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Publicada em 5 de janeiro de 1952, a edição 673 da revista O Globo Sportivo ofereceu aos leitores um pouco da trajetória do atacante Moacir Bueno.

Jogador de uma camisa só, Moacir Bueno é o segundo maior artilheiro da história do Bangu. Foram 178 gols marcados em 348 compromissos; com 136 vitórias, 62 empates e 150 derrotas.

O carioca Moacir Bueno, ou ainda Moacyr Bueno, conforme encontrado em algumas publicações, nasceu em 17 de julho de 1924, no bairro de Marechal Hermes, Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ).

Moacir Bueno apareceu nas categorias amadoras do Bangu Atlético Clube (RJ) em 1941. Cabeça quente, o jovem de Marechal Hermes precisou percorrer um longo caminho de aprendizado para superar o “pavio-curto”, algo que ficava evidente até nos treinamentos.

Embora tenha colaborado em algumas jornadas pela meia-cancha, Moacir Bueno ganhou espaço por sua reconhecida capacidade para finalizar ao gol, ainda que jogasse fora outras tantas oportunidades!

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Moacir Bueno e Didi no Maracanã. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 810.

Depois de uma grande temporada no juvenil do alvirrubro em 1942, seu futebol foi aproveitado no time principal nos primeiros meses de 1943, quando o técnico Zé Maria relacionou seu nome para disputar o Torneio Início do campeonato carioca.

Bem adaptado aos companheiros e ao esquema de jogo, Moacir Bueno viveu um grande momento em 22 de agosto de 1943, tarde em que levou os beques do Fluminense ao desespero:

22 de agosto de 1943 – Campeonato carioca segundo turno – Bangu 5×3 Fluminense – Estádio da Rua Ferrer – Árbitro: Carlos Gomes Potengi – Gols: Sonô (2) e Moacir Bueno (3) para o Bangu; Invernizzi (2) e Russo para o Fluminense.

Bangu: João Alberto; Enéas e Paulo; Nadinho, Souza e Antônio; Sonô, Baleiro, Moacir Bueno, Otacílio e Joaquim. Técnico: Zé Maria. Fluminense: Batatais; Norival e Renganeschi; Vicentini, Spinelli e Bigode; Adilson, Pedro Amorim, Russo, Invernizzi e Carreiro. Técnico: Arno Frank.

Apesar da constante irregularidade do Bangu na década de 1940, um alvo fácil de goleadas históricas, Moacir Bueno fazia sua parte e sempre com muitos gols.

Moacir Bueno e Zizinho. Crédito: reprodução revista O Globo Sportivo.

O Bangu, vice-campeão do Torneio Início do campeonato carioca de 1951. Em pé: Djalma, Mirim, Pinguela, Mendonça, Pedrinho e Sula. Agachados: Menezes, Vermelho, Moacir Bueno, Décio Esteves e Nívio. Crédito: revista O Globo Sportivo.

Como aconteceu em 5 de outubro de 1947, no Estádio Figueira de Melo, jogo válido pelo primeiro turno do campeonato carioca. Em grande tarde, Moacir Bueno marcou 5 gols na goleada por 8×1 sobre o Canto do Rio.

Vice artilheiro do certame carioca de 1947 com 17 gols, Moacir Bueno foi superado apenas por Dimas do Vasco da Gama, com 18 gols marcados.

Com tamanho aproveitamento, o Vasco da Gama mostrou forte interesse para contar com seu futebol. Contudo, os dirigentes do Bangu prontamente negaram qualquer possibilidade de negócio com o time de São Januário.

Moacir Bueno também esteve presente na inauguração do Estádio do Maracanã, em junho de 1950, quando o selecionado carioca foi derrotado pelos paulistas por 3×1.

Bem treinado pelo técnico Ondino Vieira, os rapazes de Moça Bonita largaram muito bem no campeonato carioca de 1950. Campeão do Torneio Início, o quadro alvirrubro realizou uma grande campanha e terminou na terceira colocação da competição.

Partindo da esquerda; Menezes, Zizinho, Joel, Moacir e Nívio. Crédito: revista O Globo Sportivo número 660.

Moacir Bueno aparece apoiado sobre o companheiro Mirim em treino do Bangu. Fotos de Indaiassú Leite. Crédito: revista O Globo Sportivo número 673 – 5 de janeiro de 1952.

Campeão do Torneio Início do Rio-São Paulo de 1951, o Bangu manteve o ritmo e chegou com brilho ao vice-campeonato carioca da temporada, mesmo ano em que Moacir Bueno participou do combinado “Bangu/ São Paulo”, equipe que encantou o público nos gramados da Europa.

Sob o comando de Leônidas da Silva, o combinado “Bangu/ São Paulo” disputou ao todo 13 compromissos; com 9 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.

Em 1952 amargou altos e baixos e só voltou aos melhores dias em 1953. No entanto, em 1954 o atacante acabou encostado pelo técnico Tim.

No ano seguinte, Moacir Bueno aceitou defender o time de veteranos da Fábrica de Tecidos Bangu, até ser novamente reintegrado no elenco principal de “Moça Bonita”.

Todavia, o peso da idade cobrou seus dividendos. Moacir Bueno disputou apenas algumas partidas em 1958. Cansado de brigar para entrar em forma, o atacante decidiu encerrar sua trajetória em março de 1959.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 673 – 5 de janeiro de 1952.

Sua última partida aconteceu no Maranhão, quando entrou na segunda etapa diante do Moto Clube, duelo vencido pelo Bangu pelo placar de 2×0.

Iniciou assim sua caminhada como treinador nas categorias de base do Bangu. Trabalhou ainda na condição de treinador interino do time principal em algumas oportunidades.

Em 1976 comandou o Bangu no campeonato carioca. Apesar de todo o empenho, os resultados ficaram abaixo do esperado. Assim, Moacir Bueno não permaneceu no alvirrubro!

Conforme publicado pelo site bangu.net, além do Bangu, Moacir Bueno orientou também o Olímpico Clube (AM), Serrano (BA), Sampaio Corrêa (MA), Tiradentes (PI) e Campo Grande (RJ).

Morando em Bangu, Moacir Bueno passou os últimos dias de vida esquecido e sofrendo com o Mal de Alzheimer. Faleceu em 31 de dezembro de 2004.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 785 – 23 de abril de 1953.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arthur Ferreira e Fausto Neto), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Luiz Mendes), revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo (por Indaiassú Leite e José Luiz Pinto), Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, agenciaoglobo.com.br, bangu.net, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves (por Marcos Júnior), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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