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Acariciando a coronha de seu revólver Taurus calibre 38, Agomar Martins nunca teve qualquer tipo de problema para deixar o vestiário depois de apitar.

Conforme divulgado pela revista Placar na edição de 30 de março de 1987, o baixinho ainda carregava uma adaga como uma espécie de última garantia, cuja ponta afiada lhe cutucava os joelhos.

Sobre ele, o famoso e também discutido Mário Vianna afirmava sem pensar ou mesmo pestanejar: “Esse tampinha é macho mesmo”.

Em algumas imagens publicadas de Agomar Martins, não é possível ignorar sua destemida postura ao peitar os grandalhões pelos gramados do Brasil.

Considerado um dos melhores árbitros da história do futebol gaúcho, Agomar Martins também fez parte do quadro de árbitros da antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos) e das federações carioca, paraense e paulista.

Reclamações e veto por parte dos dirigentes do Grêmio. Crédito: revista Placar – 23 de julho de 1971.

Considerado um bom árbitro, Agomar Martins não permitia que sua autoridade fosse ultrajada pelos jogadores. Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 3 de novembro de 1972.

Agomar Martins Röhrig nasceu na capital gaúcha, em 23 de março de 1931. Com apenas 1;64 de altura, sua trajetória na “arte do apito” foi iniciada na década de 1960 no futebol amador de Porto Alegre.

Deixou a arbitragem do futebol profissional em 1978, momento em que foi reformado na carreira militar com a patente de Tenente do Exército.

Diplomado em Direito e Jornalismo, Agomar Martins trabalhou também como comentarista esportivo de rádio e televisão.

Foi o primeiro juiz gaúcho que acionou a federação local na Justiça do Trabalho por vínculo empregatício. Ao término de um longo e cansativo processo, Agomar Martins ganhou a causa e embolsou 200 milhões de cruzeiros.

Agomar Martins sempre encheu o peito para dizer que não fez amizades no mundo da bola. Afinal, como sentar para almoçar com dirigentes ou jogadores sem correr o risco de ser chamado de corrupto?

No duelo que decidiu o campeonato nacional de 1972, o Palmeiras levou o título depois do empate sem abertura de contagem com o Botafogo no Morumbi. No lance, Luís Pereira discute com o árbitro Agomar Martins, enquanto são observados por Leivinha, Brito e Nei ao fundo. Crédito: revista Placar.

Agomar Martins tenta argumentar diante do enfurecido Carlos Alberto Torres. Foto de José Eugênio. Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1973.

O gaúcho também é lembrado por sua atuação no dia 27 de novembro de 1968, quando expulsou Pelé de campo no confronto entre Santos e Grêmio.

Naquela oportunidade, Pelé testou os nervos de Agomar Martins até o limite. Depois de constantes reclamações e tentativas de intimidação, o eterno camisa 10 da Vila Belmiro foi convidado para ir para o chuveiro mais cedo.

Em jogo válido pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o quadro paulista venceu por 3×1 no Parque Antártica:

27 de novembro de 1968 – Torneio Roberto Gomes Pedrosa – Santos 3×1 Grêmio – Estádio do Parque Antártica (SP) – Árbitro: Agomar Martins – Gols: Carlos Alberto aos 40‘, Pelé aos 52′, Toninho aos 84‘ e Sérgio Lopes aos 92‘. (*) Pelé foi expulso do gramado aos 75′ por reclamação.

Santos: Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho, Pelé e Abel (Manuel Maria). Grêmio: Alberto; Renato, Paulo Souza, Áureo e Everaldo; Cléo (Joãozinho), Jadir e Sérgio Lopes; Babá (Leal), Volmir e Loivo.

O bigode, a voz grave e os olhos faiscando completavam o figurino de “durão”. Crédito: revista Placar – 30 de março de 1987.

No dia 23 de dezembro de 1972, Agomar Martins foi escalado para dirigir o duelo decisivo do campeonato nacional entre Palmeiras e Botafogo, no Morumbi. Sem abertura de contagem, o alviverde ficou o com título brasileiro.

Entre tantas polêmicas ao longo de sua rica caminhada, como não lembrar do famoso “Grenal” de 1977, quando decidiu voltar atrás depois de marcar uma penalidade do gremista Ancheta sobre o atacante Dario.

Em 19 anos de arbitragem foram mais de 980 participações, algumas delas de grande importância, inclusive no âmbito internacional.

Empresário bem-sucedido no ramo de empreendimentos imobiliários, Agomar Martins virou um conceituado cantor de bolero, sem esquecer da enorme paixão pela pescaria!

Atualmente, Agomar Martins Röhrig está aposentado e morando na cidade de Porto Alegre (RS).

“Juiz que se preza não tem amigos no futebol”. Crédito: revista Placar – 30 de março de 1987.

Sucesso no segmento imobiliário de Porto Alegre. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 30 de março de 1987.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Célio Apolinário, Divino Fonseca, José Eugênio, Lemyr Martins e Roberto Appel), revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com (por Thiago Morão), palmeiras.com.br, site do Milton Neves.

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