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Dirigentes de futebol sempre foram o alvo preferido dos tentáculos da imprensa esportiva. Expostos como autênticos “vilões”, esses personagens da vida política dos clubes raramente descansam em sopros da calmaria.

Em nossa página de hoje, Tardes de Pacaembu registra um período marcado por grandes transformações no Corinthians. Aconteceu em 1959, quando Vicente Matheus e Wadih Helu apareceram como uma alternativa ao “continuísmo” do presidente Alfredo Ignácio Trindade.

Mas Wadih Helu também enveredou pelo mesmo caminho do “continuísmo”. O bombardeio pessoal contra sua questionada administração foi intensificado mais tarde, com o lançamento da revista Placar, em 20 de março de 1970.

Com uma proposta de publicação semanal, a primeira edição de Placar custou 1 Cruzeiro Novo e ofereceu como brinde uma moeda personalizada de Pelé, que também foi retratado na capa segurando um modelo da Taça Jules Rimet.

Wadih Helu nasceu no município de Tatuí (SP), em 15 de março de 1922. Ainda na infância mudou para Conchas (SP), onde concluiu os estudos no ensino fundamental. Os dados foram divulgados pela revista do Esporte número 163.

Crédito: revista do Esporte número 163 – Abril de 1962.

Dia de festa no Corinthians pela apresentação de Garrincha, que na foto aparece entre o atacante Flávio (esquerda) e o presidente Wadih Helu (direita). Crédito: gazetaesportiva.net.

Figura participativa nas esferas sociais do Corinthians na década de 1950, Wadih Helu sempre revelou sua especial habilidade na arte de influenciar pessoas.

Diplomado pela Faculdade de Direito da USP em 1955, o jovem advogado continuou em sua obstinada caminhada nos bastidores do Parque São Jorge!

Ao lado de Vicente Matheus, Wadih Helu compartilhava da opinião de que Alfredo Ignácio Trindade estava superado em seus conceitos. Assim, em 1959, com Wadih Helu como vice na chapa, Vicente Matheus chegou ao poder pela primeira vez.

Mas essa conveniente e propagada união de cavalheiros não durou muito tempo. Vicente Matheus e Wadih Helu entraram em rota de colisão, o que os transformou em adversários ferrenhos.

E o advogado Wadih Helu fez valer sua alta capacidade de persuasão para vencer o pleito eleitoral do clube em 1961. Como não poderia ser diferente, o futebol foi o “carro-chefe” de sua trajetória no Corinthians.

Crédito: revista Placar – 1 de maio de 1970.

Crédito: revista Placar – 1 de maio de 1970.

Contudo, os primeiros dissabores ganharam contornos no sucesso da cantora Edith Veiga, o bolero “Faz Me Rir”, que foi associado ao Corinthians pela péssima campanha no campeonato paulista, com direito ao impiedoso massacre sofrido diante do Santos por 5×1 em 16 de agosto.

Nas primeiras 11 partidas foram 7 derrotas, 2 empates e apenas 2 vitórias. Então, Wadih Helu tentou remediar a situação trocando o treinador e alguns jogadores; o que não representou resultados imediatos, mas representou uma sexta colocação na tábua final de classificação.

Em 1962, o vice-campeonato paulista não amenizou o sofrimento pelo jejum de títulos, embora uma chama de esperança tenha aparecido no raro talento do atacante Nei Oliveira.

Equilibrado na corda-bamba e amparado pelas promessas de construir um grande estádio, Wadih Helu foi permanecendo no cargo de presidente do Corinthians.

Nem mesmo a contratação de Garrincha, ou ainda a conquista do Torneio Rio–São Paulo de 1966 foram suficientes para diminuir o clima de indignação dos torcedores.

Crédito: revista Placar – 5 de março de 1971.

Crédito: revista Placar – 12 de fevereiro de 1971.

O tabu contra o Santos em partidas do campeonato paulista também era uma grande “pedra no sapato”. Incomodado, Wadih Helu foi atrás do zagueiro Ditão, do ponta de Buião, do centroavante Flávio, do astro Paulo Borges e de tantos outros valores…

Finalmente em 1968, o tabu contra o Santos foi para o espaço. Enquanto isso, o grande estádio e os títulos continuavam apenas nos sonhos da sofrida Fiel Torcida.

Acusado de usar o Corinthians como trampolim político, o aparecimento da torcida organizada “Gaviões da Fiel” foi um sério golpe em suas futuras pretensões de continuar no poder.

Justiça seja feita, não é possível ignorar o esforço de Wadih Helu para retomar o caminho das grandes vitórias. Apesar da boa campanha no certame paulista de 1969, o sonho do título foi dissipado na tragédia automobilística que vitimou os jogadores Eduardo e Lidu.

Diante de um destino impiedoso, a conquista do Torneio Costa do Sol, em agosto de 1969, em nada refrescou sua delicada situação!

Crédito: revista Placar – 12 de fevereiro de 1971.

Crédito: revista Placar – 26 de fevereiro de 1971.

Como próximo capítulo, a bateria de artilharia da revista Placar não oferecia tréguas. Wadih Helu foi severamente castigado em várias edições no período entre 1970 e 1971, inclusive com seu nome publicado de maneira incorreta:

– 1 de maio de 1970: Corinthião – Isto é uma farsa (páginas 35, 36 e 37); 12 de fevereiro de 1971: É assim que Vadi faz suas contas (páginas 9,10,11,12 e 13); 26 de fevereiro de 1971: Vadi Helu manda bater na torcida (páginas 20,21,22 e 23); 5 de março de 1971 – Vadi Helu jogou os estatutos no lixo (páginas 13,14 e 15).

O bombardeio da imprensa apresentou seus resultados. Em 1971, Wadih Helu finalmente foi derrotado pelo candidato Miguel Martinez, com o oportuno apoio de Vicente Matheus.

Nunca distante do ambiente do Corinthians, Wadih Helu foi um vencedor na carreira política, com vários mandatos como deputado estadual e federal.

Após vários anos de luta contra o Mal de Alzheimer, Wadih Helu lamentavelmente faleceu em 7 de junho de 2011.

Crédito: revista Placar – 26 de fevereiro de 1971.

Crédito: revista Placar – 26 de fevereiro de 1971.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Manoel Motta, Michel Laurence, Milton Coelho e Narciso James), revista do Corinthians, revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Realidade, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, Jornal Folha da Tarde, acervo.estadao.com.br, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, gazeta esportiva.net, sp.gov.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg e Marcos Júnior), Livro: Timão 100 Anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg.

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