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Conhecido pelo famoso bordão “A regra é clara”, o ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho respondia assim o enunciado disparado pelo narrador Galvão Bueno: Pode isso Arnaldo?

Se o Livro de Regras do Futebol realmente fosse uma coisa simples de aplicar, muitos não teriam seu emprego garantido nas emissoras de televisão!

Não existiriam os tais comentaristas de arbitragem, como também ninguém lembraria dos inúmeros equívocos que marcaram época na história do “esporte bretão”.

Ademais, também não seria necessário criar o VAR (árbitro de vídeo), que apesar do arsenal tecnológico continua como uma grande incógnita.

O certo é que ser árbitro de futebol ou mesmo comentarista de arbitragem é uma decisão de extrema coragem: “Se você não sabe jogar na linha então vá jogar no gol. Se você não serve nem para jogar na linha e nem para jogar no gol, então só lhe resta mesmo o apito”.

Em foto de seu acervo pessoal, Arnaldo Cezar Coelho aparece ao lado de Pelé. Crédito: memoriaglobo.globo.com.

Arnaldo Cezar Coelho encerra o jogo final da Copa do Mundo de 1982. A Itália ficou com o título. Crédito: revista Placar.

Filho do propagandista de medicamentos Oswaldo Amazonas Cezar Coelho; e da funcionária pública Sara Sabat Coelho, Arnaldo David Cezar Coelho nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 15 de janeiro de 1943.

Conforme publicado pela revista Placar na edição de 11 de outubro de 1985, Arnaldo Cezar Coelho iniciou sua trajetória como árbitro nas peladas de Futebol de Praia, no bairro de Copacabana.

Apelidado pela rapaziada como “Intrujão”, o rapazola Arnaldo Cezar Coelho conquistou muitos admiradores; entre eles o lendário Armando Nunes Castanheira da Rosa Marques, o primeiro que o aconselhou no estudo do Livro de Regras.

Na época, Armando Marques era o técnico de um time de Futebol de Praia chamado Torino. “O Armando me disse que eu tinha jeito para o negócio”, lembrou Arnaldo Cezar Coelho nas páginas da revista Placar.

Todavia, apitar na praia custou alguns sustos. “Quando o bicho pegava eu corria para o mar e nadava rápido para escapar da fúria da moçada”.

Crédito: revista Placar – 16 de dezembro de 1983.

Foto de Ricardo Beliel. Crédito: revista Placar – 11 de outubro de 1985.

Em 1964 foi diplomado no curso de arbitragem da Federação Carioca de Futebol, mesmo ano em que começou a apitar profissionalmente.

Estudante de Economia, Arnaldo Cezar Coelho foi incentivado por um professor para mudar seu foco para o curso Educação Física.

Dedicado, detalhista e estudioso, suas boas atuações o levaram rapidamente aos quadros da FIFA em 1969.

“Carbono de Armando Marques” – Arnaldo Cezar Coelho nunca escondeu sua admiração pelo famoso colega de profissão, embora jamais tenha comprometido suas atuações com a mesma intensidade dos erros históricos que tanto marcaram o caminho de Armando Marques.

Além do futebol carioca, Arnaldo Cezar Coelho trabalhou também no cenário paulista por algum tempo, uma passagem que nunca foi completamente esquecida pelos torcedores da Ponte Preta.

Foto de Ricardo Beliel. Crédito: revista Placar – 11 de outubro de 1985.

Foto de Ricardo Beliel. Crédito: revista Placar – 11 de outubro de 1985.

Em 5 de setembro de 1970, Arnaldo Cezar Coelho foi escalado para apitar o duelo decisivo do campeonato paulista entre São Paulo e Ponte Preta, no Morumbi.

Naquele certame, o quadro campineiro fazia uma excelente campanha e brigava “ponto a ponto” com o tricolor pela conquista do título.

A peleja seguia parelha até os 30 minutos da primeira etapa, quando aconteceu uma suposta penalidade do zagueiro Henrique sobre o atacante Terto do São Paulo.

Depois de uma autêntica romaria de reclamações promovida pelos jogadores da Ponte em cima do árbitro Arnaldo Cezar Coelho, Toninho Guerreiro abriu o marcador, aos 31 minutos da primeira etapa.

O segundo gol, também marcado por Toninho no início da segunda etapa sepultou de vez qualquer ímpeto de reação da Ponte Preta, que naquela temporada ficou com o vice-campeonato paulista ao lado do Palmeiras na classificação geral.

Crédito: revista Placar – 19 de outubro de 1987.

Crédito: revista Placar – 19 de outubro de 1987.

Após importante participação nas Olimpíadas de 1976 em Montreal, seu nome foi relacionado para o mundial da Argentina em 1978, mesmo ano em que expulsou o goleiro Leão no primeiro jogo decisivo do campeonato brasileiro entre Palmeiras e Guarani.

Em 1982 brilhou também na Copa do Mundo da Espanha, quando inclusive apitou o compromisso decisivo entre Alemanha e Itália.

Além da rotina nos gramados, Arnaldo Cezar Coelho ocupava o tempo com sua Corretora de Valores e o prazer da criação de cavalos “Mangalarga”.

Participou ainda das Olimpíadas de Seul em 1988, para em 1989 encerrar definitivamente sua trajetória nos gramados.

Ainda em 1989 iniciou como comentarista de arbitragem na Rede Globo de Televisão, sempre ao lado do narrador Galvão Bueno, ocupação que deixou em novembro de 2018.

Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar.

Foto de Ricardo Corrêa. Crédito: revista Placar – Junho de 2002.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Adalberto Diniz, Armando Calvano, Arnaldo Ribeiro, Carlos Maranhão, Emanoel Mattos, Geraldo Mainenti, JB Scalco, Luíz Augusto Chabassus, Maurício Azêdo, Milton Trajano, Ricardo Beliel, Ricardo Corrêa, Ronaldo Kotscho e Sérgio Xavier Filho), revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, memoriaglobo.globo.com, site do Milton Neves (por Marcus Vinicius Dias Magalhães), Livro: Segue o jogo! 100 Anos da Arbitragem Brasileira no Futebol – Teodoro Castro Lino – Editora Bonecker.

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