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Publicada no dia 5 de janeiro de 1952, a edição 673 da revista O Globo Sportivo ofereceu aos leitores um pouco da rica trajetória do atacante Moacir Bueno.

Jogador de uma camisa só ao longo de sua extensa caminhada, Moacir Bueno é o segundo maior artilheiro da história do Bangu. De acordo com matéria do site “bangu.net”, o atacante disputou ao todo 376 partidas. Foram 153 vitórias, 67 empates, 156 derrotas e 204 gols marcados.

O carioca da gema Moacir Bueno – ou Moacyr Bueno, conforme encontrado em algumas publicações – nasceu em 17 de julho de 1924, no bairro de Marechal Hermes, Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ).

Moacir Bueno apareceu nas categorias amadoras do Bangu Atlético Clube (RJ) em 1941. Cabeça quente, o jovem de Marechal Hermes precisou percorrer um longo caminho de aprendizado para superar o “pavio-curto”, algo que ficava evidente até nos treinamentos.

Embora tenha colaborado em algumas jornadas pela meia-cancha, Moacir Bueno ganhou espaço por sua reconhecida capacidade para finalizar ao gol, ainda que desperdiçasse outras tantas oportunidades!

Uma poderosa linha de ataque do Bangu. Partindo da esquerda; Menezes, Zizinho, Joel, Moacir e Nívio. Crédito: revista O Globo Sportivo número 660.

Formação do Bangu que foi vice-campeão do Torneio Início do campeonato carioca de 1951. Em pé: Djalma, Mirim, Pinguela, Mendonça, Pedrinho e Sula. Agachados: Menezes, Vermelho, Moacir Bueno, Décio Esteves e Nívio. Crédito: revista O Globo Sportivo.

Depois de uma grande temporada no juvenil do alvirrubro em 1942, seu futebol foi aproveitado no time principal nos primeiros meses de 1943, quando o técnico Zé Maria relacionou seu nome no Torneio Início do campeonato carioca.

Bem adaptado aos companheiros e ao esquema de jogo, Moacir Bueno viveu um grande momento em 22 de agosto de 1943, tarde em que levou os beques do Fluminense ao desespero:

22 de agosto de 1943 – Campeonato carioca – Segundo turno – Bangu 5×3 Fluminense – Estádio da Rua Ferrer – Árbitro: Carlos Gomes Potengi – Gols: Sonô (2) e Moacir Bueno (3) para o Bangu; Invernizzi (2) e Russo para o Fluminense.

Bangu: João Alberto; Enéas e Paulo; Nadinho, Souza e Antônio; Sonô, Baleiro, Moacir Bueno, Otacílio e Joaquim. Técnico: Zé Maria. Fluminense: Batatais; Norival e Renganeschi; Vicentini, Spinelli e Bigode; Adilson, Pedro Amorim, Russo, Invernizzi e Carreiro. Técnico: Arno Frank.

Apesar da constante irregularidade do Bangu na década de 1940, um alvo fácil de goleadas históricas, Moacir Bueno fazia sua parte e sempre com muitos gols!

Depois de mais uma grande apresentação do Bangu pelo certame carioca, Moacir Bueno (centro) recebe o abraço do técnico Ondino Viera (direita). Foto de Alberto Ferreira. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Moacir Bueno aparece apoiado sobre Mirim em treinamento do Bangu. Fotos de Indaiassú Leite. Crédito: revista O Globo Sportivo número 673 – 5 de janeiro de 1952.

Como aconteceu em 5 de outubro de 1947, no Estádio Figueira de Melo, partida válida pelo primeiro turno do campeonato carioca. Em grande jornada, Moacir Bueno marcou cinco gols na goleada por 8×1 sobre o Canto do Rio.

Vice-artilheiro do campeonato carioca de 1947, com 17 gols marcados, Moacir Bueno acabou superado apenas por Dimas do Vasco da Gama, com 18 gols registrados.

Com tamanho aproveitamento, o Vasco da Gama mostrou forte interesse para contar com seu futebol. Contudo, os dirigentes do Bangu prontamente negaram qualquer possibilidade de negócio com o time de São Januário.

Moacir Bueno também esteve presente na inauguração do Estádio do Maracanã, em junho de 1950, quando o selecionado carioca foi derrotado pelos paulistas por 3×1.

Bem orientados pelo técnico Ondino Viera, os rapazes de Moça Bonita largaram muito bem no certame carioca de 1950. Campeão do Torneio Início, o quadro alvirrubro realizou uma grande campanha e ficou com a terceira colocação da competição!

Grande campeão do Torneio Início do Rio-São Paulo 1951, o Bangu chegou com brilho ao vice-campeonato carioca da temporada, mesmo ano em que Moacir Bueno participou do combinado “Bangu/São Paulo”. Crédito: revista O Globo Sportivo número 673 – 5 de janeiro de 1952.

Campeão do Torneio Início do Rio-São Paulo de 1951, o Bangu manteve o ritmo e chegou com brilho ao vice-campeonato carioca da temporada, mesmo ano em que Moacir Bueno participou do combinado “Bangu/São Paulo”, formação que encantou o público nos gramados da Europa.

Sob o comando de Leônidas da Silva, o combinado “Bangu/São Paulo” disputou ao todo 13 compromissos; com 9 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.

Em 1952, Moacir Bueno amargou altos e baixos e só voltou aos melhores dias em 1953, inclusive participando da produtiva excursão aos gramados do México!

Todavia, em 1954 o atacante raramente foi aproveitado pelo técnico Tim. No ano seguinte, Moacir Bueno concordou em jogar pelo time de veteranos da Fábrica de Tecidos Bangu. Assim permaneceu até ser novamente relacionado no elenco principal do alvirrubro em 1957.

Contudo, o peso da idade logo cobrou seu preço! Moacir Bueno disputou apenas algumas partidas em 1958. Cansado de brigar para entrar em forma, o atacante decidiu encerrar definitivamente sua carreira em março de 1959.

Moacir Bueno e Zizinho, grandes valores do alvirrubro na busca do tão sonhado título carioca! Crédito: reprodução revista O Globo Sportivo.

Jogador de uma camisa só, Moacir Bueno é o segundo maior artilheiro da história do Bangu! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 785 – 23 de abril de 1953.

Sua última participação aconteceu no Pará, quando entrou no segundo tempo do amistoso contra o Paysandu Sport Club, jogo vencido pelo Bangu pelo elástico placar de 5×2.

Iniciou assim sua caminhada como treinador nas categorias de base do Bangu. Trabalhou ainda na condição de treinador interino do time principal em algumas oportunidades.

Em 1976 também comandou o Bangu no campeonato carioca e, apesar de todo o empenho, os resultados ficaram abaixo do esperado! Assim, Moacir Bueno não continuou nas fileiras do alvirrubro!

Conforme publicado pelo site “bangu.net”, além do trabalho realizado no Bangu, Moacir Bueno orientou também o Olímpico Clube (AM), Serrano (BA), Sampaio Corrêa (MA), Tiradentes (PI) e Campo Grande (RJ).

Morando em Bangu, Moacir Bueno passou os últimos dias de vida esquecido e sofrendo com o Mal de Alzheimer. Faleceu no Rio de Janeiro (RJ), no dia 31 de dezembro de 2004.

Feliz e com um “sombrero” na cabeça, Moacir Bueno participou da produtiva excursão do Bangu ao México em 1953. Foto de José Santos. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 798 – 23 de julho de 1953.

Moacir Bueno ao lado do craque Didi no Maracanã! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 810 – 15 de outubro de 1953.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arthur Ferreira e Fausto Neto), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Alexandre Miranda, Carlos Sampaio, Geraldo Borges, José Santos, Leunam Leite, Levy Kleiman e Luiz Mendes), revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo (por Indaiassú Leite e José Luiz Pinto), Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, agenciaoglobo.com.br, bangu.net, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves (por Marcos Júnior), albumefigurinhas.no.comunidades.net.