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Depois de tentar vencer no competitivo futebol carioca e paulista, Beirute foi um dos primeiros brasileiros presentes no cenário chileno. Fez grande sucesso jogando pelo Colo-Colo, o time do “Cacique Mapuche”.

Mais conhecido como “Beirute” pela imprensa esportiva, Elson Iazegi Beyruth nasceu no município de São João da Barra (RJ), em 20 de outubro de 1941.

Sua trajetória no futebol foi iniciada jogando como centroavante, no modesto Fluminense Futebol Clube de São João da Barra, o “Tricolor Sanjoanense”.

Em janeiro de 1958 foi encaminhado aos quadros amadores do Clube de Regatas do Flamengo, que naqueles tempos recebia orientação do famoso Modesto Bria.

Tricampeão carioca juvenil em 1958, Beirute ganhou destaque rapidamente nas fileiras do Rubro-Negro, o suficiente para em agosto de 1959 fazer parte do grupo canarinho na conquista da medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Chicago.

O juvenil do Flamengo em 1959. Em pé: Edmar, Jaime, Hilton, Ouraci, Adílson e Paulo. Agachados: João, Norival, Beirute, Espanhol e Germano. Crédito: revista do Esporte número 48 – 6 de junho de 1960.

Crédito: revista do Esporte número 107 – 25 de março de 1961.

Com a camisa canarinho Beirute disputou 6 partidas com 4 vitórias, 1 empate, 1 derrota e 2 gols marcados. Os registros foram publicados no livro “Seleção Brasileira 1914 – 2006”, dos autores Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Ainda na condição de amador, Beirute foi promovido ao time de Aspirantes em 1960, período em que também ganhou experiência jogando pela meia-cancha.

Conforme publicado pela revista do Esporte de 25 de março de 1961, o bom momento do atacante representou um pronto reajuste salarial de 6 mil para 10 mil cruzeiros mensais!

Obstinado, o rapazola de São João da Barra não custou para ser lembrado no time principal. Sem dúvida, um grande feito para quem enfrentou sem temores os desafios de sobreviver na “Cidade Maravilhosa”.

Mas com Henrique Frade jogando muita bola, Beirute amargou o banco de reservas, enquanto também brilhava no time de Aspirantes.

Beirute e Manoelzinho no gramado do Parque São Jorge. Crédito: reprodução revista do Esporte número 168.

Partindo da esquerda; Espanhol, Adilson (em pé) e Beirute. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 195 – 1961.

Sem muitos horizontes na Gávea, Beirute aceitou uma boa proposta do Sport Club Corinthians Paulista em 1961.

Motivado em defender outro clube de grande torcida, Beirute chegou confiante na cidade de São Paulo. Contudo, o jovem atacante carioca logo percebeu que embarcou em uma canoa furada!

Na época, o apenas esforçado Corinthians enfrentava os dissabores do período em que carregou a alcunha de “Faz Me Rir”.

Grande sucesso da cantora Edith Veiga, o bolero “Faz Me Rir” foi associado ao Corinthians pela péssima campanha no certame bandeirante, com direito ao impiedoso massacre sofrido diante do Santos por 5×1 em 16 de agosto.

Nos primeiros 11 compromissos foram 7 derrotas, 2 empates e apenas 2 vitórias. A diretoria mosqueteira tentou remediar a situação trocando o treinador e alguns jogadores; o que não representou resultados tão imediatos.

Na época de Beirute, o Corinthians jogava no Parque São Jorge com relativa frequência. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Uma das formações ofensivas do Corinthians em 1962. Partindo da esquerda; Espanhol, Manoelzinho, Beirute, Rafael e Neves. Crédito: revista do Esporte número 196 – Março de 1962.

Reforçado por Adílson, Beirute, Espanhol, Ferreira e Manoelzinho, o time só conseguiu reagir no segundo turno da competição, o que valeu ainda uma sexta colocação na tábua final de classificação.

Pressionado pelos resultados negativos da equipe, Beirute não continuou por muito tempo no Parque São Jorge. Pelo Corinthians foram somente 22 jogos disputados e 4 gols marcados.

No segundo semestre de 1962, seus direitos federativos foram cedidos para a Esportiva de Guaratinguetá (SP), onde também não colecionou bons resultados.

De volta ao Flamengo, Beirute permaneceu no time da Gávea até 1965, quando foi negociado em definitivo com o Club Social y Deportivo Colo-Colo do Chile.

Conhecido pelos torcedores locais como “Pluto” (famoso personagem das histórias em quadrinhos) Beirute finalmente viveu sua fase mais produtiva com a camisa do Colo-Colo.

Sucesso da cantora Edith Veiga, o bolero “Faz Me Rir” foi associado ao Corinthians pela péssima campanha nos primeiros compromissos do campeonato paulista de 1961. Crédito: Livraria Saraiva.

Grandes momentos no Colo-Colo do Chile. Crédito: reprodução revista Estádio número 1154.

Campeão nacional pelo Colo-Colo nas edições de 1970 e 1972, Beirute também fez parte da grande campanha no vice-campeonato da Taça Libertadores em 1973.

Outra façanha notável foi sua eleição como o melhor jogador profissional do futebol chileno em 1971. Pelo Colo-Colo foram 237 partidas e 110 gols marcados.

No Chile, o atacante defendeu ainda o Club Deportivo Magallanes, Club de Deportes Antofagasta e o Club de Deportes Santiago Morning em 1975, sua última equipe.

Em seguida, Beirute trabalhou como treinador em diversas equipes do futebol chileno, sempre apresentando ótimos resultados.

Castigado pelos efeitos da Diabetes, Elson Iazegi Beyruth faleceu em Santiago do Chile, no dia 15 de agosto de 2012.

Crédito: revista do Esporte número 341 – 18 de setembro de 1965.

Crédito: colocolo.cl.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte (por Adílson Povil), revista Estádio, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, agenciaoglobo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, colocolo.cl, conmebol.com, corinthians.com.br, flamengo.com.br, gazeta esportiva.net, globoesporte.globo.com, Livraria Saraiva, site do Milton Neves (por Diogo Miloni), Livro: Seleção Brasileira 1914 – 2006 – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf – Mauad Editora.

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