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Um jovem de cabeça fria e grande talento! Assim era o promissor meio-campista que o Palmeiras foi buscar no Noroeste de Bauru em janeiro de 1975.

Com boa estatura, bom futebol e tranquilidade de sobra, Zé Mário tinha tudo para ser um novo Ademir da Guia!

E assim, o alviverde já parecia conformado pela iminente ausência do “Divino”, algo talvez espelhado na experiência vivida pelo Santos, quando Pelé confirmou que deixaria os gramados em 1974.

Na primeira avaliação médica realizada no Parque Antártica, Zé Mário foi informado da necessidade de ganhar peso e musculatura.

O restante foi providenciado pelo companheiro Jair Gonçalves, que além de apresentar o clube, o convidou para dividir o pequeno apartamento na Rua Santo Antônio, no bairro da Bela Vista.

Crédito: revista Placar – 24 de janeiro de 1975.

Quando chegou ao Palmeiras com 1;79 de altura e 66 quilos, Zé Mário recebeu tratamento especial para ganhar peso e musculatura. Fotos de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 24 de janeiro de 1975.

Filho de José Crispim e Nair de Paula Crispim, José Mário Crispim nasceu no município de Sales Oliveira (SP), em 16 de maio de 1954.

(*) Outras fontes registram o seu nascimento na cidade de São Paulo (SP), em 15 de junho de 1954.

Conforme publicado pela revista Placar em 24 de janeiro de 1975, a família Crispim mudou para Ribeirão Preto, cidade onde Zé Mário ganhou prestígio jogando na meia-cancha do Juventude Católica, uma conhecida agremiação da várzea local.

Carregado de esperanças, Zé Mário tomou coragem e foi bater nas portas do Comercial Futebol Clube. Aprovado pelo treinador João Fernandes, o rapazola logo percebeu que não teria muito futuro!

Como o Comercial não estava disputando nenhuma competição amadora, Zé Mário ficou apenas treinando, pois era jovem demais para ser aproveitado no elenco principal.

O lançamento de um carnê do Santos promoveu o encontro de duas gerações em 1977, no Pacaembu. Partindo da esquerda; Gylmar, Mauro Ramos de Oliveira, Zé Mário, Joel, Marçal, Mengálvio, Lima, Juary, Zito, Pepe, Dalmo, Aílton Lira e Fernando. Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 50 times do Santos.

Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 16 de dezembro de 1977.

Decepcionado, Zé Mário decidiu então continuar sua caminhada no arquirrival Botafogo, o que causou um mal-estar tremendo!

Com apenas 16 anos de idade, Zé Mário disputou o campeonato juvenil pelo Botafogo. Rapidamente, seu bom futebol despertou o interesse de seu “Bolão”, o supervisor de futebol do Esporte Clube Noroeste da cidade de Bauru (SP).

Então, seu José Crispim entrou em entendimentos com os dirigentes do Botafogo e assim recebeu a papelada de liberação do filho.

Dessa forma, os direitos de Zé Mário foram emprestados ao Noroeste mediante o popular “Contrato de Gaveta”, que com o passar do tempo foi prontamente substituído pelo compromisso de contrato oficial.

Pelo Noroeste, Zé Mário ganhou maturidade e reconhecimento, ao ponto de ser convocado para a Seleção Brasileira de Juniores que faturou o título Sul-Americano em 1974, no Chile.

Palmeiras e Santa Cruz no Pacaembu pelo campeonato nacional. Zé Mário (o primeiro partindo da esquerda) observa Vacaria subir com o atacante Fumanchu, que nesse confronto marcou 2 gols na vitória pernambucana por 3×1. Foto de José Eugênio. Crédito: revista Placar – 24 de fevereiro de 1978.

Partindo da esquerda; Zé Mário, Toninho e Jorge Mendonça. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 27 de abril de 1979.

Com o passe fixado em 75.000 cruzeiros, o Noroeste não tinha reservas financeiras suficientes para ficar com Zé Mário em definitivo. Assim os meses foram passando até aparecer o interesse da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Em comum acordo, Zé Mário abriu mão dos direitos para o Noroeste ganhar carta-branca na negociação com o alviverde.

Na transação com o Palmeiras no início de 1975, o time de Bauru recebeu 90 mil cruzeiros e repassou uma boa parte como “luvas” ao jogador.

No alviverde, o elegante Zé Mário foi pouco utilizado. Na suplência de Ademir da Guia, a disputa por uma posição no meio de campo foi potencializada depois da chegada de Ivo Wortmann, Jorge Mendonça, Pires e Vasconcelos.

Emprestado ao Botafogo de Ribeirão Preto e depois ao Santos em 1977, o médio-volante só voltou ao Parque Antártica no findar da temporada de 1977.

Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 21 de setembro de 1979.

Aos 40’ do segundo tempo, Zé Mário fechou o marcador na goleada da Ponte Preta sobre o Santos por 5×0 no Moisés Lucarelli, compromisso válido pelo campeonato paulista de 1981. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 17 de julho de 1981.

Depois de uma grande temporada sob a batuta de Telê Santana no Palmeiras, seu passe foi negociado em definitivo com a Associação Atlética Ponte Preta em 1981.

Pelo Palmeiras foram 115 jogos disputados com 61 vitórias, 29 empates, 25 derrotas e 19 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Na “Macaca” campineira, Zé Mário participou da campanha do vice-campeonato paulista de 1981, ano em que também foi premiado com a Bola de Prata da revista Placar.

Zé Mário jogou também pelo Uberlândia (MG), Francana (SP), Juventus (SP) e pelo São Paulo (SP).

Ao deixar os gramados iniciou seu ciclo como treinador, com passagens inclusive pelo mesmo Botafogo de Ribeirão Preto, equipe onde também ocupou o cargo de Gerente de Futebol.

Derby Campineiro. Partindo da esquerda, Jorge Mendonça, Zé Mário e Careca. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1981.

Na Ponte Preta, Zé Mário aparece ao lado de Édson e Odirlei. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 21 de agosto de 1981.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fábio Rocco Sormani, JB Scalco, José Eugênio, José Maria de Aquino, José Pinto, Manoel Motta, Marco Aurélio Borba, Maurício Cardoso e Ronaldo Kotscho), revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, acervosantosfc.com (por Gabriel Santana), campeoesdofutebol.com.br, gazeta esportiva.net, globoesporte.globo.com, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Gustavo Grohmann e Rogério Micheletti), Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

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