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Office-Boy de um escritório de exportação de café e conhecido pelos amigos como “Mosquito Elétrico”, o rapazola de 15 anos de idade já apresentava qualidades suficientes para apitar no disputado cenário da várzea santista.

A paixão pelo futebol nasceu na tenra idade, quando o pequeno Romualdo acompanhava os passos do tio Otacílio, afamado centroavante da Portuguesa Santista na década de 1940.

O sonho de jogar igual ao tio foi morrendo aos poucos. O corpo franzino e a evidente falta de habilidade não o permitia ser titular nem no time do colégio.

Desprezado no banco de reservas, o magrelo Romualdo era encarregado pelos professores de Educação Física para apitar, o que aos poucos foi transformado em uma solicitação rotineira.

Também conhecido como “Ganso”, Romualdo Arppi Filho nasceu na cidade de Santos (SP), em 7 de janeiro de 1939.

O capitão do Flamengo Jadir e o jovem árbitro Romualdo Arppi Filho no Maracanã. Crédito: revista do Esporte número 177 – Julho de 1962.

João Avelino no momento da agressão ao árbitro Romualdo Arppi Filho, partida entre Ponte Preta e Portuguesa de Desportos, em Campinas. Crédito: revista Placar – 5 de março de 1971.

Incentivado por admiradores e amigos, Romualdo Arppi Filho ingressou na Liga Santista de Futebol Amador em 1957. No ano seguinte participou do curso de formação de árbitros da Federação Paulista de Futebol.

Conforme publicado pela revista Placar em 3 de fevereiro de 1986, o primeiro compromisso profissional aconteceu em 1959, no empate em 2×2 entre Juventus e São Paulo na Rua Javari.

O debute internacional ocorreu em 1961, quando foi escalado para comandar o duelo entre Boca Juniors da Argentina e Nacional do Uruguai, jogo válido pelo Torneio Internacional de Verão, no Uruguai.

Rapidamente indicado para os quadros da FIFA em 1963, o jovem Romualdo Arppi Filho era considerado um especialista na aplicação da “Lei da Vantagem”.

Todavia, o bom retrospecto não impediu o seu afastamento dos quadros da Federação Paulista de Futebol em 1967. O acontecimento foi divulgado pela revista Placar em 9 de abril de 1971, matéria assinada por Paulo Matiussi.

Brasil e Uruguai pela Taça do Atlântico de 1976. Rivellino agarra Dario Pereyra pelos cabelos nas barbas do árbitro Romualdo Arppi Filho. Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 7 de maio de 1976.

Romualdo (esquerda) ignora o “teatro” promovido pelos jogadores do Guarani. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 24 de novembro de 1978.

Romualdo Arppi Filho ficou longe dos gramados até 1971, quando decidiu voltar ao trabalho no apito.

Sofreu dificuldades em sua readaptação e até passou por sérios apuros, como na partida entre Ponte Preta e Portuguesa de Desportos pelo campeonato paulista de 1971, quando foi agredido pelo técnico João Avelino.

O certo é que Romualdo Arppi Filho superou tudo e ganhou confiança novamente, ao ponto de ser costumeiramente escalado em confrontos considerados decisivos.

Romualdo Arppi Filho reconheceu que cometeu erros cruciais em lances capitais, embora seu aproveitamento sempre fosse bem avaliado!

Ao longo de sua carreira, Romualdo Arppi Filho comandou várias partidas consideradas importantes nas décadas de 1970 e 1980. Ao todo, foram 254 participações pelo campeonato brasileiro e 289 partidas internacionais.

Crédito: revista Placar.

Romualdo enfrenta forte pressão dos atacantes Casagrande e Careca. O Palmeiras venceu por 2×1 em partida do campeonato paulista. Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 14 de setembro de 1984.

Esteve presente nos jogos olímpicos de 1968 no México, 1980 em Moscou e 1984 em Los Angeles; além da Copa do Mundo de 1986, quando foi escalado na finalíssima entre Alemanha e Argentina.

Por suas atuações na Copa do Mundo, Romualdo Arppi Filho recebeu uma avaliação de 9,2 da Comissão de Arbitragem da FIFA, um feito e tanto!

Em entrevista publicada na revista Placar, Romualdo Arppi Filho lembrou da emoção ao receber a confirmação de sua convocação para o mundial de 1986.

O árbitro paulista estava em férias na casa de veraneio do amigo e empresário Vilmar Cordeiro, localizada no balneário Itapema (SC).

Quem confirmou a notícia foi a secretária da Imobiliária onde Romualdo trabalhava como relações públicas, em São Vicente (SP).

Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar – 3 de fevereiro de 1986.

De férias no litoral catarinense, Romualdo foi informado de sua convocação para apitar no México em 1986. Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar – 3 de fevereiro de 1986.

Outra boa participação internacional foi registrada na final da Copa Intercontinental de clubes de 1984 -“Copa Toyota”- partida em que o Independiente da Argentina venceu o Liverpool por 1×0 e ficou com o título.

Em 24 de março de 1988, Romualdo Arppi Filho foi eleito como o melhor árbitro do Mundo pela Federação Internacional de Futebol, História e Estatística, entidade sediada na Alemanha.

Com o número considerável de 74 votos, Romualdo Arppi Filho superou o belga Alexis Ponnet com 56 votos e o italiano Luigi Agnolin, com 51 votos.

Conforme publicado pela revista Placar em 22 de abril de 1988, a premiação recebida por Romualdo também foi reconhecida pela revista Mundial de Futebol, que na oportunidade o considerou como o “Apito número 1 do Mundo”.

De acordo com o site apitonacional.com.br, Romualdo trabalhou como corretor de imóveis em São Vicente (SP) e atualmente mora em Santos (SP), no bairro do Gonzaga.

Final da Copa do Mundo de 1986 entre Argentina e Alemanha. O craque Maradona é advertido com o cartão amarelo por Romualdo Arppi Filho. Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 7 de julho de 1986.

Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 22 de abril de 1988.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fernando Pimentel, JB Scalco, José Pinto, Manoel Motta, Marcelo Duarte, Paulo Matiussi, Rodolpho Machado, Ronaldo Kotscho, Sérgio Berezovsky e Ubiratan Brasil), revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, acervo.estadao.com.br, apitonacional.com.br, campeoesdofutebol.com.br, gazeta esportiva.net, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti).

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