).

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