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A fome do “monstro de concreto” parecia não ter fim. Caminhões e mais caminhões chegavam diariamente ao canteiro de obras. Cada centavo era destinado ao sonho de construir o estádio de linhas arrojadas projetado pelo arquiteto Vilanova Artigas.

Assim, o tricolor apostava suas fichas em veteranos consagrados e baratos, ou ainda em soluções promissoras do opulento interior paulista, uma época rica em jovens talentos para qualquer posição!

Conhecido no mundo da bola como “Deleu”, Vanderlei dos Santos, ou ainda Wanderley dos Santos, conforme encontrado em algumas publicações, nasceu no município de Bebedouro (SP), em 9 de março de 1940.

Baixinho, resistente e voluntarioso, Deleu foi revelado pela Associação Atlética Internacional de Bebedouro, equipe onde jogou ao lado do ponteiro-esquerdo Sabino, ambos contratados pelo São Paulo Futebol Clube em 1961.

Repletos de esperança, Deleu e Sabino foram apresentados no ainda inacabado Morumbi sem qualquer espécie de pompa.

Revelados pela Internacional de Bebedouro, Deleu e Sabino brincaram de dentista na reportagem da revista Tricolor. Crédito: revista Tricolor número 91 – Janeiro de 1962.

Deleu e Sabino também brincaram de barbeiro na mesma reportagem da revista Tricolor. Permaneceram juntos no São Paulo e subiram na escada do sucesso. Crédito: revista Tricolor número 91 – Janeiro de 1962.

Naqueles tempos, os torcedores mais curiosos apelavam aos jornais e revistas esportivas, que procuravam oferecer ao leitor um pouco da trajetória dos jogadores que chegavam aos grandes clubes.

Com o piracicabano Nilton De Sordi próximo de completar os 10 anos de clube, Deleu cumpria bem seu papel quando necessário; um aluno dedicado do consagrado lateral-direito campeão mundial na Suécia em 1958.

Conforme publicado no site do Milton Neves, Deleu disputou ao todo 168 jogos pelo São Paulo no período entre 1961 e 1965. Foram 93 vitórias, 36 empates, 39 derrotas e nenhum gol marcado.

Apesar da falta de um título paulista enquanto jogou pelo São Paulo, Deleu viveu bons momentos com a camisa do tricolor. Como naquele 15 de agosto de 1963, quando o Santos foi goleado por 4×1 no Pacaembu.

O confronto também é lembrado como o jogo do “Cai-Cai”, em razão das expulsões e “contusões” dos jogadores do Santos, o que impediu o prosseguimento da partida.

Em 27 de fevereiro de 1962, Corinthians e São Paulo empataram por 1×1 no Pacaembu, jogo válido pelo Torneio Rio-São Paulo. Na foto, Deleu vai buscar a bola nas redes; enquanto o goleiro Suly ainda sente dores após a dividida em que Cássio marcou para o Corinthians. Crédito: revista Tricolor número 92 – Fevereiro de 1962.

Na segunda etapa, após o quarto gol marcado por Pagão, o árbitro Armando Marques precisou encerrar o prélio, já que o time da Vila Belmiro não contava mais com o número mínimo de jogadores. Abaixo, os registros do clássico:

15 de agosto de 1963 – Campeonato paulista – São Paulo 4×1 Santos – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Armando Marques – Gols: Faustino aos 5’, Pelé aos 20’, Benê aos 37’ e Sabino aos 40 do primeiro tempo; Pagão aos 7’ do segundo tempo – Expulsões: Coutinho e Pelé. 

Observações: Por motivo de contusão, o lateral-direito Aparecido não voltou para a segunda etapa. No decorrer da partida, Pepe e Dorval também deixaram o gramado alegando contusão.

São Paulo: Suly; Deleu, Bellini e Ilzo; Dias e Jurandir; Faustino, Martinez, Pagão, Benê e Sabino. Técnico: Brandão. Santos: Gylmar; Aparecido, Mauro e Geraldino; Zito e Dalmo; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula. 

Vice-campeão paulista na edição de 1963, Deleu continuou nas fileiras do São Paulo até 1965, quando seus direitos foram negociados com o Guarani Futebol Clube de Campinas.

Deleu e Procópio. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

O São Paulo no gramado do inacabado Estádio do Morumbi. Em pé: Deleu, Poy, Luís Valente, Bellini, Roberto Dias e Riberto. Agachados: Nondas, Gino Orlando, Benê, Jair Rosa Pinto e Sabino. Crédito: revista Placar – 50 times do São Paulo.

No Guarani, Deleu jogou ao lado de companheiros famosos; como Dalmo Gaspar (ex-Santos) e Américo Murolo (ex-Palmeiras). Abaixo, a participação de Deleu na virada do Guarani diante da Portuguesa de Desportos pelo campeonato paulista de 1966:

28 de agosto de 1966 – Campeonato paulista primeiro turno – Guarani 3×2 Portuguesa de Desportos – Estádio Brinco de Ouro da Princesa, Campinas (SP) – Árbitro: José Astolphi (SP) – Gols: Renê aos 20’ do primeiro tempo; Eurico aos 14’, Américo Murolo aos 18 ’, Américo Murolo aos 38’ e Carlinhos (pênalti) aos 43’ do segundo tempo.

Guarani: Dimas; Deleu, Dalmo, Tarciso e Diogo; Bidon e Américo Murolo; Joãozinho, Nelsinho, Nenê e Carlinhos. Portuguesa de Desportos: Orlando; Ulisses, Jerry, Jorge e Henrique Pereira; Paes e Amaro; Ratinho, Renê, Ivair e Eurico. 

Não foram encontrados registros sobre a continuidade da carreira de Deleu no futebol, embora algumas fontes apontem sua permanência no “Bugre” campineiro até o início da temporada de 1967. 

O que se sabe é que Deleu foi morar em Curitiba (PR). Trabalhou na função de Oficial de Justiça até sua aposentadoria.

Partindo da esquerda; Roberto Dias, Suly e Deleu. Crédito: revista do Esporte número 258 – 15 de fevereiro de 1964.

Partindo da esquerda; Deleu, Suly e De Sordi. Crédito: revista do Esporte número 305 – 1965.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Tricolor (por Paulo Planet Buarque e Walter Lacerda), Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, campeoesdofutebol.com.br, gazeta esportiva.net, guaranifc.com.br, saopaulofc.net, site do Milton Neves.

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