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Na edição 488 de 31 de agosto de 1979, a revista Placar apresentou aos leitores o martírio de Júlio César, o incrível ponteiro-esquerdo que levava os “geraldinos” do Maracanã ao delírio.

Jeitão de moleque e ginga de malandro, Júlio César caiu definitivamente nas graças da massa rubro-negra em 6 de abril de 1979, no amistoso beneficente pelas vítimas das enchentes que castigavam Minas Gerais.

Reforçado por Pelé, o Flamengo goleou o Atlético Mineiro por 5×1 no Maracanã, com Júlio César ofuscando a presença “Rei do Futebol” com uma atuação de encher os olhos.

Apelidado de “Uri Geller”, o famoso paranormal que encantava o público entortando metais com o poder da mente, Júlio César era o mais novo candidato para vestir a camisa 11 do escrete canarinho.

Uma glória apenas passageira, quase sepultada por uma grave contusão sofrida diante do Vasco da Gama. Recuperado, porém inseguro, Júlio César voltou aos gramados e demorou para apresentar o mesmo rendimento.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Grandes amigos, Adílio e Júlio César em partida contra o América no Maracanã. Crédito: revista Placar.

Sempre lembrado como Júlio César “Uri Geller”, Júlio César da Silva Gurjol nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 3 de março de 1956.

O prazer pela bola nasceu nos campinhos da Comunidade da Cruzada de São Sebastião, onde ao lado do inseparável amiguinho Adílio, o menino Júlio César foi aos poucos desenhando um estilo inconfundível e ousado!

Conforme publicado pela revista Placar 456, de 19 de janeiro de 1979, Júlio César chegou ao Flamengo na base da aventura e disposto para enfrentar qualquer sacrifício.

Conhecido apenas como Julinho, o menino humilde pulava o muro da Gávea para jogar, até o dia em que foi tratado como “penetra” e colocado para fora do clube.

Contudo, o valente rapazola oriundo da Cruzada de São Sebastião nunca desistiu de jogar pelo Flamengo!

Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 19 de janeiro de 1979.

Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 24 de agosto de 1979.

Apoiado pelo famoso olheiro Dominguinhos, Júlio César brilhou no Futebol de Salão do Flamengo e acabou aproveitado também nos gramados.

Em 1975, seu insinuante futebol já movimentava os jornais esportivos da época, embora tudo isso fosse de pouca utilidade para o técnico Carlos Froner, que insistia no esquema com o “ponta-esquerda” mais recuado.

Pela Seleção Brasileira, Júlio César disputou os Jogos Olímpicos de Montreal em 1976, mesmo ano em que foi emprestado ao América (RJ).

Mas no América não mudou muita coisa! Júlio César foi pouco utilizado e praticamente continuou em seu triste trilho de anonimato!

De volta ao Flamengo de Cláudio Coutinho, uma proposta de empréstimo junto ao Clube do Remo (PA) poderia ser um bom recomeço!

Fotos de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 31 de agosto de 1979.

Júlio César parte para cima da defesa do Palmeiras. Fotos de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 1 de agosto de 1980.

A passagem pelo Clube do Remo do técnico Joubert foi considerada muito boa. Júlio César conquistou credibilidade e experiência na disputa do campeonato nacional, o suficiente para voltar com moral aos domínios da Gávea.

Depois da contusão muscular que tanto o atrapalhou, Júlio César trabalhou duro e sua notável habilidade balançou o coração da galera!

Sua participação foi determinante no sucesso da geração que entrou para os livros de história do clube.

De acordo com o site flamengo.com.br, Júlio César faturou muitos títulos com a camisa do rubro-negro, sua fase mais produtiva no futebol:

– Campeonato carioca e especial de 1979, Taça Guanabara 1979 e 1980, Troféu Ramón de Carranza 1979 e 1980, campeonato brasileiro 1980 e o Torneio Cidade de Santander, também em 1980.

Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar – 26 de fevereiro de 1982.

Pronto para um novo desafio no Grêmio. Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar – 26 de fevereiro de 1982.

Conforme publicado pelo Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf, Júlio César disputou ao todo 131 compromissos; com 91 vitórias, 27 empates, 13 derrotas e 8 gols marcados.

Júlio César permaneceu nas fileiras do Flamengo até 1981, quando deixou o clube no mês de fevereiro para defender o Club Atlético Talleres de Córdoba, na Argentina.

O ponteiro-esquerdo também jogou pelo Fortaleza (CE), Atlético Paranaense (PR), São Cristóvão (RJ), Vasco da Gama (RJ) e Grêmio (RS), além de passagens pelo River Plate (Argentina), Cruz Azul (México) e Farense (Portugal).

De acordo com os registros publicados pelo site do Milton Neves, Júlio César trabalhou como professor de futebol no CFZ, clube do Zico, no Rio de Janeiro (RJ).

Também é presença ilustre na equipe de Master’s do Flamengo, onde ainda procura oferecer aos torcedores o mesmo futebol vistoso dos tempos em que era um verdadeiro tormento para seus adversários.

Foto de Ignácio Ferreira. Crédito: revista Placar.

Foto de Tasso Marcelo. Crédito: revista Placar – Fevereiro de 1993.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca, Ignácio Ferreira, Marcelo Rezende, Maria Helena Araújo, Mílton Costa Carvalho, Nico Esteves, Rodolpho Machado, Ronaldo Kotscho e Tasso Marcelo), revista Manchete Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, campeoesdofutebol.com.br, flamengo.com.br, gremio.net, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), vasco.com.br, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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