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Também conhecido como “Gonçalito”, Gonçalo Gonçalves nasceu no município de São Vicente (SP), em 8 de novembro de 1935.

Sua caminhada foi iniciada no futebol varzeano de São Vicente, até ser descoberto e encaminhado aos quadros amadores da Associação Atlética Portuguesa Santista, em meados de 1954.

Na temporada de 1955, o habilidoso rapazola de São Vicente recebeu suas primeiras oportunidades no time principal da Portuguesa Santista.

Em grande fase, Gonçalo rapidamente ganhou espaço nos jornais e revistas esportivas da época, período em que também foi utilizado na linha ofensiva da “Briosa”.

Seu grande momento no time de Ulrico Mursa aconteceu nos meses de abril e maio de 1959, quando a Portuguesa Santista deixou o porto de Santos para excursionar por Angola e Moçambique, então colônias portuguesas na África.

Gonçalo e Canhoteiro. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 170 – Outubro de 1960.

O time que em 2 de outubro de 1960 inaugurou o Morumbi, com vitória pela contagem mínima diante do Sporting de Portugal. Em pé: Ademar, Poy, Gildésio, Sátyro, Riberto e Vitor. Agachados: Peixinho, Jonas, Gino Orlando, Gonçalo e Canhoteiro. Crédito: revista Placar – 50 times do São Paulo.

E os números da “Briosa” naquela excursão refletem o momento especial do time orientado pelo treinador argentino Filpo Nuñez. Foram 15 vitórias em 15 compromissos disputados, o que representou a histórica conquista da “Fita Azul”.

No findar de 1959, seus direitos federativos foram negociados com o São Paulo Futebol Clube, que fechou o acordo pela vultosa quantia de 1 milhão de cruzeiros.

Gonçalo também participou das festividades de inauguração do Estádio do Morumbi em 2 de outubro de 1960, com vitória do São Paulo por 1×0 sobre o Sporting de Portugal. Abaixo, os registros do confronto amistoso:

2 de outubro de 1960 – Amistoso Internacional – Inauguração do Estádio do Morumbi – São Paulo 1×0 Sporting Clube de Portugal – Arbitragem: Olten Ayres de Abreu – Gol: Peixinho aos 12′ da primeira etapa. 

São Paulo: Poy; Ademar, Gildésio, Riberto e Fernando Sátyro; Vitor, Peixinho, Jonas (Paulo Lumumba, depois Cláudio Garcia), Gino Orlando, Gonçalo e Canhoteiro (Roberto Frojuello). Técnico: Flávio Costa. Sporting: Aníbal; Lino, Morato e Hilário; Mendes e Júlio; Hugo, Faustino, Figueiredo (Fernando), Diogo (Geo) e Seminário. Técnico: Alfredo Gonzalez. 

Gonçalo custou 1 milhão de cruzeiros aos cofres do São Paulo. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 176 – 1961.

Apesar do bom futebol apresentado no São Paulo, Gonçalo era considerado um jogador de temperamento forte, o que certamente prejudicou sua continuidade no tricolor! 

Em março de 1963, Gonçalo deixou o Morumbi quando foi emprestado ao Fluminense Football Club (RJ) pelo prazo de 1 ano.

A transferência foi considerada um bom negócio para todos os envolvidos, especialmente para Gonçalo, que foi apresentado aos torcedores cariocas como um grande reforço.

Com o passe fixado em 20 milhões de cruzeiros, Gonçalo firmou compromisso salarial de 120 mil cruzeiros mensais, além do aluguel de um apartamento pago pelo clube carioca.

Os detalhes da transação foram divulgados pela revista do Esporte número 213, edição de 6 de abril de 1963. Mas Gonçalo foi pouco aproveitado no Fluminense, principalmente pelos desentendimentos com o sempre exigente técnico Fleitas Solich.

Gonçalo e Dias, equilíbrio na meia-cancha do tricolor de Oswaldo Brandão. Crédito: revista do Esporte número 179 – 11 de agosto de 1962.

Então, Gonçalo resolveu colocar a “boca no trombone”. O depoimento exclusivo foi oferecido aos leitores pela revista do Esporte número 274, em 6 de junho de 1964:

– “Fui bem recebido pelo elenco do Fluminense e só fiz amigos. Acho que não é o caso de Fleitas Solich”.

– “Fleitas Solich até parece entender do riscado. Na verdade, esse senhor queria ser a estrela do time… Provavelmente, Solich entrou no barulho dos jornais paulistas, que entre tantos absurdos ainda me rotularam como um jogador indisciplinado”. 

Dessa forma, com o termino do empréstimo, Gonçalo voltou ao São Paulo e pouco depois foi negociado em definitivo com o Santos Futebol Clube.

De acordo com artigo da revista do Esporte, o contrato com o time praiano foi assinado por um período de 2 anos, com 3 milhões de luvas e salários de 150 mil cruzeiros.

Vida nova nas Laranjeiras. Crédito: revista do Esporte número 213 – 6 de abril de 1963.

Em reportagem especial da revista do Esporte, Gonçalo aparece com a camisa da Portuguesa Santista. Crédito: revista do Esporte número 274 – 6 de junho de 1964.

Na Vila Belmiro, outra entrevista de Gonçalo causou um tremendo mal-estar. Em reportagem publicada na conceituada revista do Esporte, o meia-armador permeou por uma fronteira um tanto delicada:

– “De nada me adiantava continuar no Santos, já que o treinador tem visível preferência por jogadores escurinhos… Creio que Pelé seja o responsável indireto por tal situação”. 

– “Vou dar um exemplo do que digo. Mesmo apontado como um dos melhores de sua posição, o lateral-direito Ismael volta e meia era barrado no time para dar seu lugar ao Lima”. 

Como o contrato com o Santos não foi renovado, Gonçalo ainda voltou ao mesmo Fluminense, antes de encerrar definitivamente sua trajetória pelos gramados.

Em decorrência de uma insuficiência renal, Gonçalo Gonçalves faleceu no dia 17 de dezembro de 2016.

O Santos no gramado da Vila Belmiro. Em pé: Ismael, Zito, Lima, Geraldino, Olavo e Gylmar. Agachados: Peixinho, Gonçalo, Toninho Guerreiro, Pelé e Pepe. Crédito: site do Milton Neves.

Gonçalo volta ao Fluminense. Crédito: revista do Esporte.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Paulo Planet Buarque), revista do Esporte, revista do Fluminense, revista Manchete Esportiva, revista Tricolor, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, agenciaoglobo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, saopaulofc.net, site do Milton Neves.

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