Tags

, , ,

O apetite do “Gigante de Concreto” parecia não ter limites! Caminhões e mais caminhões chegavam diariamente ao movimentado canteiro de obras. Todo e qualquer tostão era destinado ao futuro estádio de linhas arrojadas projetado pelo arquiteto Vilanova Artigas.

Assim, o tricolor apostava suas fichas em veteranos consagrados ou ainda em soluções promissoras do opulento interior paulista, uma época rica em jovens talentos para qualquer posição!

Conhecido no mundo da bola como “Deleu”, Vanderlei dos Santos nasceu no município de Bebedouro (SP), em 9 de março de 1940.

Deleu? Para quem foi registrado como Vanderlei, o apelido “Delei” ficaria bem mais adequado. Tal raciocínio foi publicado em matéria especial da revista A Gazeta Esportiva Ilustrada em sua edição de número 247.

Com o falecimento repentino do marido em 1947, dona Isaura precisou solicitar o pronto auxílio de parentes para criar o menino.

Revelados na Internacional de Bebedouro (SP), Deleu e Sabino brincaram de dentista na reportagem especial da revista Tricolor. Crédito: revista Tricolor número 91 – Janeiro de 1962.

Deleu e Sabino também brincaram de barbeiro no mesmo artigo da revista Tricolor. No Morumbi, os filhos de Bebedouro subiram juntos os degraus da escada da fama! Crédito: revista Tricolor número 91 – Janeiro de 1962.

Ainda criança, o pequeno Deleu dividia seu tempo entre os estudos e o trabalho para ajudar nas despesas da casa, embora o gosto pela bola nunca tenha ficado completamente de lado!

A primeira ocupação foi como ajudante em uma modesta serralheria. Depois foi batalhar o sustento como engraxate, jornaleiro e até como sapateiro.

No período noturno, Deleu mergulhava fundo nas apostilas do curso de torneiro mecânico, uma profissão valorizada e com um amplo mercado de trabalho.

Baixinho, resistente e voluntarioso, Deleu foi revelado nas fileiras da Associação Atlética Internacional de Bebedouro (SP), equipe onde jogou ao lado do amigo e ponteiro-esquerdo Sabino, ambos contratados pelo São Paulo Futebol Clube em 1961.

Munidos de esperança e muita vontade, Deleu e Sabino foram apresentados no ainda inacabado Morumbi sem qualquer espécie de pompa.

Em 27 de fevereiro de 1962, Corinthians e São Paulo empataram por 1×1 no Pacaembu, jogo válido pelo Torneio Rio-São Paulo. Na foto, Deleu vai buscar o couro nas redes; enquanto o goleiro Suly ainda sente dores após a dividida em que Cássio marcou para o Corinthians. Crédito: revista Tricolor número 92 – Fevereiro de 1962.

Naqueles tempos, os torcedores mais curiosos apelavam aos jornais e revistas esportivas, que procuravam oferecer ao leitor um pouco mais da trajetória dos jogadores que chegavam aos grandes clubes.

Com o piracicabano Nilton De Sordi próximo de completar os 10 anos de clube, Deleu cumpria bem seu papel quando necessário; um aluno dedicado do consagrado lateral-direito campeão mundial na Suécia em 1958.

Conforme publicado no site do Milton Neves, Deleu disputou ao todo 168 jogos pelo São Paulo no período entre 1961 e 1965. Foram 93 vitórias, 36 empates, 39 derrotas e nenhum gol marcado.

Apesar da falta de um título paulista enquanto jogou pelo São Paulo, Deleu viveu bons momentos com a camisa do tricolor. Como naquele 15 de agosto de 1963, quando o Santos foi goleado por 4×1 no Pacaembu.

O memorável confronto também é lembrado como o jogo do “Cai-Cai”, em razão das expulsões e “contusões” dos jogadores do quadro praiano, o que impediu o prosseguimento da partida.

Antes de vencer no futebol, Deleu foi engraxate, jornaleiro e sapateiro! Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 247.

O São Paulo no gramado do ainda inacabado Estádio do Morumbi. Em pé: Deleu, Poy, Luís Valente, Bellini, Roberto Dias e Riberto. Agachados: Nondas, Gino Orlando, Benê, Jair Rosa Pinto e Sabino. Crédito: revista Placar – 50 times do São Paulo.

Na segunda etapa, após o quarto gol marcado pelo atacante Pagão, o árbitro Armando Marques precisou encerrar o prélio, já que o time da Vila Belmiro não contava mais com o número mínimo de jogadores. Abaixo, os registros do clássico:

15 de agosto de 1963 – Campeonato paulista – São Paulo 4×1 Santos – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Armando Marques – Gols: Faustino aos 5’, Pelé aos 20’, Benê aos 37’ e Sabino aos 40 do primeiro tempo; Pagão aos 7’ do segundo tempo – Expulsões: Coutinho e Pelé. 

Observações: Por motivo de contusão, o lateral-direito Aparecido não retornou para a segunda etapa. No decorrer da partida, Dorval e Pepe também deixaram o gramado alegando contusão.

São Paulo: Suly; Deleu, Bellini e Ilzo Nery; Roberto Dias e Jurandir; Faustino, Martinez, Pagão, Benê e Sabino. Técnico: Oswaldo Brandão. Santos: Gylmar; Aparecido, Mauro e Geraldino; Zito e Dalmo; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula. 

Vice-campeão paulista de 1963, Deleu continuou no elenco do São Paulo até o ano de 1965, quando seus direitos foram negociados com o Guarani Futebol Clube de Campinas.

Partindo da esquerda; Roberto Dias, Suly e o pequeno Deleu. Crédito: revista do Esporte número 258 – 15 de fevereiro de 1964.

Deleu e Procópio. Os trunfos do tricolor! Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 193.

No Guarani, Deleu jogou ao lado de companheiros famosos; como Dalmo Gaspar (ex-Santos) e Américo Murolo (ex-Palmeiras). Abaixo, a participação de Deleu na grande virada do Guarani diante da Portuguesa de Desportos pelo certame paulista de 1966:

28 de agosto de 1966 – Campeonato paulista primeiro turno – Guarani 3×2 Portuguesa de Desportos – Estádio Brinco de Ouro da Princesa, Campinas (SP) – Árbitro: José Astolphi (SP) – Gols: Renê aos 20’ do primeiro tempo; Eurico aos 14’, Américo Murolo aos 18 ’, Américo Murolo aos 38’ e Carlinhos (pênalti) aos 43’ do segundo tempo.

Guarani: Dimas; Deleu, Dalmo, Tarciso e Diogo; Bidon e Américo Murolo; Joãozinho, Nelsinho, Nenê e Carlinhos. Portuguesa de Desportos: Orlando; Ulisses, Jerry, Jorge e Henrique Pereira; Paes e Amaro; Ratinho, Renê, Ivair e Eurico. 

Não foram encontrados registros sobre a continuidade da carreira de Deleu no futebol, embora algumas fontes apontem sua permanência no Bugre campineiro até o início da temporada de 1967. 

O que se sabe é que Deleu foi morar em Curitiba (PR). Trabalhou na função de Oficial de Justiça até sua aposentadoria.

Partindo da esquerda no palco do Maracanã; Deleu, Suly e De Sordi. Crédito: revista do Esporte número 305 – 1965.

O Guarani de Campinas no gramado da Rua Javari. Partindo da esquerda em pé; Deleu é o primeiro ao lado do goleiro Dimas. O quinto em pé é Dalmo Gaspar. Crédito: revista Futebol e Outros Esportes.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Futebol e Outros Esportes, revista Tricolor (por Paulo Planet Buarque e Walter Lacerda), Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, campeoesdofutebol.com.br, gazeta esportiva.net, guaranifc.com.br, saopaulofc.net, site do Milton Neves.