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“Olha, por mim eu fico na Vila Belmiro. Vai depender do empenho da diretoria”. Enquanto jogou pelo Santos, o médio-volante Carlos Roberto sempre contou com o apoio e o respeito dos companheiros e torcedores.

Maduro e consciente, os apelos românticos do futebol não o seduziam mais. Uma situação bem diferente do rapaz empolgado, que aceitava qualquer pequeno mimo para jogar no timaço do Botafogo de 1967 e 1968.

Aos 29 anos de idade, o casamento com Regina ofereceu uma compreensão diferente dos valores da vida. Então o futebol virou profissão e o tão adorado automóvel Mustang virou apenas um veículo de passeio!

Com notícias não confirmadas sobre o interesse do Vasco da Gama e do Santa Cruz, Carlos Roberto revelou suas incertezas profissionais e financeiras nas páginas da revista Placar de 3 de junho de 1977:

– “O Santos me comprou quase de graça junto ao Botafogo. Foram 500 mil cruzeiros divididos em 10 parcelas iguais. Agora querem que eu renove meu contrato pelos mesmos 20 mil cruzeiros mensais de quando cheguei aqui”.

Crédito: revista do Esporte número 447 – 30 de setembro de 1967.

Filho de Carlos de Carvalho e Edila Fernandes de Carvalho, Carlos Roberto de Carvalho nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1 de maio de 1948. (*) Algumas fontes registram o seu nascimento em 1 de maio de 1949.

Nascido e criado no bairro de Engenho de Dentro, Carlos Roberto mudou para Madureira aos 10 anos de idade.

Conforme publicado pela revista do Esporte número 447, de 30 de setembro de 1967, o pequeno “Carlinhos” cabulava aulas no Colégio Lemos de Castro para jogar futebol.

Aos 16 anos de idade fazia muito sucesso jogando como meio-campista em equipes amadoras da região. Foi o suficiente para tomar coragem e bater nas portas de São Januário.

Apesar do esforço, Carlos Roberto foi considerado muito franzino para encarar o processo seletivo e acabou dispensado do Vasco da Gama.

Renovação no Botafogo. Partindo da esquerda; Roberto Miranda, Valtencir e Carlos Roberto. Crédito: revista do Esporte número 450 – 20 de outubro de 1967.

Crédito: revista do Esporte número 470 – Março de 1968.

Encaminhado aos times de base do Botafogo de Futebol e Regatas, o jovem do bairro de Madureira rapidamente brilhou no quadro juvenil.

Algum tempo depois foi aproveitado no elenco principal, um período de grande aprendizado ao lado de Gerson de Oliveira Nunes.

Conquistou o Torneio Início 1967. Depois foi bicampeão carioca e da Taça Guanabara nas edições de 1967 e 1968, além da conquista da Taça Brasil em 1968. Faturou ainda o Torneio Hexagonal do México em 1968 e o Torneio Internacional de Caracas em 1970.

Também no ano de 1968, Carlos Roberto participou do combinado carioca que representou o Brasil diante da Argentina em 7 de agosto de 1968, no Maracanã.

Orientados pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo, o combinado que também ficou conhecido como “Selefogo”, não tomou conhecimento dos argentinos e goleou por 4×1.

O Botafogo no gramado do Maracanã. Em pé: Brito, Wendell, Valtencir, Nei Conceição, Osmar e Marinho Chagas. Agachados: Zequinha, Carlos Roberto, Jairzinho, Fischer e Ademir. Crédito: revista Placar.

Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 25 de abril de 1975.

Outro bom momento de Carlos Roberto aconteceu no campeonato nacional de 1971 e 1972, quando o Botafogo disputou o triangular decisivo em 1971 e foi vice-campeão brasileiro em 1972.

Carlos Roberto permaneceu nas fileiras do Botafogo até o início de 1976, quando seu passe foi negociado com o Santos Futebol Clube (SP).

Pelo Botafogo foram mais de 440 partidas disputadas e 15 gols marcados, o que coloca seu nome entre os recordistas de participações no time da “Estrela Solitária”.

Vestindo a camisa do Santos, Carlos Roberto disputou boas partidas, embora não tenha conquistado títulos pelo alvinegro praiano. Na Vila Belmiro, Carlos Roberto não ganhou nada do que esperava!

Em 1978 foi contratado pelo Clube Atlético Paranaense, onde também não ficou por muito tempo. Com a esposa reclamando do clima de Curitiba, o jogador foi aos poucos pavimentando seu retorno ao cenário carioca.

Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 16 de abril de 1976.

Uma boa passagem pelo Santos. Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 3 de junho de 1977.

Assim, em fevereiro de 1979, Carlos Roberto assinou com o Fluminense Football Club, uma passagem somente modesta até ser transferido para o Bangu Atlético Clube em 1980.

De acordo com os registros do site bangu.net, Carlos Roberto disputou 83 compromissos pelo time de “Moça Bonita”. Foram 38 vitórias, 23 empates, 22 derrotas e apenas 1 gol marcado.

Continuou depois pelo CSA (Centro Sportivo Alagoano) e em seguida pelo Bonsucesso Futebol Clube (RJ), equipe onde encerrou a carreira como jogador e também debutou como treinador.

Como técnico de futebol, Carlos Roberto construiu uma caminhada rica em experiências. Trabalhou em várias equipes do futebol carioca e mineiro; além de passagens importantes pela Ásia e pelo Mundo árabe:

– América (RJ), Americano (RJ), Bangu (RJ), Bonsucesso (RJ), Botafogo (RJ), Cabofriense (RJ), Madureira (RJ), América (MG) e Rio Branco de Andradas (MG). Na direção do Botafogo, Carlos Roberto foi campeão carioca e da Taça Guanabara em 2006.

Crédito: revista Placar – 3 de junho de 1977.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fernando Pimentel, João Areosa, Luíz Augusto Chabassus, Roberto José da Silva e Ronaldo Kotscho), revista do Esporte (por Tarlis Batista), revista Manchete Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, agenciaoglobo.com.br, bangu.net, botafogo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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