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Na edição de 2 de julho de 1971, a revista Placar registrou com grande destaque o título mineiro do América, uma conquista que não acontecia desde 1957.

“Galo no almoço e Raposa no jantar”. Era esse o grito de guerra da feliz torcida americana durante todo o campeonato. A festa começou logo depois da vitória sobre o Uberlândia por 3×2, até invadir com grande entusiasmo o centro de Belo Horizonte.

Foi uma campanha memorável e invicta do América, com Jair Bala como o artilheiro da disputa com 14 gols marcados, sendo 5 deles com espetaculares “bicicletas”.

Filho de Maria da Conceição da Silva e Zózimo Félix da Silva, o popular “Batata”, Jair Félix da Silva nasceu no município de Cachoeiro do Itapemirim (ES), em 10 de maio de 1943.

Contrariando os planos iniciais de dona Conceição, que projetava para o futuro do filho uma carreira estável na Estrada de Ferro Leopoldina, o rapazola foi rapidamente tragado pelos encantos da bola.

Uma enorme facilidade para fazer gols de “bicicleta”. Crédito: revista Placar – Abril de 1993.

Descoberto por seu “Zezinho”, um padeiro muito conhecido na região, Jair foi encaminhado aos quadros amadores do Estrela do Norte Futebol Clube de Cachoeiro do Itapemirim (ES).

Jair continuou brilhando como meia-atacante nas fileiras do Estrela, até ser observado mais atentamente por representantes do Clube de Regatas do Flamengo (RJ).

De acordo com reportagem publicada pela conceituada revista do Esporte, o primeiro compromisso na Gávea foi o popular “Contrato de Gaveta”, um documento que representava garantias sobre os direitos do jogador, mas sem valor legal na federação.

E foi no Flamengo que nasceu o “Jair Bala”, apelido originado em uma brincadeira inconsequente de um funcionário do clube, que acidentalmente disparou uma arma de fogo e provocou um ferimento na coxa esquerda do jogador, felizmente sem maiores consequências.

Bem avaliado pelo técnico Fleitas Solich, Jair Bala fez sucesso nos Aspirantes e logo foi utilizado em algumas oportunidades no time principal do Flamengo, o que durou até a chegada do técnico Flávio Costa em 1962.

Jairzinho e Jair Bala no Maracanã. Crédito: revista do Esporte número 237 – 21 de setembro de 1963.

Em 1964, Jair Bala foi o artilheiro do campeonato mineiro pela primeira vez. Crédito: revista do Esporte.

Aborrecido com o evidente desinteresse de Flávio Costa em seu futebol, Jair Bala não pensou muito em aceitar um oportuno convite do Botafogo de Futebol e Regatas (RJ).

Pelo Flamengo, entre 1960 e 1962, Jair Bala disputou apenas 12 partidas. Foram 5 vitórias, 7 derrotas e 2 gols marcados. Os números fazem parte do Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf.

Jogando pelo Botafogo, Jair Bala ganhou experiência e faturou o Torneio de Paris de 1963, o que provocou uma maior regularidade em sua escalação.

Contudo, assim como aconteceu no Flamengo, o técnico Danilo Alvim não continuou no comando do time, o que precipitou sua saída de General Severiano, principalmente depois da chegada do sucessor Zoulo Rabello.

Conhecedor da insatisfação de Jair Bala com o descaso de Zoulo Rabello, um diretor do América Futebol Clube (MG) ofereceu uma boa proposta e tirou Jair Bala do Botafogo.

Jair Bala é apresentado no Comercial de Ribeirão Preto por 50 milhões de cruzeiros antigos. Foto de Luís Miyasaka. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 287 – Outubro de 1965.

O Palmeiras no gramado do Pacaembu em 1967. Em pé: Djalma Santos, Valdir, Djalma Dias, Minuca, Zequinha e Ferrari. Agachados: Gallardo, Jair Bala, Ademir da Guia, César e Rinaldo. Crédito: revista Fatos e Fotos.

Conforme publicado pelo site acervodocoelho.com.br, no campeonato mineiro de 1964, o último antes da inauguração do Estádio Governador Magalhães Pinto, o “Mineirão”, Jair Bala foi o artilheiro da competição pela primeira vez, com 25 gols marcados.

Ainda sobre o “Mineirão”, Jair Bala fez parte do selecionado mineiro que participou da partida de inauguração do estádio, com vitória pela contagem mínima sobre o River Plate da Argentina.

Em outubro de 1965, Jair Bala firmou compromisso com o Comercial Futebol Clube de Ribeirão Preto (SP), em uma das maiores transações financeiras da temporada.

No Comercial de Ribeirão Preto, Jair Bala viveu um momento especial e foi um dos principais destaques do time no campeonato paulista de 1966.

Com tamanha visibilidade, Jair Bala trocou o Comercial pela Sociedade Esportiva Palmeiras, um período marcado pelas conquistas da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ambos em 1967.

Depois de uma longa temporada no cenário paulista. Jair Bala voltou ao futebol mineiro. Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 14 de agosto de 1970.

O segundo agachado partindo da esquerda, Jair Bala viveu uma grande temporada no América (MG) entre 1970 e 1971. Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 14 de agosto de 1970.

Também em 1967, Jair Bala foi emprestado ao Cruzeiro Esporte Clube (MG) por apenas três meses. A manobra foi uma jogada dos dirigentes da “Raposa” junto ao Palmeiras, para evitar que o jogador fosse contratado em definitivo pelo Atlético Mineiro por solicitação do técnico Fleitas Solich.

Pelo alviverde foram 19 partidas com 11 vitórias, 5 empates, 3 derrotas e 5 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Depois de uma boa passagem pelo Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba (SP) em 1968, Jair Bala assinou com o Santos Futebol Clube em 1969, outra fase muito especial em sua rica trajetória.

Jair Bala ainda voltou ao futebol mineiro em 1970 e foi campeão estadual pelo América em 1971. Passou depois pelo Paysandu Sport Club (PA) em 1972, seu último time.

Como treinador Jair Bala orientou o América (MG), Cruzeiro (MG), Esportivo (MG), Sete de Setembro (MG), Central de Caruaru (PE), Londrina (PR) e Comercial (SP). Também trabalhou como comentarista esportivo.

Isolado no campo de ataque, Jair Bala pouco pode fazer diante da bem armada muralha do Villa Nova. Crédito: revista Placar – 21 de agosto de 1970.

Como treinador do América (MG). Foto de Auremar de Castro. Crédito: revista Placar – 11 de maio de 1979.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Amâncio Chiodi, Arthur Ferreira, Auremar de Castro, Célio Apolinário, Isnard Cordeiro e Paulo Papini), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Luís Miyasaka e Gavino Virdes), revista do Esporte, revista Fatos e Fotos, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Mineirão – Enciclopédia do Futebol Mineiro, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Estado de Minas, Jornal dos Sports, acervodocoelho.com.br, botafogo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, flamengo.com.br, globoesporte.globo.com, palmeiras.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

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