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Sempre ao lado da família e com a perna esquerda engessada, o aborrecido Lola acompanhava o programa “Bola na Área” da TV Itacolomi.

Ainda na memória, o lance que culminou na terrível fratura, quando o Atlético Mineiro vencia o Santos pelo placar de 1×0 no Mineirão.

Aos 23 minutos do primeiro tempo, Lola recebeu uma bola em profundidade e partiu em velocidade para cima dos defensores do quadro praiano. Cortou o incansável Clodoaldo e driblou Rildo, até não lembrar de mais nada!

Depois do violento choque na perna esquerda, o meio-campista do Atlético ainda conseguiu ouvir o goleiro Cejas gritar desesperado por socorro.

Com sangue na meia pelo horror da fratura exposta no perônio, seu corpo quase inerte curvou como um arco em agonia profunda. Encaminhado de maca para os vestiários, Lola foi transferido imediatamente para o hospital mais próximo.

Lola e o sonho de jogar pelo Flamengo. Crédito: revista do Esporte número 559 – 22 de novembro de 1969.

Amistoso entre Atlético Mineiro e Corinthians em São José dos Campos (SP) em 1970. Lola chuta sem chances para o goleiro Diogo. O duelo terminou com um empate por 1×1. Crédito: revista Placar – 27 de março de 1970.

Filho de Alcebíades Corrêa e Perpétua Corrêa, Raimundo José Corrêa nasceu no município de Iguatama (MG), em 2 de janeiro de 1950.

Mais conhecido como “Lola”, o rapazola da cidade de Iguatama iniciou sua jornada pelos gramados em 1966, nas categorias amadoras do Clube Atlético Mineiro.

Meia-armador de muita qualidade, o primeiro título mineiro foi conquistado na categoria juvenil em 1967, ano em que também recebeu suas primeiras e tão esperadas oportunidades no time principal.

Conforme publicado pela revista do Esporte número 559, edição de 22 de novembro de 1969, o jovem Lola revelou aos leitores seu grande desejo de jogar no futebol carioca e defender o Flamengo.

Ainda na matéria da revista do Esporte, ao contrário de outros companheiros, Lola afirmou que nunca teve nenhum tipo de problema com o exigente técnico Yustrich.

O Atlético Mineiro em 1970. Em pé: Humberto, Vanderlei Paiva, Grapete, Vander, Careca e Cincunegui. Agachados: Vaguinho, Lola, Oldair, Laci e Tião. Crédito: revista Placar – 8 de maio de 1970.

Na vitória do Atlético sobre o Santos por 2×1 em 5 de setembro de 1971, jogo válido pelo campeonato nacional, Lola fraturou o perônio. Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 29 de outubro de 1971.

Com rápida ascensão, seu futebol foi rapidamente aproveitado entre os titulares. Em 1968 participou da partida em que o Atlético Mineiro representou o Brasil e venceu a Iugoslávia pela contagem de 3×2. Abaixo, os registros do jogo:

19 de dezembro de 1968 – Amistoso internacional – Brasil (Atlético Mineiro) 3×2 Iugoslávia – Estádio do Mineirão – Árbitro: Ramón Barreto (Uruguai) – Gols: Josip Bukal aos 5’, Nenad Bjekovic aos 8’, Vaguinho aos 32’, Amauri Horta aos 45’ e Ronaldo aos 53’ do segundo tempo.

Brasil (Atlético Mineiro): Mussula; Vander, Normandes (Djalma Dias), Grapete e Décio Teixeira; Vanderlei, Amauri Horta e Lola; Vaguinho, Ronaldo e Tião (Caldeira). Iugoslávia: Ivan Curkovic; Andjelko Tesan, Rajko, Miroslav (Dragan Holcher) e Dojcinovski; Paunovic, Nenad Bjekovic (Ilija Katic) e Spasovski; Musemic (Rudolf Belin), Jovan Acimovic (Fikret Mujkic) e Josip Bukal.

Campeão da Taça Belo Horizonte e do certame mineiro de 1970, Lola participou do elenco que faturou o título brasileiro de 1971, na grande equipe comandada por Telê Santana.

Contudo, Lola não jogou tudo o que poderia na campanha vitoriosa do “Galo” no campeonato nacional. Em 5 de setembro, na vitória do Atlético Mineiro sobre o Santos por 2×1, no Mineirão, Lola sofreu uma assustadora fratura em sua perna esquerda.

O reencontro do bom futebol no Guarani. Crédito: revista Placar – 12 de outubro de 1973.

Lola passou bem pelo Guarani de Campinas. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 12 de outubro de 1973.

Doutor, o Lola voltará inteiro aos gramados? Pensativo, o médico Haroldo Lopes da Costa era muito questionado pela imprensa nos primeiros meses da longa e angustiante recuperação da cirurgia de Lola.

A resposta do médico foi firme e bem diferente do que todos gostariam de ouvir: “Será muito difícil que ele volte ao futebol rapidamente. Lola apresenta uma esperada atrofia, além de um quadro de infecção que já foi medicado”.

Recolhido na fazenda do tio em Pitangui (MG), o esperançoso Lola foi aos poucos ganhando confiança e esfriando a cabeça em divertidas pescarias.

Recuperado antes do previsto, o jogador ainda participou dos compromissos do triangular final do brasileirão de 1971, diante do São Paulo e do Botafogo (RJ).

Permaneceu no Atlético Mineiro até o findar de 1972, quando seus direitos foram transferidos para o Guarani Futebol Clube (SP). No cenário paulista, o novo visual de barba e cabelos compridos revelaram um Lola mais contido e experiente.

Além do bom futebol, Lola também levou seus galos para Recife. Foto de Manoel Novaes. Crédito: revista Placar – 5 de setembro de 1980.

Lola herdou do pai o gosto pelas brigas de galo. Foto de Manoel Novaes. Crédito: revista Placar – 5 de setembro de 1980.

De campinas, Lola rumou confiante para o futebol mexicano e defendeu o América e o Monterrey. Voltou ao Brasil em 1978, quando novamente em Campinas firmou compromisso com a Associação Atlética Ponte Preta.

Entre 1980 e 1981 brilhou pelo Sport Club do Recife (PE), inclusive fazendo parte do elenco que conquistou o título pernambucano de 1980.

Mas Lola não levou apenas seu bom futebol para Pernambuco. Na revista Placar de 5 de setembro de 1980, o meio-campista falou de sua paixão pelas “Rinhas de Galo”, um gosto que herdou do pai.

Sempre acompanhado de seus galos bem nutridos, Lola ainda voltou para a mesma Ponte Preta na temporada de 1981. Defendeu ainda o Grêmio Maringá (PR) em 1982 e o Botafogo (SP) em 1983, sua última equipe como profissional.

Também participou da Seleção Brasileira de Master’s do saudoso jornalista Luciano do Valle. Trabalhou depois como professor de escolinhas de futebol, treinador e observador técnico, além de oferecer seus conhecimentos como comentarista esportivo.

Lola (direita) em sua segunda passagem pela Ponte Preta. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 17 de abril de 1981.

Uma caminhada de muitos desafios! Lola começou sua trajetória nas categorias de base do Atlético Mineiro. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arthur Ferreira, Carlos Maranhão, Célio Apolinário, Lemyr Martins, Lenivaldo Aragão, Manoel Motta, Manoel Novaes e Pio Pinheiro), revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, revista Mineirão – Enciclopédia do Futebol Mineiro, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Estado de Minas, atletico.com.br, campeoesdofutebol.com.br, mg.superesportes.com.br (por Ivan Drummond), site do Milton Neves (por Eliana Santos, Marcelo Rozenberg e Raphael Cavaco), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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