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Campeonato paulista de 1983. Depois do empate em 2×2, jogadores e torcedores de Palmeiras e Santos deixaram o Morumbi com sentimentos bem diferentes!

Descendo para o vestiário após encerrar o clássico, o árbitro José de Assis Aragão só sabia dizer uma coisa: “Foi muito azar acontecer um negócio desse justo comigo”.

A razão do desabafo estava no lance que originou o gol de empate do Palmeiras, no minuto derradeiro, quando a bola chutada por Jorginho tocou no corpo de Aragão antes de morrer nas redes do goleiro santista Marolla.

Cercado pelos jogadores do Santos, Aragão tentava inutilmente lembrar do conteúdo da regra 9: “Não importa se a bola toca no árbitro. Ela continua em jogo normalmente”.

Apesar de inusitado, o fato somou mais um capítulo na trajetória profissional de Aragão, membro do quadro da FIFA e presidente do Sindicato dos Árbitros do Estado de São Paulo.

Aragão corre para o centro do gramado após validar o gol de empate do Palmeiras. Crédito: gazeta esportiva.net.

Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar – 14 de outubro de 1983.

José de Assis Aragão nasceu na cidade de São Paulo (SP), em 5 de outubro de 1939. *A revista Placar de 14 de outubro de 1983 registra que Aragão nasceu em Minas Gerais.

Alto e encorpado, Aragão sempre foi um disciplinador, ainda que para muitos sua conduta fosse um tanto exagerada.

O certo é que seu nome esteve presente no cenário esportivo durante quase 25 anos. E assim, como vários colegas de profissão, Aragão também conheceu o limite quase tênue entre conceito positivo e negativo.

Lembrado por atuações sempre discutidas, Aragão foi o árbitro da partida decisiva do campeonato brasileiro de 1980, quando o Flamengo ficou com o título após vencer o Atlético Mineiro por 3×2 no Maracanã.

Aragão expulsou 3 jogadores do Atlético (Chicão, Palhinha e Reinaldo), o que causou muita revolta dos mineiros.

Na partida entre Paysandu e Cruzeiro, Dirceu Lopes fez o gol da vitória dos mineiros em total impedimento. Para escapar das pedradas, Aragão e os bandeirinhas deixaram o gramado correndo. Crédito: revista Placar – 12 de outubro de 1973.

Corinthians e São Paulo no Morumbi. Com Aragão acompanhando o lance de perto, Palhinha e Terto disputam a bola na meia-cancha. Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 22 de abril de 1977.

Abaixo, os registros da partida que representou ao Flamengo o primeiro título nacional de sua história:

1 de junho de 1980 – Campeonato nacional – Flamengo 3×2 Atlético Mineiro – Estádio do Maracanã – Árbitro: José de Assis Aragão – Gols: Nunes aos 7‘, Reinaldo aos 8′ e Zico aos 44′ do primeiro tempo; Reinaldo, aos 21′ e Nunes aos 37′ do segundo tempo – Expulsões: Chicão, Palhinha e Reinaldo do Atlético Mineiro. 

Flamengo: Raul; Toninho, Manguito, Marinho e Júnior; Andrade, Carpegiani (Adílio) e Zico; Tita, Nunes e Júlio César. Técnico: Cláudio Coutinho. Atlético Mineiro: João Leite; Orlando (Silvestre), Osmar, Luisinho (Geraldo) e Jorge Valença; Chicão, Toninho Cerezo e Palhinha; Pedrinho, Reinaldo e Éder. Técnico: Procópio Cardoso.

No campeonato nacional de 1986, Aragão foi novamente escalado para apitar outro confronto decisivo. Guarani e São Paulo jogaram no Brinco de Ouro valendo o “caneco” da competição.

Independente do resultado favorável ao tricolor nas penalidades, o destino da partida poderia ter um final bem diferente.

Crédito: agenciaoglobo.com.br.

Em campo, não faço acordos ou concessões. Crédito: revista Placar – 16 de dezembro de 1983.

Aragão não marcou um pênalti claro de Wagner Basílio no atacante brugrino João Paulo, o que certamente interferiu no placar e provocou depois a série de penalidades que decidiu o título.

Ficaram famosos também os desentendimentos com a imprensa, como o fato ocorrido em uma das edições do programa Mesa Redonda, da TV Gazeta.

Ao julgar os comentários como negativos para sua imagem, Aragão foi até a emissora para exigir uma reparação pública do então radialista Milton Neves.

Em entrevista publicada na revista Placar de 15 de junho de 1987, Aragão falou do acontecimento com o jornalista Milton Neves, da admiração por Armando Marques e da fama de autoritário:

“Sou apenas um disciplinador. Gosto do certo pelo certo. Fico irritado quando escuto essas bobagens de que sou autoritário”.

Foto de Claudine Petroli. Crédito: revista Placar – 16 de fevereiro de 1987.

Foto de Carlos Fenerich. Crédito: revista Placar – 15 de junho de 1987.

Ainda no mesmo artigo da revista Placar, Aragão comentou sobre o apelido de “Aragalo”, que recebeu quando apitava no futebol mineiro:

“O autor desse apelido foi o dirigente do Cruzeiro, Cármine Furletti, certamente para justificar alguns resultados negativos”. 

José de Assis Aragão encerrou a carreira como árbitro em 1989. Trabalhou também como treinador no cenário paulista pelo Nacional, São Caetano, São José e Serra Negra.

Conforme publicado no site do Milton Neves, Aragão também foi auxiliar-técnico na Portuguesa de Desportos, além de fazer parte do CNE-Conselho Nacional do Esporte.

Ainda de acordo com outros registros encontrados, Aragão foi funcionário da Prefeitura Municipal de São Paulo, no cargo de Administrador do Estádio do Pacaembu.

Foto de Carlos Fenerich. Crédito: revista Placar – 15 de junho de 1987.

Como árbitro ou treinador, a montagem revela um Aragão em dois lados completamente opostos. Fotos de Pisco Del Gaiso. Crédito: revista Placar – Agosto de 1996.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Fenerich, Claudine Petroli, Divino Fonseca, Euclides Bandeira, João Carlos Rodriguez, José Pinto, Marco Aurélio Borba, Nico Esteves, Pisco Del Gaiso, Ronaldo Kotscho e Sérgio Ruiz Luz), revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal O Globo, agenciaoglobo.com.br, apitonacional.com.br, campeoesdofutebol.com.br, cbf.com.br, gazeta esportiva.net, globoesporte.globo.com, oglobo.globo.com, site do Milton Neves (por Túlio Nassif).

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