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Para quem desejava da vida apenas um cavalo crioulo bem selado, com um pelego de ovelha por cima, o jovem Vicente até que conseguiu muito mais do que esperava!

No volante de seu Opala pelas ruas da cidade de Santos, Vicente rapidamente percebeu que o cavalo crioulo ficou apenas em sua imaginação, bem como a roupa de gaúcho, que um dia tanto sonhou em receber como presente de aniversário.

Vicente Gonçalves de Paula nasceu no município de Bagé (RS), em 5 de julho de 1949. Sua trajetória no futebol foi iniciada em 1967, como quarto-zagueiro no juvenil do Guarany Futebol Clube de Bagé (RS).

Com a carreira no futebol momentaneamente interrompida pelo serviço militar obrigatório, Vicente chegou ao posto de Cabo-Veterinário do 3º Regimento de Cavalaria, uma ocupação que valeu pelo amplo conhecimento adquirido.

No Guarany de Bagé, Vicente levava na brincadeira quando os companheiros afirmavam que os atacantes adversários sentiam medo das ferraduras usadas por ele!

Foto de Manoel Motta – Crédito: revista Placar – 7 de setembro de 1973.

Indicado pelo famoso conterrâneo Raul Donazar Calvet, Vicente chegou por empréstimo ao Santos Futebol Clube no segundo semestre de 1971, apenas para compor o elenco.

De acordo com os registros divulgados pelo site acervosantosfc.com, sua primeira participação com a camisa do Santos aconteceu em 9 de setembro de 1971, na vitória por 3×0 sobre o América (MG).

Conforme publicado pela revista Placar em 7 de setembro de 1973, em janeiro de 1972 o passe do quarto-zagueiro foi comprado em definitivo.

O negócio com o Guarany de Bagé custou 130 mil cruzeiros aos cofres do clube santista, com salário acertado em 4 mil cruzeiros mensais, o dobro do que recebia no contrato inicial de empréstimo.

Uma situação bem diferente dos 600 cruzeiros que recebia nos tempos do serviço militar!

Foto de Manoel Motta – Crédito: revista Placar – 7 de setembro de 1973.

O Santos no gramado da Vila Belmiro em 1973. Em pé: Cejas, Marinho Peres, Zé Carlos, Vicente, Clodoaldo e Turcão. Agachados: Jair da Costa, Brecha, Euzébio, Pelé e Edu. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 50 times do Santos.

Apelidado de “Bigode” e “Chinês”, o pacato Vicente logo fez um bom ambiente com seus companheiros na Vila Belmiro!

Orientado inicialmente pelo mesmo Calvet, a amizade com o argentino Ramos Delgado rendeu também um grande aprendizado.

Com a chegada de Hermes e Marinho Peres, Vicente parecia condenado ao banco de reservas. O técnico Pepe escalou Hermes na lateral direita e deslocou Carlos Alberto Torres para jogar ao lado de Marinho Peres.

Com Hermes machucado, Carlos Alberto Torres voltou ao corredor direito e Vicente finalmente encontrou seu lugar no miolo de zaga.

Dividindo um apartamento com o meio-campista Brecha, Vicente ganhou espaço com o técnico Pepe e participou da campanha do título paulista de 1973.

Crédito: revista Placar – 22 de outubro de 1976.

Uma passagem produtiva pelo Coritiba. Crédito: revista Placar – 22 de outubro de 1976.

Com o nome cotado para defender o escrete canarinho treinado por Zagallo, Vicente deu azar ao fraturar o pé em um amistoso disputado na cidade de Maringá.

Depois de muito tempo em recuperação, Vicente voltou aos gramados em 1975, época que recebeu uma proposta do futebol mexicano pelo empresário Nicola Gravina.

Como o acerto com os mexicanos estava demorando muito, Vicente continuou nas fileiras do time da Vila Belmiro até 1976.

Contudo, Vicente não permaneceu no Santos. Por empréstimo seus direitos foram transferidos ao Coritiba Foot Ball Club, com o passe fixado em 500 mil cruzeiros.

Com o passe comprado em definitivo pelos dirigentes do Coritiba, Vicente foi campeão paranaense de 1976. No entanto, desacordos de ordem contratual com o presidente Evangelino da Costa Neves prejudicaram sua continuidade no clube.

Problemas com o presidente Evangelino da Costa Neves o levaram ao Grêmio. Foto JB Scalco. Crédito: revista Placar – 10 de fevereiro de 1978.

Foto JB Scalco. Crédito: revista Placar – 10 de fevereiro de 1978.

No ano seguinte, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense desembolsou mais de 1 milhão de cruzeiros para contar com seu futebol no Olímpico.

No Grêmio, Vicente viveu seu período mais produtivo e reencontrou o amigo Oberdan Vilain, com quem já tinha jogado nos tempos do Santos.

Bicampeão gaúcho nas edições de 1979 e 1980, Vicente também faturou o título nacional de 1981.

Em 1982 firmou compromisso com a Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul (RS). Na temporada seguinte defendeu o Esporte Clube São José de Porto Alegre (RS), seu último clube.

Vicente Gonçalves de Paula faleceu no dia 24 de dezembro de 2011, em Porto Alegre (RS).

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Foto de Ricardo Chaves. Crédito: revista Placar – 28 de novembro de 1980.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, JB Scalco, Manoel Motta e Ricardo Chaves), revista do Grêmio, revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, acervosantosfc.com (por Gabriel Santana), campeoesdofutebol.com.br, coritiba.com.br, gazeta esportiva.net, gazetadopovo.com.br, globoesporte.globo.com, gremio.net, santosfc.com.br, site do Milton Neves, tribunapr.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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